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Accorsi e a paixão pelo vôo livre

Vindo de uma cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul chamada Carlos Barbosa, Fábio Luis Accorsi é um exemplo de persistência naquilo que realmente gosta de fazer: voar de paraglider.



Quando tinha 27 anos e ia para São Leopoldo assistir às aulas da Faculdade de Direito na Unisinos, ficava observando os atletas voando de paraglider no Morro do Diabo, em Carlos Barbosa e se sentia atraído pelo esporte radical, apesar de nunca o ter experimentado.

Então, no mesmo ano de 1997 decidiu fazer um curso de paraglider na escola do atleta Luis Carlos Lupatini, Sky Company, em Caxias do Sul.

O curso é de 6 a 8 aulas caso as condições climáticas estejam boas. Para isso, é necessário que não tenha frente fria, nem nuvens tipo cúmulo nimbo (pois elas podem proporcionar alterações no clima) além de um vento não muito forte e que venha contra o atleta, não a favor.

Depois do curso, que mesclou aulas práticas e teóricas, onde ele teve uma noção de meteorologia e aprendeu a interpretar as nuvens e os ventos, Fábio pôde fazer os primeiros vôos sozinho. E desde então não largou mais este esporte apaixonante.

Já em 1998 começou a participar de campeonatos, mas não se saía muito bem, pois, segundo ele, estava com um paraglider que não era suficientemente bom para conseguir uma colocação entre os primeiros.

No entanto, no ano de 2000, em um Festival realizado em Nova Petrópolis, no morro Ninho das Águias, quando tinha comprado um paraglider importado, de nível intermediário, conseguiu obter o primeiro troféu de sua vida pela quarta posição no campeonato.

“A sensação é a de que vale a pena tentar, de que nunca é tarde para a gente acreditar que pode conseguir o que queremos. Eu gostava tanto de voar, que tinha certeza que seria brindado de alguma maneira”, lembra Fábio.

Outra premiação bastante significativa para ele, foi quando conquistou pela primeira vez a posição inicial, consagrando-se campeão. Isso ocorreu no último campeonato que participou, nos dias 22 e 23 de junho de 2002, o Festival de Inverno Sky Company.

Dessa vez a sensação mudou. “Foi como se tivesse com o dever cumprido. Isso cria uma segurança e um respeito ainda maior pela natureza, pois deve-se saber que é necessário passar por uma série de degraus até chegar ao topo. Para isso, entretanto, é preciso muita persistência e humildade”, conta. E completa: “O importante não é ser o número um, mas saber respeitar a natureza, pois dependemos dela para fazer aquilo que nos dá prazer”.


Apesar destes troféus terem sido momentos realmente importantes para a vida do atleta, ele destaca um fato ocorrido em 1999, quando estava no Chile, que o marcou muito.

Ele foi fazer um vôo cross, que é o vôo de distância, pulando de um morro para outro, quando, de repente, “perdeu o vôo”, que é uma expressão que significa que aterrisou em um lugar que não queria. O lugar se chamava Polígono de Tiro e era nada mais, nada menos que um espaço de tiros ao alvo que a aeronáutica chilena usava como treino.

“Quando eu caí ali tive muito medo que algum tiro me acertasse. Ainda bem que eles não estavam treinando naquela hora, mas mesmo assim foi uma mistura de emoção e muito medo, pois havia uma série de balas no chão. Queria mais era sair dali, mas tive que caminhar cerca de 2 quilômetros puxando o paraglider nas costas até achar uma saída”, relata Fábio.

Esta foi a primeira viagem internacional que fez, com o intuito de adquirir mais experiência e conhecer pilotos de outro país. “Tivemos instruções de como voar em cordilheiras, como a dos Andes, além de termos a possibilidade de voar na Vila Del Mar e em Iquiqui, que é um dos melhores picos para fazer vôos de grande altitude”, afirma Fábio.

Em 2001 foi para o Peru e voou em Lima, Cusco e na Reserva Arqueológica de Paracas.

Depois de conhecer estes lugares, seu objetivo agora é ir para a Europa, mais especificamente à França, a fim de participar do Festival Mundial de Vôo Livre com a ajuda do patrocínio, que é os Móveis Cosilar, de Bento Gonçalves. Entretanto, para isso, está treinando bastante.

Como trabalha nas lojas da família e vai duas vezes por semana a Porto Alegre para fazer um curso, os treinos ficam para os finais de semana. “Todos os sábados e domingos de tarde, do meio dia às 16h, quando o tempo estiver em boas condições climáticas, vou em algum lugar, como o Morro do Diabo, aqui em Carlos Barbosa mesmo ou mo Morro Vinte e Nove, em São Vendelino”, afirma.

É um pouco difícil conciliar o esporte com o trabalho, mas como faz algo que realmente gosta, sempre dá um jeito. “O mais especial neste esporte, é que é algo tão excitante quanto no começo e provavelmente continuará por muito mais tempo”, tenta definir o apiaxonado pelo vôo livre.

Fonte:
Fábio Luis Accorsi
Equipe Inema

Fonte: Fábio Luís Accorsi
Cidade: Carlos Barbosa-RS
Fotos: Nei Eugenio Maldaner
Publicado: Ayumi Miyazaki
DATA: 02/07/2002 <%insert_data_here%>

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No Peru

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