|
De 22 de agosto a 01 de setembro de 2002 aconteceu a Expointer 2002, em Esteio (RS). A raça de cavalos mangalarga esteve presente no evento.
Sua ligação com os cavalos começou cedo, ainda na infância. O avô era de São Paulo e já criava cavalos mangalarga.
Quando o pai comprou um sítio em Caxias do Sul não havia eqüinos de raça, então decidiu ir até lá e adquirir éguas mangalarga paulista e iniciar seu histórico de criação.
Na época, Caroline Golin Porto tinha oito anos e começou a se interessar por cavalos. Aos 12, fez um curso de equitação, por um ano, para aprender a forma correta de montar.
Neste meio tempo, Carol, como é chamada, continuou se aperfeiçoando no sítio do pai.
Com 18 anos, a menina decidiu competir pela primeira vez. Ela participou durante dois anos das provas da raça com os homens na Expointer e na Expoleite.
“Não tinha muita chance, pois treinava de 15 em 15 dias e disputava com os peões que montavam todos os dias”, destaca.
No ano passado, quando criaram a Prova Funcional Feminina da Raça, na Expointer, Carol sentiu-se estimulada a participar novamente.
“No primeiro dia me classifiquei em 1ºlugar, mas no segundo não fui muito bem”, recorda a moça.
Este ano, Carol não foi bem na primeira etapa, mas na segunda melhorou muito seu desempenho e ficou em primeiro lugar.
“Caso tivesse me saído melhor na primeira passada, poderia ter ficado com o primeiro ou o segundo lugar”, destaca.
Carol diz que o que vale é a experiência e a oportunidade das mulheres mostrarem que sabem andar, que têm jeito com os cavalos. “Às vezes, a força não é tão importante”, frisa.
O pai de Carol é proprietário da Fazenda Santa Clara. Há 12 anos que a família participa da Expointer levando cavalos, bovinos de leite, suínos e ovelhas.
“Todos os anos os animais melhoram a qualidade”, afirma.
Para ela, a feira é a consagração de um trabalho realizado ao ano inteiro. “Ali você avalia se está criando bem os seus animais. Serve como um parâmetro, o criador pode ver se está indo bem ou não e o que pode melhorar”, destaca.
Atualmente, Carol mora em Porto Alegre e faz medicina veterinária na Universidade Luterana do Brasil – Ulbra.
A cada 15 dias ela vai para a Fazenda do pai para treinar e rever a família. De todos os animais, Carol diz ter dois como os preferidos: a égua Franca JP, que está no 7º mês de gestação, e o cavalo Vinário HVI.
“Eles são os meus xodós. Têm outros, mas estes eu cuido mais e tenho mais ciúmes”, revela.
A futura médica veterinária conversa muito com os eqüinos e, diversas vezes, dispensa mais de uma hora no trato com os eqüinos, principalmente quando estão soltos a campo.
Segundo ela, na hora de montar é relevante ter uma ligação com o cavalo. “Você tem que ter um contato com ele. Aquecer o animal, ir devagar, depois passar para o galope e daí começar. Não se pode exigir muito dele e é importante recompensá-lo, por exemplo, se está trabalhando e fez o que você queria, agrade o animal”, explica.
Carol não pensa em fazer do esporte uma segunda profissão. Aos 25 anos, seu objetivo maior é se formar no final do ano e exercer a atividade de médica veterinária, sem nunca deixar os eqüinos de lado.
“Participo de provas porque como criadora acho fundamental mostrar que a mulher consegue fazer como os peões. Não no mesmo nível, mas quem sabe no futuro não os alcançamos? Do ano passado para este, as mulheres evoluíram muito”, afirma.
Outro aspecto importante nas competições é que se pode mostrar a qualidade do animal e da raça mangalarga.
Antes de entrar na pista para uma disputa, Carol sempre fica nervosa, mas acredita que com o tempo isso vai passar.
Para as mulheres que estão interessadas em começar a competir ela diz que os pontos mais importantes são:
Pegar um cavalo mando e entrar em sintonia com o animal;
Depois de conseguir dominá-lo, passar para um cavalo mais rápido;
Se possível, entrar em uma aula de equitação;
Aprimorar os conhecimentos teóricos e práticos sobre a forma correta de montar;
Adquirir equilíbrio;
Perder o medo.
Como vai se formar no fim do ano, Carol não sabe como vai estar de tempo em 2003. Uma de suas metas é prestar assessoria, em sua área, na Fazenda do pai. “Quero levar adiante o que ele trabalhou para construir até hoje”, afirma.
Ela não faz planos para o futuro, mas pretende participar da Prova Feminina Funcional no ano que vem. “Talvez me falte tempo para treinar, mas, se possível, vou estar participando”, finaliza.
Fonte:
Caroline Golin Porto
Equipe INEMA
Fonte:
Caroline Golin Porto Cidade:
Esteio-RS-Brasil Fotos: Ayumi Miyazaki Publicado: Ayumi Miyazaki Date: 29/08/2002
<%insert_data_here%>
|
|