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O ciclista Ricardo Wanke de Melo conta a incrível aventura que fez de 8 a 17 de fevereiro de 1997, com Fernanda. Sabe quem é ela? Não? Então descubra lendo este relato.
Domingo, 16 de fevereiro de 1997.
Noite passada (a primeira sem mosquitos) mudou o horário. Assim, teríamos mais uma hora de sono pela manhã, mas como o sol não tem relógio, dormi apenas meia hora a mais. Acordei as seis e meia e arrumei minhas coisas. Tomei café e fui acertar as contas. O homem do hotel não tinha troco, aliás, ele só tinha notas de R$ 100,00 e R$ 50,00, e não eram poucas. Acho que vou largar tudo e ser dono de hotel. Logo ele mandou um empregado ver se arrumava troco num bar, mais ou menos longe. E ele foi.
Em Turvo nem padaria tem. Em Turvo “só se come e se descansa” como me disse o senhor do hotel. Trocado o dinheiro, pude seguir adiante. Minha intenção era ir até Ermo e depois Jacinto Machado e Praia Grande, mas me disseram que depois de Ermo era só estrada ruim de terra. Fosse há três dias atrás eu não me importaria, mas agora já mal acostumei com o asfalto. Aconselharam-me a pegar a BR-101, afinal era domingo de manhã e não deveria haver muito movimento, além de o trecho até Torres ser relativamente curto, apenas 40 quilômetros.
Foi o que fiz. Segui pela SC-448 até Ermo e seis quilômetros depois cheguei na BR-101. Realmente, não havia muito movimento e o acostamento é bom, o que tornou a viagem segura. A estrada é plana. Tem uma que outra subidinha, vencida sem esforço maior. Tinha um pouco de vento contra, mas os caminhões que passavam compensavam o vento e até davam um empurrãozinho. Logo cheguei em Sombrio, onde dei uma descansada. Queria parar nas Furnas, mas não sabia em que altura da estrada elas ficavam.
Segui adiante e pouco mais de um quilômetro depois passei pelas Furnas. Ali, havia ocorrido um atropelamento. Havia polícia e sangue na pista. O infeliz estava no acostamento, coberto por um lençol. Senti-me mal. Senti como a vida é frágil. Pode-se estar muito bem hoje, mas amanhã, nesta hora, estar morto. Deu-me um arrepio. Segui adiante e passei por Santa Rosa do Sul. À direita, avistam-se os Aparados da Serra, mas não dá para enxergar muito bem, pois existem algumas nuvens no caminho da visão.
Dei uma paradinha na Vila São Cristóvão e percorri um longo trecho monótono e sem graça até a divisa. Cheguei na divisa e tirei uma foto (É claro!) que também sonhava há bastante tempo. Cruzei a ponte do Rio Mampituba e entrei pedalando em Solo Sagrado. Entrei em Torres e decidi conhecer a Guarita, pois nunca tinha ido até lá. Para mim, foi uma perda de tempo, pois não fiquei nem um pouco impressionado. Nem tirei foto. Talvez por que no dia anterior eu estava no Rio do Rastro que, aqui entre nós, nem se compara em beleza e imponência.
A água do mar estava azul, limpa e transparente. Dei-me conta de que eu havia descido 1800 metros de bicicleta. Por meus próprios meios, eu vim do alto do Morro da Igreja até o nível do mar. É claro que se eu tivesse feito ao contrário seria melhor, mas por enquanto está bom assim. Uma outra vez, eu subo sem carona. De Torres, onde almocei, voltei um pouco e peguei a Estrada do Mar. É ótimo pedalar nesta estrada. Existem algumas colinas próximas a Torres, mas o restante é uma planura entediante. Minha intenção era ir até Capão da Canoa, mas como eu estava fazendo uma boa média (25 km/h) pensei que talvez pudesse chegar até Osório. Segui. Pedalava por uma hora e parava por meia hora nas tendas da beira da estrada. Tomei muito suco de abacaxi e lembrei-me do “oásis” na subida para Rancho Queimado. O que achei interessante é que depois de Criciúma, onde existe mais “civilização”, as pessoas não se interessam e nem perguntam o que eu estou fazendo. Também existem muito mais “turistas convencionais”.
Logo depois do posto da polícia em Capão, cruzei por outro ciclista viajante solitário. Ele devia vir do Uruguai, pois sua bicicleta tinha uma bandeira do Brasil e outra do Uruguai. Quase não o vi. Nós passamos tão rápido um pelo outro que só deu tempo de nos cumprimentarmos. Arrependo-me de não ter parado e conversado com ele. Agora é tarde!
Pouco antes de Osório havia um acidente. Felizmente ninguém se machucou, apenas danos materiais. Cheguei em Osório e pedi informação a um taxista sobre hotel. Ele me disse que havia um de caminhoneiros logo na saída para Santo Antônio. Era perfeito, pois é meu caminho. Cheguei no hotel, que tem todo o jeito de motel e instalei-me. Tomei um bom banho e fui no posto ao lado para jantar. Comi como um sultão. Voltei ao hotel e, apesar de ser cedo (20:47 horas), me preparo para dormir, pois quero levantar cedo para chegar em casa.
Bati o meu recorde de distância pedalada em um dia. Peguei um pouco de vento contra e, na estrada do mar, vento lateral da esquerda. Se o vento não mudar amanhã será bom para mim. As marchas voltam a não engatar direito, mas não tanto quanto antes.
Máxima Odômetro Distância Média Tempo
48 km/h 258 km 169,4 km 21 km/h 07:43:38 horas
Fonte:
Ricardo Wanke de Melo
Fonte:
Ricardo Wanke de Melo Cidade:
Porto Alegre-RS-Brasil Fotos: ..:Sem fotos:.. Publicado: Rafael Vieira Strömdahl Date: 08/02/2002
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