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Eis a grande aventura realizada por Johann Maldaner e Elisabeth Adams que saíram de navio da Alemanha em 1855 com destino ao Brasil. Atualmente, a cada dois anos, a família toda se encontra para festejar esta façanha.
O ano de 1824 foi de grande expectativa para o povo alemão mais empobrecido. Inconformados com a vida que estavam levando em sua terra natal, eles estavam preparados para mudar. Não queriam mais continuar na mesmice e na falta de atenção com que eram tratados.
Foi quando o Imperador brasileiro, casado com uma princesa alemã, liberou a entrada de imigrantes da mesma raça que sua esposa no extenso e ainda não habitado território brasileiro.
Impulsionados pela sede de mudança e crendo que aqui, no Brasil, país de tantas belezas naturais, iriam conseguir um futuro diferente, muitos alemães embarcaram em um navio para a viagem que daria um novo rumo a suas já cansadas vidas.
Como a viagem era extensa e não oferecia um bom grau de higiene, nem de saúde aos passageiros, muitos alemães não resistiram e acabaram tendo seus corpos sepultados no fundo do mar, sem nem ao menos um sepultamento digno.
Os que não puderam contar suas histórias e passar seu legado de vida aos descendentes, serviram de história aos que sobreviveram. Uma história triste, sofrida, de um povo que teve que deixar sua terra em busca de melhores condições de vida.
Assim que embarcaram no navio com destino a um país desconhecido, os alemães foram enviados para o Rio Grande do Sul por ordem do imperador, mais especificamente em São Leopoldo, chegando a primeira leva no dia 25 de julho de 1824.
"O Imperador deu algumas terras para eles, que eram, na maioria, agricultores, para que eles a desbravassem", explica o Bispo de Frederico Westphalen, Bruno Maldaner, profundo conhecedor das raízes da família que leva seu sobrenome.
Assim, a cada ano o número de alemães aumentava consideravelmente. Em 1855, entre os muitos imigrante que estavam vindo ao Brasil com intuito de viver mais dignamente, estava um casal que enfrentou todas as intempéries da longa viagem para recomeçar uma nova vida.
Este casal se chamava Johann Maldaner e Elisabeth Adams que levaram consigo seis filhos pequenos. Eles saíram do norte da Alemanha, da aldeia Korweiler dentro da cidade Trier, que, diga-se, mantém-se inalterada ainda hoje, inclusive a casa onde morou o casal Maldaner, para se aventurar em um outro continente.
Eram pessoas muito pobres que foram levadas pelo destino até a pequena cidade localizada entre Dois Irmãos e Novo Hamburgo. "Estamos procurando o local exato onde viveu os primeiros Maldaner, mas ainda não o encontramos", salienta o Bispo Bruno Maldaner.
No sul do Brasil, Johann e Elisabeth tiveram outros cinco filhos, totalizando uma enorme família composta por uma prole de onze saudáveis filhos que ajudavam os pais no árduo trabalho de cultivo da terra.
A partir daí a família Maldaner deu um novo início a sua vida em uma terra desconhecida, mas acolhedora, que lhe trouxe alegrias e tristezas, sorrisos e lágrimas, sonhos e ilusões.
Muitos ciclos iniciaram e finalizaram, contornando o movimento da vida, fazendo dela uma luta constante, uma conquista constante. Dos onze filhos, foram geradas mais e mais crianças, espalhando o nome Maldaner por toda a região.
De predominantemente agricultores, foi nascendo o domínio para outras atividades, como as relacionadas ao comércio, à saúde, à política, à educação, ao sacerdócio, à construção civil, à informática, dentre tantas outras.
"Foi lá que nasceu e se plantou o pequeno grão que germinou, cresceu e deu tantos bons frutos", comenta o Bispo Bruno Maldaner, que não nega o quanto deve ter sido difícil o início do casal Maldaner. "O começo foi muito sofrido, mas eles venceram e conseguiram superar os desafios através da fé, da comunhão, do respeito entre a família, da hombridade e do espírito desbravador", afirma o Bispo.
Passados 148 anos, o número de descendentes da família é incontável e se dissiparam tanto pelo Brasil quanto fora dele. Há representantes da família Maldaner no Paraguai, Uruguai, Argentina, São Paulo, Brasília, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso do Norte, dentre outros.
Para não perder os laços com os parentes, mesmos os mais distantes, os Maldaner fazem uma reunião familiar a cada dois anos em um local diferente. No segundo encontro, por exemplo, que aconteceu na cidade de Selbah em 1997, conseguiram reunir dois mil integrantes da família, confraternizando ao som de muitas músicas e comilanças tipicamente alemãs.
Agora já estão na quarta edição desta enorme festa e tudo indica que continuarão a organizá-la até o dia que puderem, enquanto tiverem forças para isso.
O sentimento predominante nesta confraternização pode ser definido pelo que o Bispo declarou. "É um sentimento de gratidão pelo que eles foram e fizeram por nós", resume o Bispo Bruno Maldaner.
Para ele, essas reuniões feitas com freqüência faz um bem enorme aos que comparecem no encontro. "No homem moderno ainda existe essa procura pelos antepassados. Temos ainda muito adereço pelas nossas raízes religiosas, culturais, pelos nossos costumes, tradições, origens e hábitos", expõe o Bispo.
Nada mais natural no ser humano do que essa busca pelo desconhecido que faz parte do seu passado. É por isso que a família Maldaner pretende manter unidos os laços que um dia a distância e o destino tiveram que romper, servindo, portanto, de exemplo, as muitas famílias que hoje encontram-se dispersas pelo mundo.
Fonte:
Bispo Bruno Maldaner
Equipe INEMA
Fonte:
Jones Fernando Maldaner Cidade:
São Martinho-RS-Brasil Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Nei Eugenio Maldaner Date: 13/01/2003
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