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Bia Boleman e Rudi Wiestbauer

Conheça um pouco sobre esse casal multi-aventureiro e suas andanças por aí…


A aventura está para Bia Boleman assim como um gene está para o corpo humano – algo inerente, arraigado e que muitas vezes até passa desapercebido.

Mapear sua trajetória pelo fantástico mundo das aventuras terrenas parece tarefa impossível. Ela mesma diz nunca ter pensado em ser uma aventureira ou algo que o valha - simplesmente nasceu vivenciando experiências desse tipo e prosseguiu vivendo de acordo com o que lhe dava vontade.

“Meu pai é nômade, descendente de cigano, passou a vida no meio do mato acampando”, conta ela, que apesar de ser natural de Ijuí (RS) também já morou em Santa Catarina, Mato Grosso e hoje vive em Porto Alegre (RS).

Contudo, mesmo despropositalmente, Bia (46 anos) é uma aventureira – e das mais atuantes. Basta entrar em sua casa – onde vive com o marido e parceiro de viagens Rudi Wiestbauer (53 anos) – para perceber que ela já andou por muitos lugares peculiares e exóticos.

Dezenas de fósseis de animais, tanto recentes quanto extintos, adornam as prateleiras, máscaras tribais penduradas nas paredes recebem os visitantes com um olhar de soslaio e centenas de livros instigam quem se aproxima da estante.

Trocar uma idéia com Bia é muito pouco, uma tarde inteira de conversa também não é o bastante – histórias e experiências para contar são o que não faltam na cabeça dessa mulher que um dia chegou a fazer as malas para ir morar no México só pedindo carona.

Isso mesmo, e ela só não consumou o ato porque, literalmente, o amor bateu a sua porta. Era a época que morava em Floripa, em uma república de estudantes, e cursava arquitetura, um dos vários cursos que fez e acabou não concluindo.

Bia conheceu Rudi e desistiu de ir para o México, mas não deixou de viajar por aí nos mesmos moldes de quando acampava na infância ou de quando saía pelas estradas e aeroportos atrás de caronas, no melhor estilo beatnic. Disso tudo, ela só abandonou as caronas.

A primeira trip do casal aconteceu em 1981, quando viajaram pela América Latina percorrendo 7 mil Km em 45 dias de estrada. Desde então, os álbuns de fotografias só engordaram e as experiências culturais se multiplicaram.

Nada de pacotes turísticos ou trajetos religiosamente planejados. O que interessa à Bia e a Rudi é exatamente o imprevisível, o que pode acontecer e muitas vezes mudar todo o curso de um passeio. Chegar perto da população local e desbravar lugares desérticos, primitivos e pouco conhecidos é a principal idéia.

Nesse sentido, já passaram diversas vezes pela América do Sul, Central, África e Europa e, inclusive produziram quatro vídeos relacionados ao windcar (carro à vela), sendo três deles no litoral do RS e um na Bolívia.

Sobre os feitos dessa dupla implacável, ainda dá pra destacar as vitórias que batalharam em campeonatos de esportes radicais. Em 1996, Bia foi campeã de resistência no carro à vela e em 2001 conseguiu vencer o primeiro torneio sul-americano desse esporte mesmo sendo a única mulher da competição.

No mesmo campeonato, Rudi conseguiu um quarto lugar, e além disso, tem em seu currículo uma vitória no Rally dos Pampas de 1989 (jipe) e no primeiro enduro de moto organizado no RS – lá em 1970.

E eles não sossegam – já construíram um veleiro em casa, que demorou oito anos para ficar pronto e rendeu boas viagens pela costa brasileira e caribenha. No ano de 2001 inauguraram a Dunas e Ventos – empresa de turismo de aventura – e, agora, estão com um projeto muito legal em andamento.

Em maio de 2003 estarão novamente nos Andes captando imagens para o quinto vídeo – Desafio nos Andes – o qual não mostrará apenas o windcar, mas também escalada e cavalgada, além de algumas curiosidades locais (veja o link ‘Desafio’).

Bia é apaixonada por produção: “Se pedirem para eu conseguir um elefante para hoje à tarde e vou atrás e ainda achar o máximo”, conta ela, divertindo-se.

Sobre os esportes, atualmente ela se diz uma fã daqueles que exigem resistência do corpo, como o trekking e escalada.

“Quando estava na Bolívia, em 1996, aprendi a caminhar e a respirar de verdade. O guia local me disse que eu fazia tudo errado – subia correndo e descia bufando. O correto é fazer qualquer coisa sem mudar a respiração – quando aprendi isso, a minha consciência de corpo aumentou muito”, ensina.

Vencendo as fronteiras das rodovias, saudando a natureza, desfrutando do “silêncio esmagador” das cordilheiras - como ela mesma define o lugar que afirma ser capaz de viver o resto da vida – e tentando entender a cultura própria de cada terra, Bia parece ser uma dessas pessoas que vive em constante aprendizado com o mundo.

“Hoje nosso sonho é só viajar”, pontua ela, com uma simplicidade absolutamente grandiosa.

Fonte:
Beatriz Boleman
Equipe INEMA

Fonte: Beatriz Boleman
Cidade: Porto Alegre-RS-Brasil
Fotos: Beatriz Boleman
Publicado: Patrícia Mallmann Garcia
Date: 10/12/2002 <%insert_data_here%>

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
  Evento 1098 - Desafio nos Andes

   Aqui os Albuns e Fotos



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