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International Six Days Enduro - Copetti

Aconteceu, entre os dias 3 e 8 de novembro de 2003, em Fortaleza (CE), o 78º Six Days. O jornalista Marcus Copetti esteve por lá e nos fala sobre o evento. Confira!




Imagine quase 400 pilotos de primeira grandeza no off road mundial competindo em cinco categorias. Imagine cerca de 35 países mandando seus melhores representantes do fora-de-estrada para uma disputa num só local. Imagine duas longas pistas de motocross (sem os saltos), uma com piso de areia e outra montada num vasto campo. Todo o trajeto, acima de cinco quilômetros cada pista, era delimitado por fitas plásticas. Só será preciso adicionar algumas trilhas compridas, de alta velocidade, mais inúmeros trechos de deslocamentos, e teremos uma pálida noção do que foi o 78º International Six Days Enduro (ISDE), realizado em Fortaleza/CE, entre 3 e 8 de novembro. O evento foi organizado pela quinta vez, desde 1903, fora da Europa, sendo que duas etapas aconteceram nos Estados Unidos e outras duas na Austrália. Aqui, a organização ficou com a Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM), ao lado do Moto Club Bergamo e Federação Internacional de Motociclismo (FIM).

CBM investiu US$ 500 MIL
no ISDE 2003


O International Six Days Enduro 2003 foi organizado pela Confederação Brasileira de Motociclismo, com apoio direto do Moto Club Bergamo e supervisão da Federação Internacional de Motociclismo (FIM). Era curioso ver o grupo de italianos, a maioria com idade próxima dos 50 anos de idade, comandando cronometragens, vistorias e tudo mais que envolvia a parte técnica do evento. Comunicativos, ganharam logo a afeição dos brasileiros que trabalharam com afinco para a realização das etapas. A CBM investiu cerca de US$ 500 mil nos últimos quatro anos, já que, para conseguir ser a sede deste evento, teve que participar com uma seleção principal por três edições seguidas. O Brasil correu na Espanha, França e República Checa, os três últimos países-sede. Já havia a experiência de 94, quando da edição dos Estados Unidos. Bernardo Magalhães, por exemplo, correu diversas etapas do Mundial, quando morava em Portugal, servindo de base para a convocação do time brasileiro de 2003.


Italianos dão as cartas na organização

Dava gosto ver os não tão jovens promotores italianos mostrando todo seu amor pelo enduro, com uma reconhecida competência na promoção das etapas. Um senhor, de aparência franzina e com quase 60 anos, sem camisa e de bermuda barata, começou a trocar palavras com um brasileiro, momentos antes do início da corrida. Em certo momento, tirou um cartão de visita do bolso, onde aparecia o logotipo de uma concessionária Ford, que tinha o mesmo nome que o seu. Ele é revendedor Ford na Europa e deixou tudo de lado, para trabalhar com os colegas do Club Bergamo, no dias de enduro. Outro, no Parque Fechado (onde ficavam as motos durante a noite) se vangloriava dos inúmeros títulos de seu motoclube. O último foi neste ano, através do Valentino Rossi. Outros foram conseguidos por Giacomo Agostini, etc.




Europeus são os melhores na modalidade
Outra curiosidade confirmada no ISDE 2003: enganam-se aqueles que pensam que os poderosos motociclistas americanos, tão superiores no motocross e supercross, mostram supremacia no enduro. Eles se contentam com as posições intermediárias, já que a briga pelo pódio acaba sempre entre finlandeses, suecos, belgas e italianos. Por final, a prova da dificuldade extrema do ISDE pode ser avalizada pela morte de Matt Bowden, um inglês de 37 anos, que faleceu de ataque cardíaco, no segundo dia, diante do calor extremo do Ceará e da exaustão gerada nessa Olimpíada das Duas Rodas. Outro testemunho dos rigores do ISDE veio de um piloto estrangeiro bem conhecido no Brasil. Rodnei Brazuca Smith, que era (e ainda é, para muitos) o melhor piloto de motocross no Brasil, na década de 70, foi apenas o 115º na classificação geral, embora seja atual campeão de enduro na América. O melhor americano acabou sendo Kurt Caselli, único entre os 15 primeiros da geral.

Uma nova cidade no Beach Park


A base do Six Days ficou no aprazível complexo Beach Park, cerca de 25 quilômetros do Centro de Fortaleza. Estacionados ao lado dos escorregadores e toboáguas, dezenas de containeres serviam de garagens, oficinas e alojamento para motocicletas de inúmeras marcas, com destaque para o grande número de motos KTM. A Husqvarna também se sobressaia, inclusive com uma equipe de brasileiros, contando com os gaúchos Erasmo Klering e Tiago Farias. Foi formada uma rua multinacional, com bandeiras em cada barraca, sinalizando a procedência. As vozes polifônicas, entremeadas do som das batidas metálicas das ferramentas, mostravam a babel fonética que dá o caráter universal do ISDE. Os diversos times abriram barracas diante dos containeres para fazer a manutenção diária. Somente os pilotos podem trocar as peças, cabendo aos mecânicos apenas orientar e adicionar gasolina e óleo lubrificante. Era indispensável um tapete ``ecológico´´ sob a moto, para absorver os líquidos desperdiçados. O local se tornou uma verdadeira babel, com línguas indecifráveis ao lado do francês, inglês ou alemão. Montanhas de pneus estavam estocadas, ao lado dos caminhões-tanque, que providenciavam a gasolina necessária e um emaranhado de sons e vozes reforçavam a grandiosidade do evento. No comando da distribuição do combustível estava outro gaúcho: Denglar Pires, presidente da Federação Gaúcha de Motociclismo, que optou por uma posição mais modesta, já que as temperaturas oscilavam em torno dos 40 graus, durante todo o dia.


Gaúchos fazem festa na terra do sol

A Agrale, que representa a marca sueca no País, aproveitou a corrida no Ceará para mostrar a nova geração de motos Husqvarna 100, modelos de 125 cc, 250cc e 450cc, comemorativas ao centenário da montadora. Além da fábrica, o Estado teve participação importante através de vários enduristas que foram até Fortaleza para colaborar no evento, caso do médico de Caxias do Sul, Evandro Parizzotto, mais Mauro Ovalhe, de Canoas, Helio Guedes e Sílvio Gasrke, ambos de Porto Alegre. Na busca de informações para os jornais do Grupo Editorial Sinos, de Novo Hamburgo, Marcus Copetti esteve nos três primeiros dias da competição, sendo o único jornalista gaúcho na prova. Vale destacar a atuação de Marcelo Salvador, proprietário da oficina M3, em Caxias do Sul, que atuou na parte de assistência das motos Husqvarna, ajustando todas as motos para o combustível nacional.

Fonte:
Marcus Copetti

Fonte: Marcos Copetti
Cidade: Fortaleza-CE-Brasil
Fotos: Marcos Copetti
Publicado: Daiana Ruff da Silva
Date: 12/11/2003 <%insert_data_here%>

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
  Evento 1574 - International Six Days Enduro

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