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Ricardo-tetracampeão gaúcho de jiu-jitsu

Confira a reportagem feita com Ricardo Reis Cypriano, lutador de jiu-jitsu há quatro anos e já tetra-campeão gaúcho na modalidade.

Quase todos os adolescentes têm um pouco de rebeldia em sua personalidade. É a época em que se deixou de ser criança, mas a fase adulta ainda está por vir. É quando começamos a entender um pouco mais sobre o mundo e seus problemas e os sonhos tão almejados já não fazem mais tanto sentido.

É quando passamos a observar o que até então passava despercebido por nós e isso nos deixa um pouco inconformados ou talvez até confusos. Algo totalmente compreensível, pois recebemos uma quantidade de novas informações muito grande.

Para conseguir ultrapassar este delicado período, as pessoas procuram os mais variados tipos de atividades. Uns começam a se interessar profundamente pelos estudos. Outros fazem Yôga para se acalmar. Há os que preferem a reclusão, na praia, com os amigos e um violão. E também existem os que procuram como alternativa a prática de algum esporte.

Acredito que estes formem a grande maioria, pois o leque de esportes possíveis a serem desenvolvidos é muito grande e as vanatgens que produzem em quem os fazem é bastante extensa.

Ricardo Reis Cypriano é um dos que pertencem ao último nicho. Sempre gostou de artes marciais e fez judô até aproximadamente os 10 anos de idade. Após este período, ele resolveu substituir o quimono e o tatame pelo calção e a bola de futebol.

Acreditem, ele sofreu mais contusões no futebol do que no judô!

Aos 18 anos, convidado pelos amigos a fazer jiu-jitsu, ele resolveu arriscar. Aquele velho estereótipo dominante de que esta era uma luta violenta não o assustou. “Eu já estava acostumado com o clima do judô, então não tinha muito problema em começar a fazer jiu-jitsu”, afirma Ricardo.

O único inconveniente adivinha de outra questão. Tão logo começou a lutar, teve que pagar o preço do esporte e passou a ouvir os comentários maliciosos e irônicos dos amigos mais próximos, principalmente os do serviço, que insistem em dizer que no jiu-jitsu os caras ficam se agarrando.

“O pessoal está sempre se arriando, mas não tem nada a ver e eu levo tudo na esportiva, é sempre na brincadeira mesmo”, conta Ricardo, que já está acostumado com estas brincadeirinhas.

Entretanto, nada que falavam diminuía o encanto que Ricardo sentia pelo esporte que havia descoberto. Passou a treinar todos os dias, de segunda a sexta-feira, chegando a lutar uma média de duas horas diárias.

Ele burlava os outros compromissos sempre que podia e fazia de tudo para conseguir conciliar todas as atividades desenvolvidas. Para se ter uma idéia, seu itinerário em um dia era o seguinte: das 8h às 17h, trabalhava; das 18h às 19h treinava na academia; das 19h30min às 22h30min, estudava e, às vezes, das 23h às 24h, voltava para a academia para treinar mais um pouco.

Não surpreendeu que três meses depois de tanto empenho, ele estava participando do seu primeiro campeonato: era um sul brasileiro. Apesar de ter perdido na semi-final, ele não se preocupou. “Havia participado só para conseguir experiência, para entrar no clima mesmo”, garante Ricardo.

Mas este era apenas o início de uma próspera carreira. Em 1999 começou a conquistar seus primeiros título e se consagrar como melhor lutador de jiu-jitsu do sul do país. (Abaixo segue relação completa de todos os títulos que já conquistou)*.

Dentre estes, os que mais o marcaram foi a conquista do campeonato gaúcho por quatro vezes e o título de campeão sul brasileiro recebido em 2001, no Rio de Janeiro.

Contudo, ele não hesita em salientar que a melhor experiência dentro do esporte foi a participação do campeonato mundial em julho de 2002 no Rio de Janeiro. Lá havia atletas do mundo todo, desde japoneses até norte-americanos.

Infelizmente o destino pregou uma grande peça a Ricardo e, ao invés de disputar com um estrangeiro, teve como seu primeiro e único adversário um brasileiro, mais especificamente um gaúcho, aliás, ele era até seu amigo, chegaram a lutar na mesma academia.

“Mas a experiência e as amizades que fazemos é o que mais importa. A gente sempre acaba crescendo, aprendendo novas posições, novas técnicas”, conforma-se Ricardo que acabou perdendo a primeira luta.

Ele conta que lutar em frente a um grande público propicia uma adrenalina muito forte, não só enquanto se está no tatame, mas também quando encerra a disputa. “É porque é necessário estar não só física, mas psicologicamente preparado”, ensina.

É por isso que, na academia, eles recebem aula também de um professor de psicologia esportiva que desenvolve um trabalho de mentalização que os ajuda no momento dos campeonatos.

“Nós fazemos uma meditação pensando em tudo o que rola no campeonato, nas pessoas que estão torcendo, na chegada no ginásio. É uma retrospectiva de tudo que poderá acontecer para quando chegar a hora estarmos bem preparados e tranqüilos”, revela Ricardo.

Ele, particularmente, se prepara cuidando da saúde, treinando muito, se concentrando nos treinos e utilizando muita técnica, pois, segundo Ricardo, a força é um complemento, mas a técnica é indispensável. “Acho que 70% da luta é técnica. Já consegui ganhar de pessoas mais pesadas que eu usando apenas o que aprendi", salienta.

Ele destaca que, após sua entrada no esporte, muita coisa mudou. “Melhorei minha auto-estima e me tornei mais confiante, reconhecendo meus próprios limites”, afirma.

Contando com o patrocínio do Ponto do Sarado, que é um bar que se localiza dentro da Academia do Parcão, Ricardo agora está em busca de outros apoios para conseguir se dedicar ainda mais e realizar seu grande sonho, que é o de se tornar professor de educação física e atuar em academias de jiu-jitsu.

“Quero passar aos outros o que já aprendi”, resume Ricardo Reis, que trancou a faculdade de administração de empresas quando já estava no 6° semestre para tentar passar em Educação Física. “Achei uma profissão o que eu realmente gostaria de fazer”, finaliza o rapaz que pretende praticar a “arte suave” (tradução para jiu-jitsu), enquanto estiver apto.

*Títulos já conquitados por Ricardo Reis Cypriano
Campeão 3º Copa Pegasus De Jiu-jitsu -1999
Caxias Do Sul/Rs - Cat.Pluma

Campeão I Copa Havana Café De Jiu-jitsu - 1999
Caxias Do Sul/Rs - Cat.Pluma

Vice Campeão I Copa Havana Café De Jiu-jitsu - 1999
Caxias Do Sul/Rs - Cat.Pena

3º Lugar I Copa Maha De Jiu-jitsu - 1999
Ginásio Prefeitura-São Leopoldo/Rs - Categ.Pluma

3º Lugar 1ºEtapa Campeonato Gaúcho - 2000
Colégio Ipa /Porto Alegre/Rs - Categ.Pluma

Campeão 2ºEtapa Campeonato Gaúcho - 2000
Sesc/Porto Alegre/Rs - Categ.Pluma

Campeão I Copa Universidade De Caxias Do Sul - 2000
Universide De Caxias Do Sul/Caxias Do Sul/Rs Categ.Pluma

3º Lugar I Copa Ação E Efeito De Jiu-jitsu - 2000
Ginásio Do Figueirense/Florianópolis/Sc Categ.Pluma

Campeão 3º Etapa Campeonato Gaúcho - 2000
Sesc/Porto Alegre/Rs - Categ.Pluma

3º Lugar 1º Campeonato Interno Ac.Mario Reis - 2000
Porto Alegre/Rs - Categ.Absoluto(S/ Limite De Peso)

Campeão 1º Campeonato Interno Ac.Mario Reis - 2000
Considerado Atleta Mais Técnico Do Camp.

Campeão 1ºEtapa Do Campeonato Gaúcho - 2000
I Copa Sesc De Jiu-jitsu/Porto Alegre/Rs Categ.Pluma

Campeão Gaúcho/ I Copa Sesc De Jiu-jitsu - 2001
Sesc/Porto Alegre/Rs - Categ.Pluma

Campeão I Campeonato Interno Winner Behring -2001
Eliminatória Para O Campeonato Gaúcho-2001 Porto Alegre/Rs - Cat.Pluma

Campeão I Campeonato Estadual Catarinense - 2001
Sesc/Florianópolis/Sc - Categ.Pluma

3ºLugar 1º Campeonato Sul-Brasileiro De Jiu-jitsu - 2001
Sesc/Florianópolis/Sc - Categ.Pluma - Faixa Azul

Campeão Ii Campeonato Brasileiro De Estreantes-2001
Iate Clube Jardim Guanabara/Rj - Categ.Pluma -Faixa Azul

2ºLugar 1º Copa Empório Diet De Jiu-jitsu - 2001
Colégio Ipa/Rs - Categ.Pluma - Faixa Azul

Fonte:
Ricardo Reis Cypriano
Equipe INEMA

Fonte: Ricardo Reis Cypriano
Cidade: Porto Alegre-RS
Fotos: Ricardo Reis Cypriano
Publicado: Patrícia Mallmann Garcia
DATA: 10/01/2003 <%insert_data_here%>

 

 

 

 

Ricardo no primeiro lugar do pódio

Ricardo à direita

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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