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Equipe alagoana fica em terceiro lugar na famosa Regata Recife - Fernando de Noronha. O Voodoo bateu um papo com um dos tripulantes do barco Moana, Guilherme Paiva, que nos contou detalhes dessa aventura e falou sobre o prazer de velejar.
Voodoo - Quando aconteceu o evento e qual foi a colocação do barco? Esta foi a primeira vez que vocês fizeram a Regata Recife - Noronha?
- A largada da REFENO, como é chamada a regata Recife - Fernando de Noronha, aconteceu no dia 21 de setembro. Nosso barco chegou em 3º lugar em nossa categoria (multicasco C).
Essa é a minha primeira REFENO no meu barco, mas já participei duas vezes desse evento em barcos de amigos.
Voodoo - Qual a distância de Recife à Fernando de Noronha e o tempo que vocês gastaram para ir e voltar?
- A distância Recife - Fernando de Noronha é de 300 milhas náuticas, algo em torno de 555 km. Nesta regata os ventos não estavam favoráveis, fazendo com que o desempenho de todos os barcos fosse aquém do esperado. Nosso tempo foi de 56 horas. A regata é só de ida, na volta existem opções de correr uma regata direto para Salvador ou para Natal. Gostaríamos muito de ter participado da regata de Natal, mas não foi possível por conta do trabalho. Fizemos o percurso de volta em 42 horas, cruzeirando (velejando sem forçar o barco), paramos rapidamente em Recife e levamos mais 16 horas para chegar em Maceió.
Voodoo - Por quem era composta a tripulação do barco (cite além do nome, a idade e a profissão)?
- A tripulação do Moana era composta de 6 pessoas: Eu, Guilherme Paiva, 31 anos, Professor de Informática. Renata Paiva, minha esposa, 26 anos, arquiteta. Guilherme Araújo, 33 anos, Analista de Sistemas. Rostand Meira, 50 anos, bancário. Mário Engles, 46 anos, bancário. Roberto Buenos Ayres, 56 anos, aposentado.
Voodoo - Fale um pouco sobre o barco?
- O Moana é um Taaroa 900 fabricado em São Luís - MA. Trata-se de um catamarã (barco de dois cascos) de 30 pés (cerca de 9,14m) de cruzeiro, com três cabines, uma em cada casco e uma central. Na cabine central ficam a cozinha e uma mesa de refeições com sofás. Na cabine de boreste (direita) ficam o banheiro, um beliche de casal na popa (traseira) e um beliche de solteiro na proa (dianteira). Na cabine de bombordo (esquerda), ficam a mesa de navegação com alguns instrumentos (Rádio VHF, GPS, e Painel de Controle. Outros instrumentos como Piloto Automático e ecobatímetro ficam no convés), um beliche de casal na popa e um de solteiro na proa.
Voodoo - Haviam quantos participantes na sua classe?
- A classe multicasco C era composta de 6 barcos. Sabíamos que um deles era mais lento que o nosso, mas os demais não. Quando chegamos na ilha e soubemos da nossa colocação foi a maior algazarra a bordo.
Voodoo - Como sempre acontecem imprevistos e cenas incríveis (encontros com baleias) em eventos como este. Nos relate os momentos mais emocionantes da viagem:
Essa viagem que fiz foi a mais movimentada com relação ao aparecimento de animais. Logo na saída de Recife avistamos baleias Jubarte, que são bem comuns nessa época do ano, algumas horas depois avistamos uma arraia chita e no fim dessa tarde golfinhos fizeram evoluções durante uns 15 minutos na proa do barco. A noite, nesse mesmo dia, ficamos presos em uma rede de pesca, mas conseguimos nos livrar rapidamente sem maiores problemas. Nos dias seguintes avistamos golfinhos sempre ao amanhecer e entardecer e inúmeros peixes-voadores durante toda a viagem.
Voodoo - Nos dias em que vocês permaneceram na ilha, deu para curtir outros esportes, como o surf, mergulho, treking (caminhada)?
Nessa época do ano o mar em Noronha é FLAT total, parece a Pajuçara, não é possível surfar. O Treking é obrigatório se você quiser conhecer as belezas da ilha, em muitos lugares só é possível chegar a pé. Para quem curte bike o grande lance é pedalar pela ilha (economiza uma grana alta, pois a diária de um buggy é de R$ 160,00). Levamos nossas bikes no barco e fizemos muitas trilhas por lá, coisa que quase ninguém faz, desperdício total, pois o lugar tem muitas opções (é preciso ficar atento as restrições impostas pelo IBAMA, para evitar dores de cabeça e multas por invadir áreas de preservação máxima).
O mergulho em Noronha é sempre uma boa pedida. O mergulho autônomo é muito caro, mas vale a pena. Outra boa opção é o planasub (uma espécie de TOW IN submarino). Trata-se de uma prancha em formato de meia lua que fica amarrada ao barco por um cabo. Os mergulhadores são rebocados a uma velocidade de 1,5 nós (2,7km/h) podendo atingir rapidamente até 10m de profundidade com muito pouco esforço, o que faz prolongar o tempo de apnéa. O mais econômico é fazer mergulho em apnéa (mergulho livre), pois só é necessário o equipamento básico e caso você o tenha sai de graça. Optamos por fazer o mergulho em apnéa e como temos dois planasubs a bordo, aproveitamos para curtir essa modalidade também.
Voodoo - Existem planos para viagens mais arrojadas, para lugares mais distantes?
Sim, meu grande sonho é uma volta ao mundo com minha esposa. Mas isso não acontecerá de imediato, muita água ainda passará sob o casco do Moana antes de poder realizar esse sonho. Pretendemos conhecer toda a costa brasileira, destacando Abrolhos, Trindade e Martin Vaz, Atol das Rocas, Os Penedos de São Pedro e São Paulo e o Parcel de Manoel Luís.
Voodoo - Na visão de um leigo, o ato de velejar parece ser uma coisa ligada a tranqüilidade. Porém, numa regata como esta é necessário conhecimento e técnica para enfrentar as diversidades e os perigos do mar. Para você, velejar é um esporte de certa forma radical?
Essa questão é muito relativa. Apesar dos ventos contrários nessa regata, fizemos uma travessia bastante tranqüila, mas houve casos de barcos que tiveram o mastro arrancado e um catamarã (maior que o nosso) com a estrutura comprometida devido ao esforço sofrido durante o percurso (manutenção preventiva é fundamental). Eu poderia dizer que uma velejada radical seria aquela onde você leva seu barco ao limite ou próximo dele, dependendo do barco essas condições podem variar bastante. Ainda desconheço os limites do meu barco, mas já peguei uma tempestade no litoral Cearense que considerei prá lá de radical.
Voodoo - E como diria a música, "navegar é preciso". Como você se sente no mar?
É indescritível, tente imaginar que você pode viajar para lugares maravilhosos só com a força do vento, sem barulho de motor, em total harmonia com a natureza.
Voodoo - Quais as suas dicas para aqueles que desejam trilhar pelos caminhos do mar?
Para as crianças o ideal é começar no Optmist, aqui em Maceió existe uma pequena flotilha desses barcos, que chegam a realizar algumas regatas. Para os mais crescidos o ideal é começar com um laser, é um barco simples de velejar porém muito sensível, deixando o velejador mais afinado com a relação barco, vento e mar. A classe laser é a maior que temos no estado de Alagoas com velejadores muito bons, sempre existem competições e a maioria dos barcos ficam no Iate Clube Pajuçara.
Eu começei no hobie cat 14, que tenho até hoje. É um barco bem veloz e fácil de velejar, infelizmente a flotilha é muito reduzida e atualmente não existem regatas dessa classe em Maceió.
Aprendendo a velejar em barcos menores, fica muito mais fácil de ir para os maiores, o princípio é o mesmo. O segredo é ir adquirindo cada vez mais conhecimento prestando atenção nos velejadores mais experientes.
Entrevista: André Melo (Deco)
Fonte:
Voodoo Esportes Radicais
www.voodooesportes.com.br
Fonte:
Guilherme Paiva Cidade:
Maceió-AL-Brasil Fotos: Guilherme Paiva e Renata Paiva Publicado: Patrícia Mallmann Garcia Date: 27/02/2003
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