O ciclista Ricardo Wanke de Melo conta a incrível aventura que fez de 8 a 17 de fevereiro de 1997, com Fernanda. Sabe quem é ela? Não? Então descubra lendo este relato.
Segunda-feira, 17 de fevereiro de 1997.
A noite foi tranqüila ou eu estava tão cansado que não vi nada. O vento fazia com que a porta do quarto balançasse, dando a impressão de que alguém tentava arrombá-la. Coloquei a bicicleta dentro do quarto para dormir melhor. Acordei às 7 horas, mas só saí da cama às meia hora depois. Arrumei-me rápido e às 8 horas já estava na estrada. O dia estava nublado, perfeito para pedalar, pois também não estava quente. Como nada é 100%, peguei vento contra a viagem inteira. Segui pela RS-030 e não havia muito movimento.
Às 9 horas, mais ou menos, parei na beira da estrada e fiz um lanche em uma lanchonete, já que não tinha tomado café. Segui adiante. Pensei em parar em Santo Antônio da Patrulha e comer em um bufê de sorvetes como havia feito da última vez, mas eram 10 horas quando cheguei lá e decidi deixar o sorvete para quando chegasse em Porto Alegre.
Passei direto por Santo Antônio. Com o vento contra, a bicicleta parecia mais pesada e o cansaço voltava a bater. Cheguei em Glorinha ao meio-dia. Almocei e descansei por uma hora e meia debaixo de uma figueira perto da igreja. Formigas de vários modelos me atormentaram nesse tempo. Segui viagem para Gravataí. Neste trecho, a estrada tem umas boas descidas, o que faz com que a viagem seja rápida.
Pensava em pegar a Free-Way, mas estava me sentindo tão bem que decidi ir por Gravataí e Cachoeirinha, caminho mais longo e acidentado, mas com mais coisas para ver. É impressionante. Nunca pensei que fosse sentir falta do movimento das cidades. Pedalar na estrada é muito “mecânico”. Às vezes, se pedala por vários quilômetros e por mais de uma hora sem que nada aconteça. É só desligar o cérebro, ligar o piloto automático e ir em frente. Na cidade não. O movimento exige atenção constante e isso te mantém ocupado. Talvez por isso, Gravataí e Cachoeirinha tenham passado mais rápido do que eu esperava.
Entrei em Porto Alegre pela Avenida Assis Brasil. O tempo dava sinais de que iria abrir, mas o vento contra continuava. Segui pela Assis Brasil até o viaduto Obirici, onde peguei a Plínio e fui sempre até o Parcão. Cruzei o Parcão e segui pela Goethe até a Protásio, onde entrei e fui até a Venâncio Aires. Não me lembro de ter feito este caminho tão rápido como hoje. Bom, pelo menos pareceu rápido. Quanto mais perto de casa a gente chega, menos vontade dá de chegar. Segui por toda a Venâncio e entrei na Getúlio Vargas. Cheguei na frente do prédio e o pessoal da barbearia que tem em frente me parou por 15 minutos para conversar e saber da viagem. Cheguei em casa às 17 horas e 10 minutos, no mesmo instante em que começou a chover.
O pezinho demonstra por que foi tão barato: também não agüenta a bicicleta. Apesar de pedalar tanto, o cansaço ao final da viagem não é proporcional. Sinto que poderia ir mais. O registro da viagem termina por aqui, mas amanhã vou tirar o dia para limpar peça por peça da minha linda e adorada Fernanda, afinal de contas ela merece um tratamento especial por ter se comportado muito bem, não é mesmo?
Máxima Odômetro Distância Média Tempo
53 km/h 372 km 114,5 km 18 km/h 06:03:37 horas
RESUMO:
Máxima:
67km/h = entre Bom Jardim da Serra e o mirante da Serra do Rio do Rastro.
Distância:
717,2 km (registrados)
777,7 km (estimados, por falha no ciclocomputador)
Tempo:
43 horas, 34 minutos, 47 segundos (registrado)
46 horas, 19 minutos, 47 segundos (estimado)
Médias:
Registradas: 16,46 km/h e 71,72 km/dia
Estimadas: 16,79 km/h e 77,77 km/dia
* Nenhum pneu furado!
Fonte:
Ricardo Wanke de Melo
Fonte:
Ricardo Wanke de Melo Cidade:
Porto Alegre-SC-Brasil Fotos: ..:Sem fotos:.. Publicado: Luciane Rocha Martins Date: 08/02/2002
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