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A região da Serra da Canastra possui inúmeras estradinhas de terra, que dão acesso a numerosas cachoeiras e paisagens incríveis. Portanto, um local especial para cicloturismo, tanto dentro como fora do Parque Nacional.
Viajantes: Rodrigo Telles e Eliana Garcia, do Clube de Cicloturismo do Brasil
Os principais atrativos da Serra da Canastra são a nascente do Rio São Francisco e a fauna típica de cerrado, que com sorte se consegue avistar (ema, lobo guará, tamanduá-bandeira, veado campeiro e outros).
Há uma teia de estradas de terra que chegam ao Parque, mas nenhuma delas consegue evitar as subidas.
Nosso objetivo era, saindo de Franca, passar por Delfinópolis, atravessar a Serra da Babilônia, cruzar a toda parte alta do Parque Nacional e voltar pela Serra das Sete Voltas. Haja serra!!!
Delfinópolis nos encantou e assim por lá paramos vários dias.
Largamos a carga e rodamos com as bicicletas vazias, conhecendo as cachoeiras que brotam em cada canto dos morros.
De lá, seguimos para o trecho mais interessante de toda a viagem: a Serra da Babilônia. O lugar é bem desabitado, passamos três dias quase sem ver ninguém.
Num destes dias, não passou nem um único carro por nós (se passasse teria que ser um jipe para poder vencer os imensos degraus da estrada).
A paisagem é fantástica. Pedalávamos pela crista da montanha, tendo a visão de um vale e outra serra mais adiante, de ambos os lados. Pra completar, no fundo dos vales corriam rios com cachoeiras.
Aqui foram surgindo cada vez mais oportunidades de ter contato com pessoas locais. Em todas as fazendas que passamos fomos muitíssimo bem recebidos, e sempre éramos mineiramente convidados para um cafezinho:
“Mas ceis tão animados dimais, sô! Passa pa dentro, vamo tomá um cafezin”.
Invariavelmente o cafezinho era acompanhado do delicioso queijo canastra, típico daquela região, e também por uma boa prosa.
Claro, tudo tem seu preço e o nível de dificuldade foi bem alto. Só pra citar alguns desafios: as subidas além de longas eram impiedosas.
Tinha muito areão em vários trechos, onde tivemos que empurrar a bicicleta.
Detalhe, os dois empurrando uma bicicleta de cada vez. É um exercício de paciência acima do exercício físico.
Outro problema é que tínhamos que levar muito peso em água, já que havia poucos pontos pelo caminho.
Deixando para trás a Serra da Babilônia, tomamos o rumo da Serra da Canastra. Várias vezes quase tomamos o caminho errado, pois não passava ninguém para dar informação e as bifurcações são muitas.
Já de longe, se descobre o porquê do nome Canastra. O desenho da serra é mesmo como um imenso baú. De lá de cima despenca o rio São Francisco numa cachoeira que pode ser avistada a quilômetros de distância: a Casca D’anta.
A água percorre 180 metros de queda livre e cai numa grande piscina natural.
Um banho de água gelada revigora até a alma!
Foi divertido chegar na guarita em silêncio e abrir a porteira devagarinho. O guarda parque se assustou, pois sempre espera o barulho dos carros antes. Nesta parte baixa da cachoeira existe o único local permitido para camping no parque.
Ali ficamos uns dias parados para fazer a manutenção do equipamento e das bicicletas (que estavam cobertos de lama da etapa anterior).
Aproveitamos também para fazer a pé, a trilha que leva para a parte alta da Casca D’anta.
Retomando nossa pedalada, contornamos a canastra e chegamos a São Roque de Minas. Vale a pena fazer uma visita ao escritório do Ibama no centro da cidade.
Fomos muito bem atendidos e recebemos orientações e informações importantes.
A subida até a portaria do parque tem 7km e é muito íngreme.
Aceitamos prontamente uma carona na caminhonete do Ibama quando estávamos na metade do caminho.
Como não é permitido acampar nesta parte alta do parque, desviamos um pouco nosso trajeto até a portaria de São João Batista (um pequeno vilarejo) e passamos a noite lá.
Em cima da serra o relevo fica mais ameno e o visual se estende pelos campos de altitude.
Mas, nesta vegetação de campos, com poucas árvores, ficávamos totalmente expostos ao sol, ao vento e à chuva, que, aliás, caiu bem fora de época, em plena seca.
O dia seguinte rendeu a mais longa pedalada da viagem. O relevo incrivelmente plano e a estrada boa descontaram todas as penúrias das subidas e erosões passadas.
Depois de cruzar o parque em toda sua extensão, atravessamos uma interminável plantação de pinus (que nos fez tremer só de imaginar o que seria da Serra da Canastra se não fosse uma área protegida).
A descida, agora, foi pela Serra das Sete Voltas, que tem esse nome devido ao zigue-zague formado pela estrada de terra.
Consumimos nosso último filme num acampamento com vista para o vale e para outras serras, além do pôr-do-sol mais bonito da viagem.
Lá embaixo, o Rio Grande, divisa de Minas Gerais e São Paulo, já nos mostrava o caminho de casa, de onde havíamos saído duas semanas e 500km antes.
Apoio: Physis Cultura e Ambiente
Fonte:
Clube de Cicloturismo
E-mail: clubedecicloturismo@hotmail.com
Fonte:
Clube de Cicloturismo do Brasil Cidade:
Serra da Canastra-MG Fotos: Clube de Cicloturismo do Brasil Publicado: Patrícia Mallmann Garcia DATA: 14/01/2003
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De volta pra casa, cansados e felizes
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Túnel de Árvore, chegando em Delfinópolis
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Represa de Furnas
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Por do sol na represa de Furnas
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Cachoeira do Claro, Delfinópolis
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Isolamento na Serra da Babilônia
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Tradicional miojo a jato
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Cidade de Pedra - Serra da Babilônia
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Flor do Cerrado
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Cidade de Pedra - Serra da Babilônia
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Atravessando a Cidade de Pedra - Serra da Babilônia
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Cachoeira Casca d’Anta, Parque Nacional Serra da Canastra
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A montanha em forma de canastra, que dá nome ao parque
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Inverno seco na Serra da Canastra
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Por do sol na Serra das Sete Voltas
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Pica pau do Campo
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Reflexo nas águas do Rio São Francisco, ainda pequeno e transparente
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Enfrentando o sol e a poeira nas estradas de Minas Gerais
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