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Projeto Baleias e a Equipe.
No verão de 1994/95, quatro membros da equipe do Projeto Baleias participou da XIII Operação Antártica organizada pelo Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR). O objetivo daqueles estudantes era avaliar as possibilidades de se conduzir estudos de médio a longo prazo sobre as baleias na Península Antártica (região onde atua o PROANTAR), utilizando o navio da Marinha do Brasil como plataforma de observação. O foco principal daquele objetivo vinculava-se a conhecer melhor o(s) estoques(s) de baleia-jubarte que se encontrava(m) na região de estudo em função das necessidades norteadas pela Comissão Baleeira Internacional (IWC). Após dois anos, um projeto de médio prazo foi iniciado no verão de 1997/98 com uma equipe de, na época, 7 pesquisadores. A equipe atual é composta por 14 pesquisadores. Ao todo estes pesquisadores cobriram os verões da Operações Antártica XVI (1997/98), XVII (1998/99), XVIII (1999/2000), XIX (2000/2001), XX (2001/2002) e XXI (2002/2003).
Os principais objetivos desse projeto são:
1. Conduzir estudos sobre aspectos ecológicos da baleia-jubarte nas Ilhas Shetland do Sul e no Estreito de Gerlache situado na Península Antártica, com base na aplicação da técnica de foto-identificação. Com o emprego desta técnica pode-se obter informações sobre padrões de migração de alguns indivíduos quando se comparar os catálogos dos exemplares identificados nos Pólos e os outros identificados nos Trópicos. Pode-se também saber o período aproximado em que as baleias chegam aos Pólos, se há segregação de indivíduos na região com relação à idade ou ao sexo dos indivíduos, se os indivíduos estudados retornam ano a ano à mesma região indicando sua importância ecológica, se os indivíduos estudados residem nas áreas estudadas e por quanto tempo durante o verão, dentre outros aspectos. As fotografias batidas focalizam a porção ventral da nadadeira caudal das baleias-jubarte, que apresentam diferenças no formato e no padrão de coloração entre diferentes indivíduos. Vejam dois indivíduos diferentes abaixo. As fotografias são tiradas a partir do navio, assim como a partir de um bote inflável quando as condições de mar permitem que se desça uma pequena embarcação na água.
2. Conduzir estudos de genética populacional para melhor conhecimento dos estoques do Hemisfério Sul. Os estudos têm por base a coleta de biópsias de pele com a utilização de uma balestra. Uma pequena amostra de pele é coletada por um pequeno cilindro situado na ponta de uma flecha que é lançada pela balestra no dorso da baleia. A região do dorso apresenta um número pequeno de terminações nervosas e, por isso, torna-se o alvo principal das coletas de amostras de pele pelo mundo. A flecha bate no dorso do exemplar e uma estrutura da mesma chamada de stopper faz com que a flecha colete a amostra e caia na água, onde será recolhida pelos pesquisadores. As coletas de biópsias são conduzidas principalmente a partir de bote e raramente a partir do navio, quando é necessário amarrar um fio de nylon à flecha para recuperá-la após a coleta da amostra. As amostras coletadas são transferidas para uma solução salina e analisadas em Laboratório. Comparações com amostras coletadas em outros sítios de coleta, como por exemplo a região de Abrolhos no Brasil, poderão nos trazer informações mais detalhadas sobre as baleias-jubarte no Hemisfério Sul.
3. Conduzir estudos sobre a contaminação química das baleias-jubarte por compostos organoclorados. Esses estudos são realizados com análises de amostras de gordura que acompanham as amostras de pele coletadas nas biópsias. A gordura tem afinidade por compostos organoclorados que representam no mundo moderno uma das maiores fontes poluidoras dos ecossistemas naturais. Esses compostos são originados de produtos químicos altamente tóxicos como os inseticidas e as tintas utilizadas nos cascos de embarcações para evitar que cracas se aderem aos mesmos. As análises requerem a utilização de Laboratórios muito bem equipados e profissionais altamente gabaritados para fazê-las. Os resultados obtidos trazem um raio-X de como está a "saúde" dos nossos mares, já que as baleias são consideradas topo de cadeia alimentar e, tais compostos químicos, têm capacidade cumulativa, ou seja, eles não são degradados pelos outros componentes da cadeia alimentar que foram contaminados e passam de predador a predador até o topo da cadeia alimentar.
4. Conduzir estudos de estimativas de abundância da baleia-jubarte e de outras espécies de cetáceos nas Ilhas Shetland do Sul e no Estreito de Gerlache. Esses estudos são realizados a partir do navio e têm por base a aplicação de técnicas específicas de levantamento de dados populacionais demográficos. Ao menos duas técnicas têm sido utilizadas (taxas de encontro/Encounter Rates, e amostragem de distâncias/Distance Sampling).
5. Reportar todo e qualquer avistamento das espécies de cetáceo ao longo da área de estudos par fins de estudos sobre ocorrência e distribuição de espécies.
Em ordem alfabética seguem os nomes dos pesquisadores que compõem a equipe do Projeto Baleias/PROANTAR:
Alexandre Azevedo
Alexandre Zerbini
Cláudia Bethlem
Daniel Danilewicz
Eduardo Resende Secchi (Coordenador)
Fernanda Marques
Glauco Caon
Ignacio Moreno
José Laílson Brito Jr
Luciana Marta Möller
Luciano Dalla Rosa (Coordenador)
Manuela Bassoi
Márcio Martins
Marcos César de Oliveira Santos
Prof. Dr. Paul Gehard Kinas (Coordenador)
Paulo André Carvalho Flores
Paulo Henrique Ott
Fonte:
Projeto Atlantis Cidade:
Antártida-EX-Antartica Fotos: Marcos César de Oliveira Santos Publicado: Ayumi Miyazaki Date: 23/12/2003
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Fotos:Marcos César de Oliveira Santos
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