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Esquadrão do Asfalto no 7° Motorcycle-Parte 2

Confira a 2ª parte do relato de viagem de Luiz Almeida, que juntamente com outros integrantes do Moto Clube Esquadrão do Asfalto de Fortaleza (CE), participaram do 7° Motorcycle, em Campina Grande (PB)!

Sexta Feira, 10/10/2003

Chega a sexta feira. Café da manhã, e preparativos para fazer o passeio Anel do Brejo. Fomos cedo ao local do Encontro colocar a bandeira do nosso Clube. Como ainda estavam montando estruturas, paguei 10 contos a um camarada da obra para colocar a bandeira em local de destaque previamente escolhido. Bobagem. Quando cheguei à tardinha nossa bandeira estava largada no chão e o camarada sumido. Colocamo-la juntamente com a dos outros MCs e eu senti falta dos 10 contos... Quem manda ser preguiçoso?

Também levamos a Intruder do Murilo para a Suzuki. Estava com problemas elétricos, para variar. Aconteceu a mesma coisa em Martins-Rn. Ninguém enche a moto de luzinhas impunemente por muito tempo. A moto ficaria lá e ele faria o passeio na Hilux que é dele e da Graça, sua esposa, que dirigia com as Lagartixas.

Finalmente, conseguimos reunir a turma para fazer o passeio Foram tantas coisinhas antes da saída que só conseguimos pegar estrada mesmo lá pelas 11 horas. Como todo mundo dava um jeito de atrasar um pouco a saída, aproveitei para dar uma parada na Gran Moto, umas das revendas Honda do Sr Pedro Freire, presidente da Assohonda e motociclista amigão que sempre nos recebe com festa. Ele não estava, mas tomei um café e falei com os amigos balconistas, vendedores e mecânicos que sempre me atenderam muito bem.

É muito gostoso andar de moto nessa região. A brisa é fresca apesar do sol nordestino. A paisagem é deslumbrante mesmo fora do período de chuvas, onde o verde fica mais intenso. O asfalto é bom e temos muitas curvas entre subidas e descidas.

As cidades vão passando, próximas umas das outras: Lagoa Seca, São Sebastião de Lagoa de Roça, Esperança, ( cujo nome foi dado pelo Padre Ibiapina, guru de Antonio Conselheiro, ambos cearenses de Quixeramobim.) Remígio e depois de atravessarmos a Reserva Florestal de Pau dos Ferros, chegamos, por fim em Areia, cidade histórica onde outrora viveram os índios Bruxaxás e nasceu Pedro Américo, famoso pintor autor do conhecido quadro que registra o Grito do Ipiranga, dentre outros retratando momentos da nossa história. O casario antigo bem conservado dá o tom da cidade e para desgosto das motos Custom, o calçamento é de pedras toscas como antigamente.

Para quem gosta de cachaça, rapadura e música brega, em Areia há um festival anual da cachaça e da rapadura chamado Bregareia. Acontece no mês de novembro e é muito concorrido e animado. Basta adquirir a canequinha da festa para ter o direito de tomar todas!

Bar do Chifre. Era o local onde iríamos matar a sede. Ao chegar no pitoresco bar, já entro dizendo a senha: “aqui só tem corno!” E escuto uma voz lá de dentro recitando a contra senha de volta: “e chegando mais um!” Hahahahahah Somos recebidos pelo Sr Bastos, dono do estabelecimento cujas paredes são enfeitadas com dezenas de caveiras de boi pintadas de amarelo e com diversas inscrições de frases do tipo: “sou corno mas sou feliz” ou “melhor ser corno do que ser viado” e por aí vai. A música só sai em LPs e o repertório é Lupicínio Rodrigues, Nelson Gonçalves, Waldik Soriano, etc. O ambiente, apesar do tom de brincadeira, é familiar e respeitoso. Nos divertimos bastante lendo os tipos de cornos para cada data de nascimento, colocamos chapéus de palha com chifres para fotografar e fomos tomando cerveja tirando gosto com arribação (ave migratória comum no Nordeste) frita e piabas.

Terminamos a farra no bar do chifre, demos uma volta pela cidade e começamos a descida da serra em direção a Alagoa Grande, terra do nosso amigo Pacelli e do não menos famoso Jackson do Pandeiro. O asfalto estava perfeito e as curvas eram provocantes. O Marcelo desceu numa tocada forte com a Marauder e eu fui com a Popozuda acompanhando. Neste momento surgiu a questão; curtir as curvas ou a paisagem? Minha alma Custom optou pela paisagem que lembrava o sul de Minas com suas montanhas e vales.

Entra-se em Alagoa Grande por uma ponte muito antiga e estreita. A cidade é bucólica com pracinha e coreto trazendo um ar de início de século XX. Passamos direto, pois tinha um almoço programado em Campina Grande. Passamos por Juarez Távora, cidade em que os paraibanos homenageiam um cearense rebelde que participou de diversas insurreições, inclusive da Coluna Prestes. Sobre o Juarez, dentre tantas atribulações de uma vida de muitas lutas, conta-se que numa parada para descansar, no decorrer da Coluna, um urubu fez cocô e lá de cima acertou bem no rosto do nosso herói. Dizem que ele saiu correndo feito um louco gritando que estava cego. Deve ter sido uma coisa fedida de mais do que a gente possa imaginar...

Depois de Juarez Távora chegamos na BR 230 com suas pistas duplas e excelente conservação. A velocidade vai para 100 por hora (nas placas) e vamos tocando com vontade para não correr o risco de encontrar o restaurante que iríamos fechado, tal como ocorreu em Caicó. Passamos por Riachão do bacamarte e, por fim nos vemos de volta a Campina Grande. É muito bonita a vista de quem chega na cidade vindo de João Pessoa. O que dá pena é ver a nossa direita uma enorme estrutura de um grande hotel abandonada. Certamente coisa dos nossos honestíssimos políticos. Será que alguém teve prejuízo ali? Desconfio que só os nossos tão saqueados bolsos de contribuinte.

Beleza! O Pedro da Picanha ainda está aberto. São 3 horas da tarde e a fome está grande. Sempre levei os amigos e colegas de trabalho que foram à Campina a este restaurante. A casa é simples, mas nunca comi uma carne tão saborosa como a feita pelo Pedro. É o próprio dono do estabelecimento que cuida da churrasqueira. A carne – Picanha ou maminha ou carneiro – fica expostas para o cliente escolher. Como já sou antigo freqüentador, deixei com o Pedro a seleção e quantidade de maminha e carneiro para nossa mesa. Ele conhece bem do riscado: conta quantas pessoas há na mesa e dá uma olhada na cara de fome da turma para colocar a quantidade certa na balança. O acompanhamento é feijão de corda verde, arroz, macaxeira se derretendo na manteiga da terra, farofa e um vinagrete tradicionalmente sem vinagre. Vieram umas três travessas de carnes suculentas mais os acompanhamentos, mas mesmo assim desta vez o Pedro errou. Nossa fome se juntou ao prazer de degustar tão gostosa comida que a carne acabou quando eu imagino que ainda agüentaríamos comer mais. Agora bateu a tristeza. Juntando a cerveja com a barriga cheia, a melhor opção que temos é ir para o hotel dar uma boa descansada que a noite vai ser boa.

No hotel encontramos com Régio e o Luizinho assim que eles chegaram. Finalmente resolveram o problema da bomba de combustível da V-Max e concluíram a viagem de ida a Campina Grande. O Maia também chegou, depois de rodar perdido pelos sertões do Rio Grande do Norte e Paraíba. Ele veio de camionete rebocando sua V-Max e uma ZX11 de um amigo. Um mapinha bem que ajuda. A turma vai aumentando!

Lá pelas 9 da noite, mais descansados, fomos ao local do Evento. Tudo estava legal. Os velhos amigos aparecendo, a conversa que não tem fim, a cerveja bem gelada, as motocicletas por todos os lugares. O Show do Raul Seixas cover foi demais. Todo mundo se concentrou nas proximidades do palco e acompanhou aquelas velhas e conhecidas, mas sempre atuais músicas do saudoso Raul Seixas. Ficamos nessa brincadeira até as duas da madrugada, quando voltamos para o hotel. É, tinha que ficar comportado mesmo, afinal, as lagartixas estavam nos acompanhando...

Fonte:
Luiz Almeida

Fonte: Luiz Almeida
Cidade: Campina Grande-PB
Fotos: Luiz Almeida
Publicado: Débora Bresciani
DATA: 11/11/2003 <%insert_data_here%>

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