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Lençóis Maranhenses

Há menos de um ano é que se houve falar nos Lençóis Maranhenses, precisou do governo local fazer um merchandise na TV Globo para o lugar ficar repleto de turistas…

Até pouco tempo atrás, demorava-se oito horas com um bom carro 4x4 para se fazer o percurso entre São Luís e Barreirinhas, porta de entrada dos Lençóis, hoje com a chegada do asfalto acabou a brincadeira para muitos apaixonados do esporte, em somente duas horas e meia de estrada novinha você estará em um dos lugares mais lindos e propícios para o fora de estrada.

Barreirinhas é onde se tem o acesso para os Lençóis e saída para um passeio maravilhoso pelo rio Preguiça, em cinqüenta minutos de barco, chamado de voadeira, se chega na cidade de Caburé, inesquecível e romântico lugarejo dividido por exatamente 300 metros de dunas entre o Rio preguiça e o mar.

As pousadas que ficam bem ali no centro são super charmosas e suas acomodações confortáveis, a maioria são chalés decorados com artesanato local, com bons restaurantes, e muitas redes para uma boa espreguiçada após uma deliciosa e tradicional carangueijada, prato típico da região que é uma grande produtora de caranguejos.

Para nós, que fomos de muito longe, o jeito foi alugar um Toyota bandeirantes, com um guia que nas primeiras horas serve de motorista, pois até se pegar o jeito de andar na areia é bom consultar quem entende e nada melhor que um local para te dizer.

Já na saída da pousada, todos com muita água e um lanchinho no isopor, nosso guia fez a velha e conhecida pergunta "Com emoção ou sem emoção?", até ali ainda não dava para entender a pergunta, pois já sabíamos que não é autorizada a entrada de carros nas dunas, a onde então teríamos esta tão procurada sensação?

Nas ruas da cidade, indo em direção ao nosso destino, você tem a certeza de ser turista, pois todos te olham como o próprio, dentro de um carrão vermelho de chapéu e óculos escuros e aquela pele de casca de ovo, não da outra, você é diferente.

O primeiro obstáculo é o rio preguiça, tem que subir em uma balsa porque nem sempre a maré estará a seu favor, em nosso caso, foi uma pequena aventura ver o carrão encarar mais de 45 graus de subida, com o risco de irmos todos para dentro d?água, mais interessante é o modo de como se move a embarcação. Além de duas pessoas para puxar a corda, logo atrás vem um barquinho que com um sistema de engate faz todo o serviço pesado de empurrá-la até a outra margem.

Lugar este onde começa nossa pequena aventura. Na saída, nosso guia saiu feito louco, pilotando em uma areia super fofa, onde faz nosso possante jogar por todos os lados, aí sim nós começamos a saber onde estava a emoção. O caminho é estreito, com postes de luz no meio da rua, todos parecendo que foram colocados bem antes de chegar um enorme caminhão de areia e afundá-los, todos, desproporcionalmente, um aqui outro lá, quando mais se embrenha nas trilhas, mais emoção aparece, são vários caminhos até as dunas, e é bom não errar, pois se perder ali não é boa coisa.

De vez enquando, se encontra outro veículo e parece que foi tudo combinado, pois é bem nas curvas, na hora que nosso guia esta a toda velocidade, que o veículo aparece do nada, e, o que é pior, sem espaço para os dois, não deixa de ser interessante, mas que é um susto, não tenha dúvida.

O caminho é muito bonito com muitas subidas e descidas, e três rios que devem ser transpostos. Dois são de leve dificuldades, só um, que o nível exige um pouco mais de experiência. Após alguma explicação de nosso guia passamos sem muita dificuldade.

No caminho, só há uma parada para reabastecermos os ânimos. O bar é super simples e sempre esta cheio de pessoas locais que gostam muito de contar histórias pitorescas e sempre pedem carona para algum lugar mais à frente, é onde também encontramos os turistas do turno da manhã que já estão voltando com muita coisa para contar.

Após uma hora de muito sacolejo dentro do carro, chega-se ao pé das dunas, onde mais uma aventura nos aguarda, subir um morro íngreme de 50 metros, a pé, em uma areia que mais parece talco, para os barrigudinhos, não e fácil, só se consegue com umas três paradas para recuperar o fôlego.

Se não fosse por isto nesta hora seria possível apreciar a linda vista que só se nota mesmo na volta que todos já estão bem relaxados.

Dentre as lagoas existentes nos lençóis, as mais visitadas são a Azul e a bonita. A Azul, entre outubro e fevereiro, permanece quase vazia, portanto nossa parada foi na Bonita, que além de ter uma água cristalina, e a temperatura (só quem mergulhou para definir) é exatamente a que o corpo queria, nem quente nem fria, simplesmente perfeita, de entrar e não querer sair.

A vista então nem se fala, é uma mistura de solo lunar com algo inexplicável, a areia é fria e super fina, só de respirar aquele ar a boca fica cheia dela, sem mais nem menos começamos a mastigá-la, por isto e muito bom não esquecer de levar água mineral, pois mesmo sem sede é bom para lavarmos a boca.

Mesmo que o guia ache ruim, o que é muito difícil acontecer, pois todos são super simpáticos e cordiais, fique até mais tarde, para não perder o pôr-do-sol, um dos grandes espetáculos oferecidos pela natureza naquele lugar, e já escuro, na volta, de uma paradinha em uma casa de agricultor, para ver como se vive feliz com pouco.

As casas não têm luz e todas ficam iluminadas com lamparinas e luz do fogão a lenha. Não esqueça de levar uma lembrancinha para eles, ficarão super gratos e você desfrutará de momentos únicos ouvindo as historias do lugar.

Fonte: Luis Antonio da Costa
Cidade: São Luís do Maranhão-MA
Fotos: Luis Antonio da Costa
Publicado: Luciane Rocha Martins
DATA: 07/03/2002 <%insert_data_here%>

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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