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O ciclista Ricardo Wanke de Melo conta a incrível aventura que fez de 8 a 17 de fevereiro de 1997, com Fernanda. Sabe quem é ela? Não? Então descubra lendo este relato.
Segunda-feira, 10 de fevereiro de 1997.
Saí de Anitápolis às 7 horas e 30 minutos e a viagem começou tranqüila. O tempo estava bom assim como a estrada de terra.
A estrada até Santa Rosa de Lima é só descida, com algumas pequenas subidas. Acompanha o rio o tempo todo. A paisagem é maravilhosa. O rio é cheio de corredeiras, que não são visíveis da estrada, pois há muito mato, mas, às vezes, se vê um pedacinho e é muito lindo. A estrada é boa, mas perigosa. Não é recomendável andar a mais de 25 km/h, pois nunca se sabe o que há depois de cada curva e a terra é solta, o que facilita derrapagens. E foi a 10 km/h que levei o meu segundo tombo. Nada grave, apenas arranhei o joelho e o cotovelo. Santa Rosa de Lima não tem nada de interessante para olhar. Entre ela e Rio Fortuna, há uma subida grande e uma descida ótima. Do alto do morro, olhando-se para trás, avistei os paredões da Serra Geral.
Em Rio Fortuna, cheguei, liguei para casa e almocei. Parei duas horas embaixo de um caquizeiro, onde dormi. Fazia muito calor e, pelo mapa, faltavam apenas 31 km até Aiurê. Como havia feito 44 quilômetros em três horas vi que ia chegar cedo e não me preocupei muito com o tempo. Saí às 14 horas e 30 minutos e parei num posto para encher as caramanholas. O guri do posto me disse que eu devia ir até Braço do Norte para, só depois, passar em Grão-Pará e Aiurê. Fui! Minha maior alegria foi descobrir que os 18 km até eram de asfalto novinho. Minha maior tristeza foi ser ultrapassado por um caminhão carregado de porcos e tomar um banho com a “caca” deles.
Em Braço do Norte parei novamente num posto e o pessoal ficou maravilhado com a viagem que eu estava fazendo. Cruzei o rio e fiz os 12 quilômetros até Grão-Pará já meio enjoado de pedalar. A estrada era asfaltada, mas sem atrativos. Decidi parar e dormir, pois já eram 16 horas e descobri que até Aiurê tinha ainda 18 quilômetros. Assim os 31 quilômetros se transformaram em 48.
Cheguei em Grão-Pará e o único hotel estava em reforma. Disseram-me que em Aiurê não tinha pousada. Só de raiva segui adiante igual. 18 km de estradinha de chão. Não havia andado nem dois quilômetros e depois de uma curva vi que se armava um temporal. Nunca pedalei tanto como nestes 18 km. A toda hora eu procurava um lugar para acampar e não encontrava nenhum. Na beira do rio que acompanha a estrada não dava, pois se chove muito forte a água sobe e, nas casas, eu não queria parar, pois todas têm criação de porcos e o aroma não é nada agradável. Fui seguindo. Não sabia que 18 km eram tanto. Parei num “botequinho” bem legal, o único no caminho, e tomei uma Laranjinha. Trovejava muito e os raios riscavam o céu. Sensacional, mas preocupante, pois não queria tomar um caldo. Nunca vi um raio cair tão perto, a uns 500 metros, atrás de um morrinho. Não nego que fiquei muito feliz quando avistei a torre da igrejinha de Aiurê. Cheguei junto com os primeiros pingos. Não tem pousada em Aiurê. Fiquei então em um galpão aberto do lado da igreja.
Aiurê é menos que um quarto de Anitápolis. Neste galpão já estava um pessoal do Clube de Montanhismo de Joinville, que havia passado na Pedra Furada e iria subir o Corvo Branco, mas com a chuva desistiram. Fiz um amigo: Luiz Von Dokonal, que me falou de suas viagens e me mostrou fotos do Torres del Paine e da região de Salta, na Argentina. Tomei um banho de mangueira ao lado de uma cancha de bocha e fiz minha janta. Sopão Maggi com capeleti. Conversei um pouco ainda com o pessoal do clube e comecei a me arrumar para dormir. Apareceram mais dois que não sei de onde são ainda, mas amanhã descobrirei, pois me ofereceram carona na picape deles até o alto do Corvo Branco e talvez até o radar do morro da Igreja. Pensei em não aceitar, mas aceitei, pois assim eu não me gasto. Agora chove e vou dormir. Amanhã espero que não chova, pois a minha viagem é em função da Serra do Corvo Branco e, se eu não puder vê-la, será uma lástima. Amanhã: Urubici.
As condições do tempo, eu já disse. Não falarei mais. As marchas da minha bicicleta não estão engatando direito, principalmente as da coroa e tenho que fazer a mudança com o pé. Quebrou o pezinho por causa do peso da bicicleta.
Máxima Odômetro Distância Média Tempo
59 km/h 708 km 95,2 km 15 km/h 06:06:06 horas
Fonte:
Ricardo Wanke de Melo
Fonte:
Ricardo Wanke de Melo Cidade:
Porto Alegre-RS-Brasil Fotos: ..:Sem fotos:.. Publicado: Luciane Rocha Martins Date: 07/02/2002
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