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2550 km pelo sul do Brasil. Confira o relato da viagem!
Participantes: Gilberto, Marlene na carona e a Drag embaixo dos dois.
Seguinte pessoal, eu marquei uns 10 dias para fazer uma viagem com a patroa, então saí de
Porto Alegre as 14 hs da 5ª feira dia 27/02/2002, sem destino fixo mas com rumo ao norte.
Os preparativos incluiram a troca do pneu dianteiro da moto que já estava gasto, troca do
óleo e revisão, a troca dos bancos por um conjunto mais confortável, sissy-bar com encosto
pra carona, bagageiro e uma trava de acelerador.
A bagagem foi em dois alforges laterais e uma mochila no bagageiro, roupa só o essencial,
ferramentas pra moto, câmara de reserva e spray de pneu e três guias 4Rodas.
Nosso plano inicial era subir a serra até Sta.Catarina, descer a serra do Rio do Rastro, pegar
o litoral em Tubarão e ir até o Paraná, conhecer as praias de lá, subir a Graciosa, e depois
tocar pro norte para conhecer o litoral sul de São Paulo e atravessar para Minas.
A saída foi em data e horário acertado, levei o filho João Pedro (6 anos) pro colégio de
moto, e na volta peguei a patroa, dei algumas recomendações pra filha Carmen (19 anos)
que ia ficar de xerife e partimos.
Serra Gaúcha:
Como a Drag tava bem equipada já deva pra sentir que a viagem ia ser agradável. O
pára-brisa dava a proteção necessária e os bancos pareciam poltronas. A moto subia a serra
com reserva de troque e não sentiu o peso que estava carregando, era uma delícia fazer
aquelas curvas sentindo o ar fresco da mata e deixando o calor que estava fazendo na
cidade.
Primeira parada na Tenda do Umbu, a 90 km de PA, esticar as pernas, acertar o roteiro e
seguir em frente.
Passamos por Caxias do Sul, abasteci em São Marcos e seguimos, depois Vacaria em
direção à fronteira de Sta.Catarina e Lages.
A estrada até Sta.Catarina (BR116) é pedagiáda, mas com isenção para as motos, bem
conservada e sem buracos.
Serra de Santa Catarina.
Em Sta.Catarina a buraqueira aparece, o tráfego de caminhões transportando maçãs é muito
grande e além dos buracos o meio de cada pista tem aqueles temidos cacurutos do asfalto
enrugado que são um perigo pra quem anda de moto.
Nesse trecho não tem pedágio e isso depõem contra a conservação, passei por dentro de um
buraco e bati o fundo do quadro da moto e a porrada afetou o meu freio traseiro, no hotel
revisei e tive que desentortar o encosto da regulagem que tinha saido do lugar, dois tocos de
madeira, um pra calçar e outro pra bater deram conta do recado.
Em Lages, onde chegamos as 19 hs, 353 km de viagem, ficamos em um hotel bom, jantamos
e ficamos descansando para sair na manhã seguinte.
Saimos de Lages em direção a São Joaquim por estrada excelente, pista simples mas sem
buracos, belas paisagens, vendo riachos e matas de pinheiros, ar fresco mas sol muito forte.
Cruzamos direto por São Joaquim em direção a Bom Jesus da Serra para descer a serra do
Rio do Rastro onde chegamos ao meio-dia.
Paramos no mirante antes da descida e dava medo olhar aquele buraco com uma estradinha
lá embaixo.É impressionante a engenharia da estrada, uma curva em cima da outra, muito
bonito. A paisagem lá de cima não tem explicação, só vendo, o sol queimava a pele de tão
quente que estava.
Tomamos uma cerveja no mirante e descemos...
Putz, que descida, tu começa a descer aquilo e não para mais de fazer curva, devagar que
prudência mandou avisar que vem subindo carro e caminhão lá de baixo, mas é bonito
mesmo, como eu disse antes, só passando lá pra ver.
Descida a serra passamos por algumas cidades e saimos em Tubarão para pegar a BR 101
em direção ao norte.
Litoral de Santa Catarina:
Passei direto por Floripa e Porto Belo, mas em Itapema entrei na cidade para pegar a estrada
do Estaleirinho que vai pela beira da praia até Camboriú (Laranjeiras), não tinha passado por
ali e o lugar é muito bonito, com várias entradas para as praias.
Optamos por ficar em Barra Velha que é pequena e não tem muito movimento, encostamos
a moto em um buteco da praia e pedimos cerveja com camarão no bafo (alho e óleo), tava
bom e deu pra matar a sede.
O pessoal que tava no bar olhava meio esquisito pra gente, sei lá, muito couro e calor
demais, ha, e minha mulher tava sem aliança, os caras pensaram que a loira era caso meu,
que tava com aliança.
Isso foi 6ª feira, a noite fiz um acesso ao forum no micro do hotel e não achei nenhuma
mensagem de resposta ao tópico da viagem que eu tinha postado, sem crise, vamos em
frente.
Passeamos pela noite na praia, tomamos umas cervejas de frente para o mar e já tarde fomos
ao hotel dormir e sairmos descansados na manhã seguinte.
Litoral do Paraná
Bom de manhã cedo notei que o meu celular não funcionava, saimos em direção a Joinville e
tentei alguém que arrumasse, negativo, paciência então é sem contato de chamada, só ligar
pra casa e ver como é que estão os pimpolhos.
Passando Joinville entramos em direção a Guaratuba para conhecer, muito bonito, orla cheia
de bares, mais umas cervejas pra aliviar o calor, uma pra mim, duas para a alemoa, o piloto
sóbrio o navegador não tinha problema...
De Guaratuba atravessamos de balsa e fomos em direção a Morretes conhecer a cidade e
pegar a famosa Estrada da Graciosa, cantada em prosa e verso pelos viajantes.
Demos uma olhada em Morretes e seguimos pela Graciosa.
Que estrada mais gostosa de andar, mata e mata por todo o lado, fresca e agradável, no
início retas curtas e depois só curvas no meio do mato, muito bonito, me arrependi de não
ter passado de novo quando voltei pro sul.
Subimos fazendo diversas paradas nos mirantes, tinha muita gente descendo em direção a
praia.
Tiramos algumas fotos e entramos na BR116 rumo Registro/SP.
Em São Paulo
A BR 116 até a fronteira com São Paulo está bem conservada, mas depois, é um horror pra
quem anda de moto. Buracos, depressões, asfalto ruim, desvios que surgem do nada, e pior
de tudo, uma baita pista duplicada e fechada andando do lado da gente sem poder usar, uma
bosta.
Melhora quando tu entra na duplicação.
Antes de Registro descemos para conhecer Iguape e Ilha Comprida, chegando lá em baixo
as 17 hs, por estradinha boa mas com algumas surpresas desagradáveis, como buracos e
uma parte sem asfalto (200 mts).Já em Iguape parei numa oficina onde haviam algumas
motos encostadas para pedir informação, e os caras começaram a conversar e botaram
cerveja na roda, não dava mais pra sair dali. Eles fazem parte de um grupo de discussão
chamado MotoBrasil, e na volta achei o site deles na internet mas depois vou olhar com
calma.
O Emerson, dono duma Kaena (motor VW) é gente fina e me disse que em abril eles vão vir
de lá pra Gramado/RS, vou ver se me encontro com os caras.
Bom, hotel de Iguape nem pensar, fui até a Ilha passando pela ponte e também não tinha
onde ficar, e como tava cansado acertei com a patroa de subir até Registro e arrumar um
hotel bom pra descansar, putz e tinha muita, mas muita gente mesmo por lá, pra quem tava
viajando de longe dava medo de ver o movimento.
Demos mais umas voltas atrás de algum motociclista conhecido e fomos embora com o
cansaço batendo forte, subindo a estradinha a 60 km/h sem stress, pianinho pra não correr
risco.
Paramos em Pariquera-Açu num posto de gasolina e tomamos umas cervejas olhando a
bagunça que o pessoal tava fazendo na praça, com um caminhão de som tocando música de
carnaval.
Em Registro arrumamos um bom quarto a beira da BR 116, banho e janta, depois sentados
na frente do hotel tomando a melhor cerveja de toda a viagem ficamos dando risada um com
o outro do tinhamos encarado, bem descontraidos, cumplicidade total.
A Volta
Ficamos em Registro no domingo, só descansando, a Marlene tava com a perna assada de
suor e calor da véspera, e o recolhimento foi muito bem vindo.
Segunda de manhã, estrada de novo às 7 hs pra fugir do sol. Haviamos decidido voltar pra
casa e botamos a moto a rodar.
Mesma estrada até Curitiba, dali resolvemos continuar pela BR116 pelo interior, mas
erramos a entrada e fomos parar na PR que vai para Ponta Grossa. Que burrada, eu tinha
parado no primeiro posto da estrada para tomar um café, e perguntei para um cara se aquela
estrada ia pro RS e se era a 116, o cara disse que era aquela mesma, e eu nem perguntei
mais nem olhei mapa, logo depoi me arrependi.
No primeiro pedágio estranhei e perguntei, a mulher da cabine disse que não, tava errrado,
então resolvemos ir até o Parque de Vila Velha e depois voltar.
Surpresa, o parque tava fechado, “em obras”, pqp, abri o mapa e fiz um caminho alternativo
em direção a Mafra/SC passando por estradas internas pra não precisar voltar a Curitiba.
Passei por Lapa antes de chegar a Mafra, cruzei três estradas diferentes antes de chegar a
116, depois me arrependí, devia ter voltado a Curitiba e pego a BR101, velha conhecida e
com mais recursos.
Interior de Sta.Catarina.
Entrei em Mafra para dar uma olhada na cidade e pegar um dinheiro no terminal bancário,
depois estrada de novo.
Abasteci a moto mais adiante e o clima começou a fechar, olhava pro sudeste e via
relâmpago.
Decidimos continuar e 10 km depois desabou o céu virado em chuva forte, paramos em uma
borracharia e colocamos as capas Pantaneiro, e seguimos misturados aos caminhões e
embaixo do maior dilúvio, e eu, dentro do capacete pensando que tinha sido muito bom
colocar aquele pneu dianteiro novinho.
Só chuva, buraco, caminhão e estrada sem sinalização, um terror, nenhum posto de gasolina
pra parar, parece que foram os 180 km mais longos da minha vida até Lages.
Em Santa Cecília passei direto por um quebra-mola (lombada) em frente à cidade, minha
mulher deu um pulo e quase caiu, a moto passou direto, as duas rodas no ar, sentou bem no
asfalto e deu pra segurar legal, só o pulso doendo, a patro disse pra tocar que tava tudo
bem, vamu em frente. Mas, vejo um carro piscando luz atrás e logo pensei que tinha perdido
algo, de fato, a bolsa que estava no bagageiro, amarrada no sissy-bar tinha caído lá no
quebra-mola.
Parei, agradeci e apertei a mão do cara, não é todo mundo que ajuda na estrada, gente fina.
Tudo amarrado vamos em frente, até Lages, parando de vez em quando, onde dava, só
chuva e buraco, agradeci mil vezes da moto ser estável e confiável, numa curva de serra
molhada e na escuridão que tu lembra disso.
Chegamos em Lages as 21 hs, pelo meu diario de bordo, 764 km depois de Registro, um
abraço mais forte ainda na parceira e muita risada com cerveja pra aliviar a tensão, o melhor
quarto disponível, banho, boa janta, mais cerveja e sono reparador.
De Lages a Porto Alegre.
Antes de sair de Lages ainda fomos olhar a cidade e depois pegamos a estrada rumo para
casa.
Descemos a serra para o Rio Grande pelo mesmo caminho da ida, sem sobressaltos,
tranquilo, e chegamos tranquilos e descansados pra matar a saudade dos filhos e de casa.
Não tem mais o que falar da viagem, é isso.
A Fernanda pediu para colocar a opinião da carona (minha mulher) e ela tá escrevendo,
depois coloco aqui.
Da Moto
Bom, para quem se interessa de saber do comportamento da Drag Star 650 numa viagem,
segue o relato abaixo:
Quilometragem rodada - Saída no odômetro 10967 km, chegada 13526 km, exatos 2559 km
rodados.
Consumo - Total de 165,68 litros (R$ 389,00), com média geral de 15,45 km/l. A melhor
tanqueada deu 19,53 km/l a pior 13,16 km/l, gasolina aditivada e sempre que possível em
posto de bandeira conhecida (BR /Ipiranga/Texaco), a pior média fiz com uma gasolina de
posto “marca-diabo” que fui obrigado a bastecer lá em Vila Velha.
Motor - Melhor impossível, sem vibrações, silencioso, com reserva de potência, torque
sobrando em qualquer rotação, um tesão de dirigir.Velocidade de cruzeiro tranquila em
110/120 km, mas o bom mesmo é andar à 100.
Suspensão - Excelente, macia e absorvendo muto bem o piso, durante toda a viagem só me
lembro de três ocasiões em que bateu no fim de curso, excelente em curvas só que tem que
fazer tracionando pra não raspar a pedaleira. O pneu traseiro absorve muito bem e agarra
nas curvas.
Conforto - Excelente para uma custom, modifiquei os bancos que estão maiores e mais
macios, largura do guidão boa e comandos a mão, lampejador de farol nescessário, não sei
como é que os caras não colocam em todas as motos.
Resumo, não quero outra moto para viajar, pelo menos até me apaixonar por outra.
Fonte:
Gilberto Matos Drag Star 650
Fonte:
Gilberto Matos Cidade:
Porto Alegre-RS Fotos: Gilberto Matos Publicado: Ayumi Miyazaki DATA: 11/03/2003
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