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De 22 de agosto a 01 de setembro de 2002 acontece a Expointer 2002, em Esteio (RS). A raça de cavalos mangalarga está presente no evento. Conheça uma das amazonas.
Com cinco anos de idade, Ana Cláudia Pereira começou a montar. O interesse por cavalos era tão grande que a menina pedia cavalos emprestados para poder cavalgar.
“Eu e meus pais começamos a participar de um CTG e a freqüentar rodeios”, recorda a amazonas.
Sempre que podia a menina deixava a parte artística do Centro Tradicionalista, da qual fazia parte, e fugia para a campeira atrás dos cavalos.
Não foi difícil desenvolver mais o sentimento de afeto que a garota tinha pelos animais. Os pais sempre tiveram admiração pelos eqüinos e passaram a apoiar e incentivar o gosto de Cláudia pela montaria.
Aos 11 anos a amazonas fez um curso de hipismo e começou a praticar. Quatro anos depois saiu do CTG, pois muitas provas aconteciam no mesmo dia das apresentações artísticas.
Após cinco anos praticando, Cláudia deixou o esporte para começar a participar da lida campeira e das provas funcionais.
Em 1995 foi para a Hípica do Vale, onde permaneceu por três anos. No ano de 1998 foi para Hípica Terra Santa.
Quando seu professor se transferiu, naquele mesmo ano, para o Centro Hípico Lomba Grande ela decidiu acompanhá-lo e está lá até hoje.
“Era um ótimo profissional e ensinava muito bem”, recorda.
Atualmente, Cláudia está trabalhando no local cuidando de dois cavalos. “Existem pessoas que possuem o animal, mas não têm como montá-lo durante a semana e os deixam lá para que alguém os monte”, explica.
Segundo ela, isso é muito importante, pois se ficar parado retém as energias e quando o dono for montá-lo vai estar agitado.
“Quando o cavalo é trabalhado, fica mais calmo”, destaca.
Durante três vezes na semana ela cuida deles e no sábado suas atenções ficam voltadas para o “Detalhe”.
O cavalo tem oito anos e é de um amigo próximo da família. Cláudia cuida dele há um ano e dois meses.
“O principal objetivo do dono era que o Detalhe se acalmasse e que fosse para a Expointer 2001. Como viu que o trabalho estava sendo bem feito, decidiu deixá-lo aos meus cuidados”, afirma.
A amazonas não gosta de usar relho, chicote ou mango no trato com o animal. Segundo ela, isso apenas machuca o cavalo.
“Converso muito com ele e assobio bastante, pois reconhece isso, sabe quem eu sou. Dou muito carinho e acredito que seja importante para que aprenda. Judiar dele só faria com que ficasse com medo e mais rebelde. Aprendi a trabalhar desta forma e vejo os resultados”, diz.
Detalhe é um garanhão e, além disso, é muito agitado. No início, não conseguia nem caminhar, hoje consegue andar ao lado de Cláudia. Para que fique mais calmo é solto no campo, onde pode se exercitar mais.
“Trabalho o adestramento com ele, mas sem provas de muita agilidade para não deixá-lo ativado. Para a Expointer 2002 não treinou quase nada”, afirma.
Detalhe tem uma alimentação bastante forte e energética com ração de milho, melaço e muito verde. Isso tudo é para suprir as necessidades do animal.
Cláudia diz que ama o cavalo e cuida dele como se fosse dela. “O dono sabe que pode confiar em mim”, frisa.
E ela não poupa elogios ao animal. “É inteligente e se impõem. Fizemos este mês, pela primeira vez, um Enduro. Subimos barrancos íngremes e ele não demonstrou medo”, afirma.
A raça mangalarga é muito apreciada pela amazonas que tem admiração pelas qualidades destes cavalos. “Acho lindo. Eles têm postura, são esbeltos, grandes, rápidos e chamam a atenção”, ressalta.
Mas a amazonas não fica apenas admirando. Gosta de participar das provas com estes animais velozes.
“Deixei o hipismo porque queria competir nas provas funcionais. Nelas você tem que ter agilidade, ser o mais rápido possível, pois são contra o relógio e isto te motiva a querer mais. É muita emoção”, explica.
Em 1996, participou na Expointer pela primeira vez de uma prova de andamento e ficou em 2º e 3º lugar.
Até 1998 continuou participando de andamento. No ano seguinte, competiu na funcional junto com os homens e ficou em primeiro lugar na Prova Gaúcha.
Em 2001, aconteceu a primeira edição da prova feminina e Cláudia ficou em segundo lugar, perdendo o primeiro por milésimos de segundo.
A amazonas revela que no início ficava muito nervosa, tinha medo e até tremia. Hoje, se sente segura e mais calma.
Este ano, seu objetivo é conseguir uma boa colocação, mas, principalmente, mostrar seu trabalho.
Na tarde de terça-feira, aconteceram a 2ª Etapa da Prova Funcional e a 1ª Etapa da Prova Funcional Feminina.
Na primeira, Cláudia é a única mulher da competição. Ela não fez a Prova Gaúcha porque Detalhe não salta e não quer obrigar o animal.
Segundo ela, a mais difícil é a Prova de 6 Balizas, pois animal e amazona devem ter jogo de corpo e trabalhar em conjunto para não derrubar nenhuma delas.
Quando participou da Feminina, Detalhe já estava cansado devido as outras provas da tarde e isso diminuiu um pouco seu desempenho, mas ela achou fácil.
Para as mulheres que tem vontade de começar a competir dá uma dica: “Tem que confiar em si mesma e no animal. Se ficar com medo o cavalo conhece e sente, isso fará com que não desempenhem bem a atividade”.
No ano que vem, Cláudia já confirmou presença na Expointer e diz: “Não sei como e nem com que cavalo vou estar, mas não deixo passar um ano. Vou participar”, finaliza a amazonas.
Fonte:
Ana Cláudia Pereira
Equipe INEMA
Fonte:
Nucleo Riograndense Criadores Cavalos Mangalarga Cidade:
Esteio-RS-Brasil Fotos: Ayumi Miyazaki Publicado: Luciane Rocha Martins Date: 28/08/2002
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