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O piloto e instrutor de vôo livre Júlio Leônidas Krebs começou a pensar em vôo livre a partir da idéias do seu pai.
"Na época, eles moravam no Espírito Santo, e seu pai tinha projetos de uma espécie de planador que decolasse de morros.No local onde morávamos havia muitos morros, e a partir dos desenhos que meu pai fazia, eu fiquei com aquilo fixo", conta ele. Em 1980, já morando no Rio Grande do Sul, Julio ficou sabendo que em Sapiranga já havia vôo livre, a prática da Asa Delta. Aí, prontamente se dirigiu para lá e fez o curso.
Quando Julio fez o curso, não pensava que acabaria trabalhando com isso. "Queria me divertir e competir", diz ele. "Nos campeonatos, nunca tirei primeiro lugar. Já tirei segundo, mas me identificava com os chamados Cross Country". No Cross Country, o piloto sai de um ponto de decolagem e toma uma linha reta que segue sempre, de preferência a favor do vento, para ir mais longe. "A distânica máxima que cheguei foi de 191 km, saindo de Igrejinha e indo até Candelária", no Rio Grande do Sul.
Para se voar tanto, é preciso várias técnicas, como saber pegar as correntes de ar. "É uma ascendente, um ar quente que se desprende de uma superfície mais aquecida pelo sol", explica Júlio. Se há uma rocha, um asfalto, o sol incide e faz com que o ar esquente bastante. O ar quente se expande, se torna mais leve e carrega junto a umidade. "A gente circula dentro desse ar", afirma. "Fazemos voltas e subimos até a base da nuvem".
De acordo com Júlio, não existem perigos. "Só há perigos quando se pega um cumulo-nimbus (espécie de nuvem), que chegam a criar raios e tem uma enorme base preta", afirma ele. essas nuvens podem ter um cume de 12 km de altura. "Uma vez encontrei uma dessas e senti medo, mas a gente sempre desvia".
No geral, os perigos do esporte são causados mais por falha humana do que por causas naturais. "A asa delta é um esporte perigoso na medida em que não tomamos os devidos cuidados", afirma Júlio. É preciso checar bem o equipamento, ver se a asa está boa, ver se há erros na montagem e sempre fazer uma revisão final. Esses procedimentos podem inclusive serem feitos pelos próprios pilotos, depois que já têm experiência.
Segundo Júlio, a maior causa de acidentes é devido a desleixo dos pilotos. "Já ocorreu de uma pessoa não se engatar na asa com o cinto. Ele correu e simplesmente aconteceu da asa ir e ele ficar direito no penhasco. Não morreu, mas quebrou a bacia e a perna, e inda teve sorte de cair num local bem fofo", conta.
Para quem está começando, um dos mais importantes cuidados que as pessoas devem ter é em relação ao vento, que deve ser contra, nem forte e nem com rajadas. Quando se está próximo de uma tempestade, é importante procurar pousar, para evitar problemas. O melhor tempo para se voar é em dias de sol e que não haja previsão de instabilidades como chuva.
Não existe uma altitude ideal para voar de asa delta. "Desde que não passe de 4 mil metros, onde há pouco oxigênio, está bom", brinca Júlio. Geralmente as pessoas vão até a base das nuvens, que aqui no Rio Grande do Sul fica em torno de 1.500 e 2000 metros.
Fonte:
Júlio Leônidas Krebs Cidade:
Sapiranga-RS-Brasil Fotos: Júlio Leônidas Krebs Publicado: Rafael Franca da Silva Date: 03/03/2001
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