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A Oceânica Centro de Mergulho praticou três mergulhos exploratórios nos parcéis de Torres (RS). Confira o relato!
O transtorno e risco do deslocamento ao litoral de SC (480km de Porto
Alegre), aliado à curiosidade natural e ímpeto explorador que assola todos
mergulhadores, reuniu um grupo determinado de mergulhadores afim de explorar
águas misteriosas da costa gaúcha.
As histórias de um pesqueiro (zona de pesca farta) e as indicações da carta
náutica apontavam para uma afloração rochosa no meio do oceano, com grande
extensão (cerca de 5x10km) afastada cerca de 18nm da costa a partir da barra
do Rio Mampituba, separando o município de Torres do estado de SC.
Não seria o primeiro mergulho na região, mas há tempos ninguem visitava
aquelas águas.
Essa afloração de rocha sobressaindo do leito arenoso forma espécie de laje,
praticamente plana, com apenas 3m de altura, mas com muitas rachas, formando
pequenos "canyons" com larguras entre 40cm e 1,50m abrigando riqueza de vida
marinha.
O pescadores locais já conhecem o local e frequentemente pescam com redes ou
linhas sobre este parcel, exigindo atenção e sinalização do mergulho e da
embarcação, mas foi um deles que cedeu a embarcação e orientou para
navegarmos até o ponto de mergulho.
A logísitica foi especialmente montada para esse dia pela Oceânica, já que
não existe estrutura de mergulho no local. Todos participantes foram alunos
da escola, pois mergulhos exploratórios exigem entrosamento perfeito. O
mergulhador e bombeiro Marcos Pereira natural de Passo de Torres- SC
providenciou embarcação e marinheiro e monitorou as condições ambientais,
enquanto o Instrutor Henrique coordenou os demais membros, as recargas e
seleção dos equipamentos, além das fotos subaquáticas e a Divemaster
Patrícia registrou em vídeo.
O dia colaborou e pegamos mar de almirante com céu de brigadeiro, embarcando
as 7:00h de domingo. Depois de uma hora e meia navegando tranqüilamente,
houve tempo sufuciente para montageme e checagem de equipamentos, bem como
de um descanso nosol forte do verão. Quando o marinheiro acusou leitura no
GPS e eco-batímetro que atingimos nosso destino todos ficaram ansiosos e
rapidamente entraram n'água vencendo as amuradas altas de uma traineira de
pesca.
A água tinha temperatura excelente, 26°C nos computadores, sem ondas,
corrente ou vento. Todos usaram trajes tropicais, monoshorts ou jumpsuit
fino. Mesmo usando um cabo dedescida, os cinco mergulhadores desceram sem
problemas pela visibilidade de 30m. Ao cruzar a profundidade de 18m as
condições mudam, ocorrendo uma termoclina e uma haloclina, baixando a
visibilidade para 6m junto ao fundo e para 18°C a temperatura da água.
Fomos
recepcionados por garoupas grandes e médias, mas pouco habituadas a
mergulhadores e logo esquivaram-se. A riqueza de cores, o colorido das
esponjas e anêmonas, a abundância de blênios (nunca vi tantos) compensava a
perda de luminosidade e temperatura pela profundidade. Como os mergulhos
variaram de 26 a 30m de profundidade, o tempo de fundo reduzido a menos de
20 minutos evitou a perda excessiva de temperatura. Avistamos alguns
siphonophoros (similar a uma mãe d'água) na subida.
Depois de um intervalo com lanches e comentários retornamos para mais uma
dose de emoção, sendo que mudamos o ponto para outro 20 minutos mais
adiante. Desta vez repartimos o grupo em dois e nos dedicamos mais a
explorar os pequenos canyons e registrar a vida marinha em foto e vídeo.
Senti falta de equipamento mais completo, pois fotografei apenas como o
corpo da Motormarine II sem flash externo e algumas lentes especiais, pois a
embarcação e condições desconhecidas recomendavam algo mais enxuto.
Embora
sem avistar grandes animais ou cardumes numerosos, era fáci deparar-se com
garoupas e pargos (Sparídeos), muitos ermitões e outros cristáceos, mas o
mais encantador eram os enormes ceriantídeos.
No terceiro mergulho apenas o Instrutor Henrique e a Divemaster Patrícia
desceram para aoenas 15 minutos a mais de reconhecimento.
O retorno foi animado, mas logo todos renderam-se ao cansaço e aroma de
peixe da traineira procurando dormir em algum cantinho do convés. No exato
instante em que desembarcávamos, desabou uma forte chuva de verão, lavando
todo equipamento salgado.
Os planos daqui por diante são de aguardar o fim do inverno e retomar os
mergulhos na região, explorar novos atrativos locais e conferir os lendários
naufrágios da região, jamais visitados e muitos não localizados.
Dados das expedições de mergulho exploratório
A extensão do parcel atinge mais de 5km, numa distância média de 18milhas náuticas da costa.
Data: 03/fev/2003
Mergulhos: 03
Profundidade: de 26m a 30m
Composição do fundo: arenoso e rochoso (com cobertura de esponjas e coral encrostrante)
Temperatura da água: 26°C (até 18m) caindo aos 18°C no fundo
Visibilidade: 30m no raso caindo para 6m junto ao fundo
Correnteza: desprezível
Mistura gasosa usada: 21% oxigênio e 79% nitrogênio
Participantes:
Henrique Santos Jr. - Instrutor PADI
Patrícia Futuro - Divemaster PADI
Marcos André Pereira - mergulhador PADI/Corpo de Bombeiros
Cristina Uhrig - mergulhadora PADI
Natália Motosi - Mergulhadora PADI
Texto:
Henrique Santos Jr. - gerente
Master Scuba Diver Trainer 169980 - PADI
Fonte:
Oceânica Centro de Mergulho
F/Fax: (51) 3222-6871
E-mail: mergulho@oceanicanet.com.br
Fonte:
Oceânica Centro de Mergulho Cidade:
Torres-RS Fotos: Oceânica Centro de Mergulho Publicado: Daiana Ruff da Silva DATA: 02/07/2003
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