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Entendendo o Spin Out
Se você nunca tomou um Spin Out, não se afobe. Você vai tomar. Pra ir adiantando o que se sente, imagine pisar numa casca de banana descendo a escada correndo. A vantagem é que na água é mais molinho, mas o cagaço é o mesmo.



Windurfisticamente falando, o Spin Out é um fenômeno em que há súbita perda de função da quilha, e a prancha gira – daí o nome - como se a quilha quebrasse. Uma série de fatores favorece o fenômeno, tais como ondas muito inclinadas, agressivas, nas quais é mais difícil manter a prancha na água em velocidade, ou material inadequado ao vento, porém não há Spin Out sem uma barbeiragem, seja de velejo ou de combinação e regulagem do equipamento. Para melhor evitar o buléu, é bom saber alguns princípios básicos de física quilhântica:


A função primordial da quilha é quebrar o arrasto lateral provocado pela tração da vela, fazendo sobrar apenas a força que manda a prancha pra frente. A tração exercida pela vela é transmitida à prancha pelo pé-de-mastro e pelo velejador, que empurra a prancha para sotavento em um ponto atrás do centro de gravidade. A quilha exerce uma força para barlavento em um ponto mais distante do centro de força do que aquele em que está o velejador, portanto menor força é necessária para compensar a tendência à rotação causada pelo apoio do vivente, porém se o bagual “calçar” demais na rabeta a força exigida da quilha aumenta uma barbaridade, facilitando o Spin Outchê.

A força da quilha é criada pelo mesmo princípio da asa de avião (que coincidentemente é o mesmo da vela de windsurf...): a prancha normalmente, no través, desliza sobre a água em um ângulo de 3° de proa a barlavento em relação à trajetória, portanto a quilha corta a água também com este ângulo, o que causa uma zona de baixa pressão na face de barlavento da quilha, puxando-a para este lado. Esta zona é absolutamente indispensável, porém é exatamente aí que o Spin Out tem origem: ela tende a aprisionar bolhas que vêm da proa e também a “aspirar” ar da superfície logo atrás da rabeta. Forma-se então um bolsão de ar que se dirige rapidamente à profundidade, para a ponta da quilha, o que anula a pressão negativa e, portanto, a tração da quilha, anulando sua função. Esta é a chamada aeração da quilha (nada a ver com cavitação!) Resultado: buléu. A prancha gira, empurrada pelos pés do velejador que não têm força de oposição. Demora pra explicar e é mais complicado que xingada de gago, mas o Spin Out é mais curto que coice de porco.


São dois os tipos de Spin Out:


De baixa velocidade: É bem deprimente... acontece logo quando começamos a planar, porque se faz pressão na rabeta antes que se esteja em velocidade suficiente para que a quilha produza um mínimo de pressão negativa que permita seu funcionamento. Não acontece por aeração da quilha. É barbeiragem da grossa mesmo.


De alta velocidade: Esse até já serve de desculpa pra uma assinada. Geralmente termina com uma rica de uma vaca. É o que acontece em função da aeração da quilha, quando se está planando afuzél, com máxima pressão negativa a barlavento da quilha.


Fonte:
Site: Pro wind
http://www.prowind.com.br/

Colaboração:
Fernando Bizotonics

Fonte: Leonardo Magalhães Duarte
Cidade: na-RS
Fotos: Leonardo Magalhães Duarte
Publicado: Leandro Pereira da Silva
DATA: 22/02/2001 <%insert_data_here%>

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