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José Fernando Alves, mais conhecido como Pedro, em referência ao tempo em que jogava futebol com os amigos, exerce, hoje, a profissão de carpinteiro naval. Confira a reportagem e as dicas dele.
Carpinteiro naval não é uma profissão muito conhecida. Aliás, se nunca ouviste falar nela antes, não se apavore, isso é absolutamente normal. Pedro mesmo admite que é muito difícil achar alguém que aceite trabalhar com ele, pois são poucos os que conhecem o ofício.
É por isso que trabalha sozinho. Quer dizer, com a esposa. “Já tentei empregar uma outra pessoa, mas não deu certo”, lembra.
Cabe a esposa lidar com a parte “burocrática”, como o pagamento e recebimento dos clientes. “É justo, pois é ela também quem mais gasta”, justifica brincando.
O envolvimento de Pedro começou quando tinha apenas 15 anos de idade e resolveu sair da cidade em que morava, São Lourenço do Sul, para encarar o desafio de arranjar um emprego na capital.
Desde a sua chegada a Porto Alegre, foi direto trabalhar em um estaleiro e nunca mais largou o serviço.
Atualmente, aos 41 anos, conseguiu experiência o suficiente para trabalhar sozinho em seu próprio estaleiro, localizado na estrada do Lami.
“Vim para Porto Alegre com o intuito de ficar apenas uns 30 dias, mas nunca mais voltei a São Lourenço”, lembra.
Com o passar do tempo, Pedro foi adquirindo um carinho muito especial pelo ofício. “O que mais gosto de fazer são barcos para pescaria, pois vejo que meu trabalho está ajudando outras pessoas a ganharem a vida”, comenta.
Contudo, há momentos em que se desgasta muito, como quando tem que restaurar a estrutura do barco.
“É muito ruim quando percebo que o barco está com a estrutura dele estragada, ou, como digo, com as ‘costelas podres’ pois o serviço é muito maior”, afirma Pedro.
Como trabalha sozinho, tenta consertar um barco de cada vez. Atualmente ele se encontra com três: um que é o que está restaurando, um outro que está esperando para ser “atendido” e um terceiro que tem apenas que fazer alguns reparos.
Trabalhando por encomenda, Pedro conta que há clientes que levam o projeto e a madeira para que ele se preocupe apenas em construir o barco.
“Entretanto eu já havia feito um projeto e, a partir dele, me baseio para fazer os outros”, salienta.
Considerando um trabalho diário e árduo, que vai das 7h30min até às 12 horas e das 13 às 22 horas, um barco, para ser feito, demora de 21 dias a 1 ano e 8 meses. “Depende do tamanho e da estrutura que deve ser montada”, explica.
O que mais demora, segundo o carpinteiro naval, é a pintura, o lixamento e a passagem de verniz.
“Tem dias que tenho vontade de arrancar meus cabelos”, brinca.
Mas, por outro lado, a atividade que faz exige um olhar crítico do profissional. Tem que saber como reformar o barco, qual o defeito do mesmo, ou, como dizem, ter um certo “feeling”. E isso, após muita experiência, Pedro já conseguiu desenvolver.
O excesso de trabalho, em um mundo onde há cada vez mais desempregados, não o atrapalha. Ao contrário, é sinal de boa qualidade no serviço.
Se depender de Pedro, não largará mais essa profissão. “Pretendo continuar até quando tiver força de levantar um martelo”, conclui sorrindo.
Fonte:
José Fernando Alves ou "Pedro"
Telefone: (51)99 43 31 74
Equipe INEMA
Fonte:
José Fernando Alves Cidade:
Porto Alegre-RS Fotos: Ayumi Miyazaki Publicado: Claudia Juda dos Santos DATA: 09/10/2002
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