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De 13 a 22 de julho de 2002 aconteceu a II Cavalgada Aparados da Serra, de Bom Jardim da Serra (SC) à São Francisco de Paula (RS). Confira a reportagem feita com o piquete Casco de Mula.
Dentre os quase 200 cavalos que estavam levando no lombo os participantes da II Cavalgada Aparados da Serra, havia também algumas mulas que se diferenciavam dos eqüinos devido às características físicas e pelo passo mais lento.
O grupo Casco de Mula, da cidade de Taió, Santa Catarina, pertencente a região do Alto Vale do Itajaí, a 57 quilômetros de Rio Sul, participou da Cavalgada com cinco mulas: duas que serviram como cargueiros - onde colocaram algumas roupas, comida e bebida - e três que foram montadas pelos participantes.
Mas esta não foi a primeira vez que percorreram uma grande distância com as mulas. Eles já haviam usados os animais antes para ir a outros eventos como, por exemplo, para Vacaria, no início do ano, a fim de marcar presença em um rodeio.
Naquela data, Felipe Harry, Acácio Windchie, Jonas Gomes (pai de Felipe) e o veterinário Marcelo Albuquerque saíram de sua cidade natal e percorreram quase 300 quilômetros em um total de 12 dias sob o lombo de suas mulas, sem nenhum carro de apoio, dormindo em fazendas diferentes a cada noite.
Eles chegaram até a ser premiados por causa disso. “Recebemos um troféu de cavalgada mais original quando chegamos em Vacaria. Todos gostaram muito”, lembra Jonas Gomes.
Quem faz o cruzamento do jumento com a égua para que nasça a mula é um dos membros do grupo, o Acácio. Ele o faz em sua propriedade particular e, segundo Jonas, tem sido bastante procurado para isso, pois a mula é muito mais resistente que o cavalo.
Aliás, esse é o principal motivo pelo qual o Grupo Casco de Mula utiliza este animal nos eventos. “É muito mais resistente, do tipo que vai devagar, mas vai sempre”, defende Jonas.
Ele conta que a mula é conhecida como um animal que, após percorrer um longo percurso, basta desencilhá-la, dar um pouco de água e de comida e ela já está pronta para voltar à ativa de novo, sem precisar descansar muito. "O cavalo cansa muito mais rápido", argumenta.
Jonas salienta que o animal é ainda muito utilizado em diversas regiões do Brasil como cargueiro.
“Eu fui para o Pantanal e lá ainda a utilizam bastante para tocar as tropas de gado. Eu quase não via cavalos sendo utilizados para isso, só mulas”, diz.
Além disso, Jonas ressalta que é um bicho muito intuitivo, que percebe o que está acontecendo ao redor só com o cheiro ou a visão. “Só que, para isso e para que ele seja mansinho, não dê coices, é necessário que o animal seja bem domado”, afirma.
Uma mula bem cuidada pode chegar a viver mais de 40 anos. “Dizem que o fim da vida de uma mula é quando ela fica cega. Só então é que ela morre”, conta.
A dele já tem 26 anos e é da raça Pégasus, que é a mais difundida e que pode ser identificada por uma mancha em um dos lados do corpo.
Das cinco mulas que levaram, só uma tinha nome, chamada “Motoca” e em todas elas foi colocado ferraduras para que não machucassem o casco nas pedras.
Mal acabou esta aventura e eles já estão pensando em fazer uma próxima viagem. “Só falta definir uma data”, avisa Jonas. E é claro que o meio de transporte será a mula.
Fonte:
Jonas Gomes – agropecuarista
Equipe Inema
Fonte:
Jonas Gomes Cidade:
São Francisco de Paula-RS-Brasil Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Luciane Rocha Martins Date: 13/07/2002
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