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O Clube de Modelismo Asas do Vale organizou o 17° Fesbraer - Festival Brasileiro de Aeromodelismo nos dias 26, 27 e 28 de abril, na cidade de Gaspar/SC.
O público que prestigiou o evento pode assistir a uma bela apresentação de aeromodelistas experientes e renomados no meio, como Manoel Dias.
Ele pratica o esporte há sete anos e iniciou com avião a hélice - motor a gasolina. “Eu morava em Limeira, São Paulo, comprei um aviãozinho e fui tentar voar”, conta, “Quebrei diversas vezes, até que resolvi fazer duas aulas de instrução e nunca mais quebrei”, recorda.
Na época, o incentivo para continuar veio dos amigos de sua cidade que também praticavam modelismo. “Me deram força”, lembra.
Manoel ressalta que para quem quer começar é importante procurar um clube ou uma loja especializada. “Eles te indicarão qual o avião correto para iniciar e um bom instrutor, pois sem dicas a pessoa vai quebrar o avião”, afirma. Além disso, é necessário ter inscrição na Associação Brasileira de Aeromodelismo – ABA. “O clube que ele escolher vai dar informações onde ele pode se associar”, explica.
Para o piloto, alguns pontos são muito importantes e não devem ser esquecidos na pratica deste esporte. “Aeromodelo não é brinquedo, se pegar em alguém pode machucar ou, até mesmo, matar”, ressalta Manoel, que em 1998 foi vencedor do Campeonato de Manobras com avião a hélice, em Limeira.
Segundo ele, a Aba tem um Estatuto com regras de segurança que devem ser seguidas e isto deve ser observado.
Atualmente, está morando no Paraná e há dois anos começou a pilotar jatos. “Quando vi em Curitiba pensei: Vou ter que comprar um desses. Foi aí que comecei a me interessar”, conta. O piloto afirma que a cidade é o centro de Jatos no país e que a maioria novidades nesta modalidade do modelismo acontecem ali.
No caso do jato, Manoel não fez nenhum curso ou aulas de instrução. “Já tinha boa experiência com avião a hélice e um amigo de Curitiba me deu algumas dicas e até me ajudou a montar”, recorda.
Para começar nesta modalidade, ele diz que são necessários, no mínimo, dois anos de experiência com avião a hélice, mas explica que os dois são totalmente diferentes, tanto na parte técnica e equipamentos, quanto na pilotagem.
A escolha de mudar para o jato partiu de um desejo de crescer e aprender mais sobre modelismo. “Sem falar que a adrenalina é muito maior. O modelo que usei em Gaspar alcançava 370 km/hora e sua turbina faz 147 mil giros por minutos”, conta.
No ano passado, o aeromodelista participou do evento Florida Jet, nos Estados Unidos, um evento onde os pilotos se apresentam mostrando o que sabem, não é competição.
No Brasil ainda não existem competições para jato, apenas encontros. “Aqui ainda é pouco difundida está modalidade, mas a tendência é de que cresça muito, pois atualmente 90% dos equipamentos são importados, mas já estão começando a desenvolver peças nacionais”, explica.
Manoel possui quatro jatos: o comercial, uma cópia fiel de um avião escala L 1011, o raptor, um avião que alcança mais de 370km/h, o Hot Spot, que é o melhor para quem está começando, pois voa em baixa velocidade, 180, 200km/h, e o Perereca, que foi desenvolvido no Brasil por Paulo Stir e Nelson Kaminske, um dos pioneiros de vôo a jato no país. “Ainda está em fase de testes, mas logo será comercializado”, revela.
O que pilotou na 17º Fesbraer foi o Hot Spot. Ele tem 1m e 70cm de envergadura, utiliza combustível com lubrificante próprio para turbina e consome, em média, dois litros para apresentações de 7 à 15min. “Em Curitiba existem aviões a jato com envergadura de até 3m e 50cm”, conta.
Suas apresentações duram, geralmente, de 15 a 20 minutos, entre partida e pouso. “Apresento 20 manobras diferentes”, diz o piloto. Segundo ele, uma das preferidas pelo público é o parafuso chato, onde o avião pára e gira em torno do dorso fazendo um parafuso. Entre as mais difíceis ele destaca o vôo de dorso e o vôo invertido em baixa altitude, onde o avião fica a um metro do chão.
No momento, Manoel, que é comerciante, não tem muito tempo para treinar, mas diz que tem planos de, no futuro, participar de um Campeonato de Manobras em Jato no exterior. “Quem sabe no ano que vem”, fala, “Quero treinar mais. Tecnologia e pilotos bons o Brasil já tem. É só se empenhar mais e partir para cima dos gringos”, brinca.
Segundo ele, o nível do esporte no país não está longe dos estrangeiros, mas afirma que lá estão mais adiantados. Mesmo assim, Manoel indica o que pode ser o diferencial dos brasileiros: “Somos muito mais criativos e gostamos de inovar sempre”.
E foi isso que o piloto fez em Gaspar. Deu um show com seu avião a jato e mostrou muita habilidade, perícia e técnica em manobras incríveis. “O Fesbraer é um dos melhores do Brasil. Consigo trocar muita informação”, conta, “Com certeza no ano que vem estarei lá”, finaliza o profissional.
Fonte:
Manoel Dias
Equipe Inema
Fonte:
Manoel Dias Cidade:
Gaspar-SC-Brasil Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Luciane Rocha Martins Date: 29/04/2002
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