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Rafael Costa Garcia é um exemplo da paixão por um animal que cativa muitas pessoas, devido ao seu aspecto dócil e carinhoso quando domado, pois quando chucro é melhor nem chegar perto. Trata-se, é claro, do cavalo.
Quando completou um ano de idade, Rafael ganhou do avô um cavalo, o primeiro dos muitos que ainda haveria de ter. Entretanto, ele não pertencia a uma família tradicionalista e o presente que havia recebido não tinha nenhum significado até ele completar seis anos de idade.
Nessa época, o avô o ensinou a montar e desde então ele não se separou mais do animal, que se tornou parte da rotina do garoto que morava numa chácara, em Viamão.
Quando tinha 11 anos, o avô faleceu e ele passou a participar de rodeios, o que seu avô o proibia, para assistir aos ginetes. O interesse pelas modalidades de tiro ao laço, rédeas, tambor, estafeta e argolinha foi crescendo cada vez mais, levando o garoto a participar delas.
Entre os 12 e 14 anos, Rafael trocou de cavalos uma série de vezes. “Acho que comprei e vendi em torno de 15 cavalos”, lembra.
Em uma dessas idas e vindas, ele encontrou uma égua que chamou atenção desde a primeira vez que a viu, a Tchesca. “Fiquei com vontade de comprá-la, mas o dono não queria vender de jeito nenhum. Então eu fiquei esperando até conseguir tê-la”, afirma Rafael.
E não tardou muito. Logo o dono da égua decidiu vendê-la e Rafael consegui comprá-la. A partir de então começou a crescer entre eles uma relação de amizade muito forte, que o levou a conquistar muitas medalhas e títulos nas provas que participava.
“O ginete deve saber dominar o cavalo, pois se o animal sentir que o cavaleiro está com medo, inseguro, com certeza, vai se virar contra ele”, afirma.
Ou seja, é uma relação de confiança entre ambos que deve existir para a harmonia da dupla na hora das provas.
Rafael ainda aconselha que não basta somente possuir um cavalo e saber montar nele. “Tem muita gente que acha que é só bater no cavalo e fazê-lo obedecer, mas é muito mais que isso. Tu tem que pensar como ele, agir como se fosse o próprio cavalo”, diz. É dessa maneira que se consegue o respeito do animal.
Para domá-lo, por exemplo, Rafael conta que não maltrata o animal. “Quando eu ensino a afastrar, que é dar um passo para trás, se o cavalo der o passo, eu já paro, agradeço e só recomeço o treinamento no outro dia para não deixá-lo nervoso”, argumenta.
Mas quando o cavalo faz alguma coisa que não deveria, Rafael conta que tem apenas 3 segundos para reprimir o animal, pois após esse curto período, ele já não sabe mais porque está levando uma surra e pode se irritar com o dono.
“Tem gente que espera para bater no animal só de noite, quando chegam em casa, mas daí o cavalo já não vai mais saber porque está apanhando”, observa.
E acrescenta: “O cavalo é um animal bem sensível, sente tanto o carinho, quanto o desprezo do ginete”.
Com todo esse jeito de lidar com os eqüinos, Rafael demonstra que possui experiência suficiente para montar um negócio próprio, apesar dos seus 17 anos.
E o projeto já está em vista. Trata-se de um Centro de Treinamento, onde pegará os cavalos chucros e os domará para que estejam aptos a participar das provas de rédea, laço, tambor, estafeta e argolinha.
Também receberá cavalos já domados e os transformará em cavalos específicos de prova.
Só que o garoto não pretende se restringir a área dos cavalos, mas possuir uma outra profissão que o dará estabilidade. “Estou fazendo magistério e pretendo fazer faculdade de Sociologia”, planeja.
Só que ainda há um objetivo dentro do ramo eqüestre não atingido pelo rapaz: o Freio de Ouro. “Eu só vou me considerar um campeão quando ganhar o Freio de Ouro”, afirma.
Para isso, contudo, ele só precisa de um cavalo crioulo, pois força de vontade, experiência e calma, que é fundamental, ele já tem.
Fonte:
Rafael Costa Garcia
Equipe INEMA
Fonte:
Rafael Costa Garcia Cidade:
Porto Alegre-RS Fotos: Rafael Costa Garcia Publicado: Ayumi Miyazaki DATA: 08/08/2002
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