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Expedição Rio 2000

Expedição de Orlei Jr. e Marcos Tschoepke ao Rio com o objetivo de alcançar o Dedo de Deus e Agulha do Diabo com o tempo disponivel de 10 dias.







Diário:

10/07/00
10:00 - Saída de Porto Alegre.

11/07/00 - Terça
11:00 - Após uma excelente viagem, chegamos na cidade do Rio de Janeiro. O dia está quente. Após o desembarque compramos as passagens para Teresópolis (R$8,00) e as de volta à Porto Alegre (R$103,00). Um ponto positivo foi a mudança de horário da Itapemirim que evitou o trânsito de São Paulo cruzando a capital de madrugada.

12:30 - Saímos do Rio rumo à Teresópolis. Neste trecho da viagem não há problema de horário, pois do Rio à Teresópolis saem ônibus de hora em hora.

13:50 - Chegamos em Teresópolis (23K 0708923 7519673). Desembarcamos, pegamos nossas mochilas e fomos diretamente para o hotel Avenida (Av. Delfim Moreira, 439,Centro, 0xx21-742-2751, R$25,00/dia), reservado antes mesmo de saírmos de Porto Alegre. Logo na entrada fomos bem recebidos pelo proprietário, seu Magalhães, que já nos aguardava.

20:00 - Com tudo pronto para a escalada do Dedo de Deus, nosso primeiro objetivo, fomos jantar no restaurante Taberna Guaíra (Delfin Moreira, 595, fone: 0xx21-742-0444). Bela reposição de carboídratos com um espaguetti a bolonhesa de primeira!

12/07/00 - Quarta
06:00 - Acordamos, tomamos café e, sem demora, pegamos as mochilas e saímos para o nosso primeiro dia de escalada. Levamos somente o necessário para a escalada: equipamento básico, lanche, água, anorak, câmera fotográfica, kit de primeiros socorros e rádio VHF. Céu azul e sem nuvens - o dia promete!

07:00 - Na avenida paralela a rua do hotel pegamos o ônibus Soberbo que, mais tarde, nos deixaria próximos ao Centro de Informações Turísticas - CIT. Localizado perto da entrada da cidade, possui uma das melhores vistas da Serra dos Órgãos e fica a uns 10 min. de caminhada do início da trilha do Dedo.

08:00 - Do CIT seguimos pelo acostamento da estrada até uma espécie de santuário construído em uma das curvas da serra. Há aproximadamente 250m da Santinha, ainda descendo a serra, existe um sumidouro de água. É neste local que inicia a trilha de acesso ao Dedo de Deus.

10:00 - Após a ascensão da trilha e vencidos os incontáveis metros de cabo de aço que facilitam o trabalho, chegamos no início da via Leste (5ºa). Encontramos 4 escaladores de Petrópolis na nossa frente. Descansamos alguns minutos, nos equipamos e começamos a escalar.

14:00 - Cume! Cume! Cume! Após 4 horas escalando diedros, fendas, chaminés e rebocando as mochilas chegamos ao topo do Dedo de Deus. A temperatura estava agradável e a densa neblina, imperceptível durante a escalada, não tirou a emoção da chegada. Marcos, completamente extasiado, fazia transparecer sua alegria em ter escalado mais uma montanha. Naquele momento me senti um ser superior e agradecí a Deus por trabalhar com este fantástico esporte. Logo sentamos, aliviamos os equipamentos, tiramos fotos, comemos e bebemos algo. Pelo rádio pude fazer contato, através das freqüências 146.740 e 145.810 MHz, com o amigo Cézar (PY1PMT) de Teresópolis que nos avisou para descermos rápido que o pessoal da meteorologia estava prevendo chuva - e ela veio mesmo!

15:00 - Assinado o caderno de cume, inicia-se uma chuva fraca e intermitente. Resolvemos descer pela via Texeira (a via da comquista de 1912), pois é mais segura (foi regrampeada) e facilita o rapel. Com apenas 3 enfiadas (duas de 40m e uma de 20m) já estávamos no início da trilha de descida. Agora o que caía do céu era água mesmo!

18:00 - Após o rapel, as seqüências de cabos de aço e a caminhada abaixo de mau tempo, voltamos à civilização. Já era noite, nossas lanternas de cabeça funcionaram como nunca. Mais uma vez obrigado Petzl! Como ninguém dá carona para dois sugeitos molhados as 19:00 da noite, tivemos que caminhar até o CIT para pegar o ônibus de volta à teresópolis.

20:00 - De volta ao hotel, aproveitamos o banho quente, trocamos de roupa e sentamos para discutir os pontos positivos e negativos da escalada. Foram 10 horas na montanha vencendo lances e esbanjando técnica de corda dupla. O Marcos se deu bem e gostou muito! Logo saímos para jantar. Desta vez spaguetti a bolonhesa gratinado no restaurante Taberna Alpina (Duque de Caxias, 131, fone: 0xx21-742-0123). Sugestivo nome!

13/07/00 - Quinta
08:00 - Aprovitamos e acordamos mais tarde em nosso dia de descanso. O tempo está nublado. Tomamos café, chimarrão e ficamos assistindo algumas reportagens no Discovery Channel.

12:00 - Saímos para almoçar no restaurante A Italiana (J.J. de Araújo Regadas, 95, fone: 0xx21-742-2565) onde pedimos uma pizza.

16:00 - Caminhando pelo centro da cidade encontramos a Top Spin Adventure (Delfim Moreira, 381, fone: 0xx21-742-4647), uma loja equipamentos para montanhismo, localizada nas proximidades do hotel. Ao entrar fomos atendidos pelo Flávio e pelo Alex, também montanhistas. Trocamos algumas informações e logo fomos convidados à participar da reunião do Centro Excursionista Teresopolitano - CET (Av. Lúcio Meira, 221, conj. 23, fone: 0xx21-643-2424, e-mail: lecarol@terra.com.br) que aconteceria às 20:00. 19:30 - Saindo do hotel, para a nossa surpresa, encontrei o velho amigo e companheiro de muitas escaladas, Carlos Wolff e seu companheiro de cordada. Chagavam da Pedra do baú - SP, onde escalaram algumas vias. Precisavam de algumas informações, então fomos todos juntos à reunião do clube. Festa geral regada com chimarrão! A reunião foi realizada em um local bem simples. Encontramos, dentre muitos amigos, Marco Catão, irmão de Mozart que se mostrou um competente montanhista. Tratamos de vários assuntos: ética, grampeação, guias e ttrocamos muitas informações sobre as vias de escalada de Teresópolis. Logo que encerramos cada montanhista foi para o seu lado, pois no outro dia era dia de trabalho para todos. Também nos despedimos do Carlos que, por não encontrar vaga em nosso hotel, preferiu acampar dentro do parque.

14/07/00 - Sexta
08:00 - Acordamos, tomamos café e fomos ao supermercado fazer as compras. 12:00 - Com tudo pronto, mas com a previsão meteorológica desfavorável, resolvemos adiar a nossa saída para escalar a Agulha do Diabo para Sábado pela manhã. Ficamos no hotel.

15/07/00 - Sábado
07:00 - Após dois dias esperando o tempo melhorar, no primeiro raioi de Sol que avistamos, pegamos as mochilas e saímos do hotel.

08:00 - Como o ônibus demorava e não podíamos perder tempo, resolvemos tomar um taxi até a entrada do PNSO. Ao chegar, nos identificamos, falamos de nossa pretensões, preenchemos a ficha de ingresso no parque (onde deixamos a freqüência de operação de nosso rádio), pagamos a entrada (R$ 12,00) e o motorista nos deixou ao lado da represa que marca o início da trilha à Pedra do Sino (23K - 0705720 - 7515745). 10:00 - Iniciamos a caminhada em direção a Pedra do Sino. Tinhamos 11.500m de caminhada montanha acima.

15:00 - Após passarmos pelo que denominam Abrigo 2 (23K - 0704503 - 7516292) e Abrigo 3 (23K - 0703776 - 7515733), chegamos a um local denominado Cota 2000 (23K - 0703710 - 7516289). É neste local que cada montanhista, praticamente, decide se acampa no Abrigo 3 (um pouco mais atrás), se desce ao fundo do vale do rio Paquequer (para escalar a Agulha do Diabo no outro dia) ou vai até a Pedra do Sino (simplesmente para acampar, fazer a travessia até Petrópolis ou para escalar algumas big walls na própria pedra).

Encontramos novamente o Carlos e seu amigo que, desta vez, subiram a montanha mais cedo e já retornavam. Trocamos algumas palavras comendo bolachas rechedas, bebemos um pouco de suco e ficamos uma meia hora curtindo o belo visual da cidade de Teresópolis. Tiramos algumas fotos e logo nos despedimos. Como o tempo, novamente, parecia virar, resolvemos acampar no Sino.

16:00 - Após 6 horas de caminhada, chegamos ao acampamento da Pedra do Sino (23K - 0702938 - 7514938), situado a 2.145m de altitude. Soprava um forte vento Oeste trazendo muitas nuvens. Lembrei dos Aparados da Serra. Resolvemos então montar a barraca, organizar as tralhas e descansar um pouco.

20:00 - O tempo piorava. Rapidamente montamos nosso fogareiro e fizemos a janta (massa com lingüiça). Montanhistas de vários estados estavam acampados por alí, umas 10 barracas. Após a janta fizemos uma roda e ficamos batendo papo e tomando chá. Momento de confraternização. Fomos dormir bastante preocupados com a possibilidade de não escalarmos nos próximos dois dias.

16/07/00 - Domingo
08:00 - Acordados pelo barulho insuportável do vento, abrimos a porta da barraca e olhamos ao redor - tinhamos um péssimo dia pela frente! O céu estava completamente fechado com uma densa neblina, muito vento e uma chuva persistente - estávamos dentro de uma nuvem bem grande. Como não tinhamos muita escolha resolvemos organizar o interior da barraca e comer algo.

10:00 - Notamos que no acampamento só restavam 3 barracas, a nossa e as de um grupo de Minas Gerais. Analisamos a situação e também resolvemos descer abortando, desta vez, a escalada da Agulha. Sob uma forte chuva e muito vento iniciamos a caminhada de volta à Teresópolis.

13:00 - Após 3 horas de caminhada estávamos de volta à represa. Encontramos o motorista de uma van que aguadava o grupo que descia um pouco atrás da gente. Ele nos ofereceu uma carona até a cidade - aceitamos na hora.

14:00 - De volta ao hotel, largamos as mochilas e, após uma pequena seção de alongamentos, tratamos de trocar as roupas molhadas por secas. Como Marcos precisava estar em Porto Alegre antes do dia 20, demos como encerradas as nossas atividades e tratamos de providenciar tudo para a nossa volta que se deu pelo mesmo intinerário e de maneira bastante tranqüila.

Fonte:

Orlei Junior
osrj@uol.com.br

Fonte: Orlei Júnior
Cidade: Rio vde Janeiro-RJ
Fotos: Orlei Júnior
Publicado: Daltro Rafael Guevedo
DATA: 07/06/2001 <%insert_data_here%>

 

 

 

 

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