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Alfio Vegni Júnior decolou de Sapiranga, aproveitou o tempo bom e foi parar em casa, em São Leopoldo.
Todo voador tem um sonho a realizar no que diz respeito ao vôo. Uns querem ultrapassar limites, outros querem voar sobre determinada cordilheira ou em alguma cidade. O Sargento queria apenas voltar para casa, pelo céu, com seu paraglider.
O domingo, dia 5, amanheceu com um lindo céu azul e com a presença de algumas nuvens, anunciando que havia termais no caminho. Alfio, atual vice-campeão gaúcho, não perdeu tempo e em seguida pegou o carro rumo a Sapiranga. Pequena parada para o almoço, mas o olho ficava no céu e o pensamento em como seria seu vôo.
A decolagem aconteceu sob um sol forte e um calor quase que insuportável. Mas, a tensão em cima da rampa era grande. Os pilotos tinham que aguardar o momento certo. Alguns pilotos, no ar, alcançavam tetos muitos altos, entretanto, havia outros que pregavam para o pouso oficial rapidamente.
O Sargento decolou às 02h30min da tarde. No primeiro momento ficou baixo e o resgate já começou a se deslocar para o pouso. Porém, o piloto, que já foi campeão gaúcho em 2000, conta com 6 anos de experiência e em seguida foi atrás de uma termal que o levou a um teto de 1.480 metros.
Seu primeiro pensamento foi ficar voando por cima de Sapiranga e fazer uma espécie de prova, com pilão em cima da escola do Flavinho. Mas, o que ele não contava era que as termais não paravam de aparecer e o vôo estava ficando cada vez melhor. Foi então que o Sargento se lembrou da sua vontade em voltar para casa voando. Mas, ele não tinha nem rádio para informar ao resgate a direção para onde estava indo.
Mesmo assim, seguiu o rumo para São Leopoldo. O máximo que poderia acontecer era pousar perto do pedágio, e quando chegasse ao chão bastava ligar para o resgate que em seguida iria buscá-lo.
O tempo parecia que estava querendo ver o sucesso e a alegria do piloto. E em poucos minutos, depois de muitas termais, ele cruzava o céu da Feevale. Se estivesse com o rádio ligado, todos poderiam escutar seus gritos de alegrias. Mas, era pouco, o objetivo era ir para São Leopoldo.
Entre as cidades de Sapiranga e São Leopoldo, Alfio Junior fez uma escala em Novo Hamburgo. O objetivo era pegar mais algumas termais que garantissem um teto bem alto, que o levaria de volta para casa. Com o objetivo cumprido, teto de 1.635 metros, o único destino era São Leopoldo.
Partindo em direção ao município, tudo parecia um sonho. Depois de 40 minutos, o Sargento já avistava o Ginásio, que fica há duas quadras de seu apartamento. A emoção era tamanha que não há palavras para descrever a sensação. Finalmente, depois de seis anos de vôos e aventuras, o sonho de voltar para casa de paraglider (e não de carro) havia se concretizado.
O único problema era achar um local apropriado para o pouso. E a solução foi voltar em direção a Novo Hamburgo. O pouso aconteceu em um descampado perto da Polícia Rodoviária Estadual na beira da BR 116.
Pés no chão, pensamentos na cabeça e adrenalina a mil pelo corpo, Sargento guardou seu equipamento e ligou para o resgate, que ainda o aguardava em Sapiranga, na sede da AGVL. No telefone, uma única frase saiu:
-Vem me buscar em São Leopoldo. Eu consegui, estou em casa.
Fotos:
Inema e Cris Penna
Fonte:
Cris Penna
Fonte:
Alfio Vegni Júnior Cidade:
São Leopoldo-RS Fotos: Alfio Vegni Júnior Publicado: Patrícia Mallmann Garcia DATA: 16/01/2003
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