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Nos dias 13 e 14 de dezembro de 2003 aconteceu a 4ª Etapa do Circuito Venâncio Aires/ Folha do Mate de Rally Humano, a Corrida de Aventura: Caminhos da Serra, em Venâncio Aires (RS). A equipe Faccin Bicicletas esteve presente... Confira!
Antes da prova
Sábado dia 13, às 17h e 20 minutos eu e o Tiago saímos da loja em direção a Venâncio Aires. A semana tinha sido dura, devido ao horário mais esticado do comércio antes do natal, trabalhei mais de 12 horas em todos os dias. Trabalhei bastante e como conseqüência não pude treinar e nem me alimentar adequadamente neste período. Os outros componentes da equipe, Álvaro e Cristina, já estavam em Venâncio onde realizaram as tarefas programadas para o sábado à tarde.
Chegamos em Venâncio pouco antes das 18 horas, horário da reunião técnica com as equipes, depois seguimos para a praça central da cidade para a apresentação das equipes e entrega dos mapas e coordenadas da prova marcado para ser realizado às 20 horas. A organização da prova atrasou e esta apresentação só iniciou depois das 21 horas.
Pouco antes das 22 horas iniciamos o retorno a Santa Cruz do Sul, ou seja para nossas casas, onde havíamos combinado de passar a noite. Deixei os componentes da equipe cada um em sua residência e cheguei em casa depois das 22 horas e 20 minutos. Em casa tinha que tomar banho, jantar e cumprir o mínimo de minha obrigação de pai, contar historinhas para fazer o meu filho dormir. Trabalhei o dia todo como comerciante, depois me transformei em capitão da equipe de corridas de aventura e chegando em casa assumi por algum tempo a função de pai de família. Depois de varias historinhas o meu filho pegou no sono, eram ½ noite e 30 minutos e eu iniciei a plotagem dos mapas da prova. Foram 16 pontos a serem marcados, conferidos, medidos, re-conferidos e estudados para a prova.
Tive dificuldades por que, alem do sono, a cópia e emenda dos mapas apresentava alguns problemas, as distâncias entre uma linha e outra não estavam certas. Sorte que eu podia conferir em algumas cópias em preto e branco que eu tinha dos mapas da região. Estudei e medi cada ponto e as possibilidades até que achei melhor ir descansar pois já passava das 3 horas do dia 14, dia da prova.
Às 5 horas e 30 minutos levantei, fiz um lanche rápido e uma rápida conferencia dos itens na mochila e saí para recolher os componentes da equipe e seguir em direção a Venâncio Aires.
Chegamos no local da largada pouco antes das 7 horas e ainda fomos de carro fazer um rápido reconhecimento das ruas que teríamos que percorrer no inicio da prova.
Tudo pronto e 15 minutos antes da largada tive que realizar uma visita inesperada ao WC da praça da cidade, tive diarréia e isto não era uma boa noticia, mas melhor esquecer!
A Prova
Largamos correndo entre as primeiras equipes. Na seguna quadra eu comentei com o Álvaro que não estava me sentindo bem para a prova. O primeiro PC estava localizado atrás de uma olaria, aonde chegamos correndo na frente, mas algumas equipes entraram por outro portão fazendo um trajeto mais curto. Chegamos no primeiro PC, localizado a beira do Arroio Castelhano, em um local com muito barro, na terceira posição, mas as equipes estavam todas juntas!
PC-1 até PC-2: seguimos ao lado do arroio Castelhano em uma trilha com muito barro, muito escorregadia e com algumas travessias de valos cheios de água. Em uma travessia destas alguns conseguiram cruzar equilibrando-se em cima de um galho de arvore, mas eu preferi entrar na água suspeita do valo, só deu para lembrar de algumas doenças que poderiam ser adquiridas na água contaminada, mas acho que não era tão poluída assim. Pouco antes do PC- 2 ultrapassamos uma equipe e assinei a planilha com a nossa equipe na segunda posição.
PC-2 até AT-1: Logo depois do PC-2 fiquei atrapalhado com a nossa localização e perdemos uns segundos preciosos, o suficiente para sermos ultrapassados por várias equipes. Seguimos correndo e recuperando posições em estradinha e trilha com muito barro. Na subida antes do At-1 alcançamos a equipe Urutau de Porto Alegre que estava participando com a nossa amiga e companheira de equipe, por alguns minutos a equipe Faccin Bicicletas estava correndo com 5 participantes. Pouco antes do AT, ultrapassamos a equipe Urutau e no At ultrapassamos mais algumas equipes.
AT-1 até AT-2: percurso de aproximadamente 7 km realizado com bike. Seguimos pedalando rápido e cruzamos mais uma equipe, na estrada faltando aproximadamente 2 km para o At-2, ultrapassamos a equipe da Academia Movimento de Venâncio Aires, assumindo a primeira posição na prova. No At-2 fomos os primeiros a chegar e esta foi a primeira vez que chego em um ponto de alguma prova com a equipe nesta posição.
AT-2 até Pc-3: Este trecho de treking foi um dos mais difíceis da prova. Reiniciamos o treking em uma altitude de aproximadamente 100m e chegamos no PC-3, uma rampa de vôo livre a 448m de altitude. Este percurso realizamos caminhando rápido e correndo, e pouco antes do PC-3 fomos ultrapassados por uma dupla e no Pc estavam praticamente juntas as 3 primeiras equipes, sendo 2 na categoria Terra, a categoria principal.
PC-3 até PC-4: Longo trecho de treking por estradas, seguimos, quase sempre correndo, ultrapassando e sendo ultrapassados pela equipe da Academia Movimento que estava com uma grande vantagem sobre as demais. Chegava a ser suspeito, os componentes da Academia Movimento não utilizaram o mapa em nenhum trecho da prova e em alguns pontos cruzaram por atalhos que não constavam no mapa, mas afinal de contas eles estavam correndo em casa e nós que residimos preto do local não tivemos tempo para vir explora-lo. Alguns kilometros antes do PC-4, eu comecei a perder as forças, seria o cansaço da semana, o pouco descanso da noite anterior, a falta de treino? Não foi somente isto! Eu não consegui acompanhar a corrida da equipe Movimento e pela primeira vez eu fui o responsável por atrasar a equipe. Foi uma barra estar atrasando a equipe e saber que ali poderíamos estar deixando escapar a primeira posição na prova, mas a equipe, que é realmente uma equipe, me apoiou e seguimos caminhando rápido até o PC- 4 onde chegamos na segunda posição (na categoria).
PC-4 até At-3: Trecho curto de aproximadamente 2 km de treking.
Logo depois do PC-4, na subida, avistamos a equipe Servajão que estava chegando e não demorou para nos alcançar e ultrapassar. Neste ponto a Equipe Servajão parecia estar contando com um carro de apoio que veio em nossa direção e voltou para repassar informações sobre a nossa localização.
At-3 até PC-5: Chegamos no At-3 na terceira posição na prova e rapidamente iniciamos a pedalada em direção ao PC-5, um trecho de estrada geralmente a subir. Este percurso não era difícil, mas tive muitas dificuldades. Pela primeira vez tive câimbras enquanto pedalava ou realizava algum exercício, por duas vezes tive que largar a bike para fazer alongamentos.
PC-5 até AT-4 / PC-6: chegamos no PC-5 cinco minutos depois da equipe Servajão e aproveitamos para beber água na casa do morador próximo, reiniciamos a pedalada na forte decida até o PC-6, rapel. Na decida novamente tivemos diculdades: Eu tive novamente diarréia, estava desidratando, fiquei muito fraco, os meus braços estavam sem força para controlar a bike na decida, só pensava que queria terminar a prova. O Tiago que é diabético estava com hiperglicemia devido ao consumo de Carb-Up em excesso, perdeu muito liquido.
PC-6: quando chegamos no PC-6 a equipe Servajão estava saindo para continuar o mountain bike. O Álvaro e a Cristina fizeram o rapel e eu e o Tiago descemos até a base da cascata e retornamos com dificuldade para a parte superior. Aproveitei a rápida parada e bebi bastante água cedida pelo Luìs Leandro Grassel da Santaventuras, responsável pelos 2 pontos de rapel da prova.
Quando estávamos reiniciando o mountain bike a equipe ATAC estava chegando para o rapel.
PC-6 até PC-7: reiniciamos o mountain bike dispostos a recuperar a segunda posição. O percurso em sua maior parte a descer ajudava e andávamos muito rápido. Logo alcançamos a equipe Servajão que estava com um pneu furado e novamente estava contando com o seu carro de apoio, que não dava apoio logístico, mas simplesmente a sua presença com certeza já era um apoio moral a equipe.
Ultrapassamos e seguimos rapidamente até o pneu traseiro da bike da Cristina furar. Realizamos a troca da câmara em equipe e muito rápida, mas fomos alcançados pela equipe Servajão. Reiniciamos a pedalada e alcançamos a Servajão. Neste trecho da prova realizamos uma disputa emocionante e muito legal, as duas equipes estavam constantemente se ultrapassando e pedalando muito rápido, sempre a mais de 30 km/h na estrada com muita pedra.
PC-7 até PC-8: As duas equipes chegaram juntas ao PC-7 logo depois parei no local que deveríamos ter seguido para a direita, mas a Cristina e o Tiago seguiram a equipe Servajão e segui a informação de uma moradora seguindo na esquerda. Pedalamos na direção errada e depois de algum tempo paramos para pedir informação aos moradores, eu por sorte sabia o nome do camping/cascata onde seria realizado o rapel no PC-8 AT-5, mas as informações estavam muito desencontradas, cada morador informava uma direção diferente para se chegar ao mesmo local, estávamos em uma estrada que não constava no mapa fornecido, seguimos por uns 2 km até que pedi informação para o motorista de um Fusca que pareceu dar uma informação mais precisa e retornamos ao ponto anterior. Nesta hora cruzamos com a equipe Servajão que seguiu na direção oposta, caminho mais distante, mas por onde poderia se chegar ao mesmo local.
Chegando no ponto anterior eu resolvi pedir informação novamente, mas desta ver para um motociclista que pilotava uma moto Honda XL. Este motociclista resolveu nos guiar até o local e seguimos rapidamente atrás da moto, quando o pneu da bicicleta do Tiago furou e quase no mesmo instante encontramos a equipe ATAC que vinha no sentido contrário e seguiu as indicações do motoqueiro. A Equipe ATAC também estava na estrada errada, mas teve muita sorte porque não perdeu tempo procurando o caminho certo. Depois de realizado a troca da câmara seguimos as indicações e quando a Equipe ATAC estava saindo do PC-8 estávamos chegando no local.
PC-8 até AT-6: No PC-8/AT-5 conseguimos água com o morador, abasteci as garrafas, bebi muita água, ingeri glicose e alimento com sal, barra energética. Quando estávamos saindo do rapel a equipe Servajão estava chegando bastante abatida. No PC-8 perdemos algum tempo, mas podemos recuperam um pouco das energias.
Saímos do PC-8 e logo pude verificar a grande quantidade de estradas que não constavam no mapa e foi quando tomei uma decisão arriscada, ao invés de seguir o caminho que tinha marcado no mapa, ou seja, o caminho mais curto até o AT-6 resolvi seguir até Venâncio Aires para depois seguir até o At-6. Realizamos um caminho mais longo, mas estávamos de bike e utilizamos estradas conhecidas e inclusive alguns trechos que já tínhamos utilizado no inicio da prova. A chuva forte veio quando estávamos no asfalto próximo à cidade.
Passamos na praça central, local da largada, que estava completamente vazia, seguimos na mesma rua utilizada na largada chegando até o asfalto, mas ainda faltava encontrar a entrada em direção a Quinta Bela Vista. Parei para pedir informação em uma residência ao lado da entrada e o morador me enviou para mais distante, seguimos no asfalto até chegar em um trevo, retornamos uns 2 km e estávamos todos desanimados a ponto de cada um pensar em desertar da prova, mas ninguém teve coragem para falar.
Parei um armazém e pedi informação ao proprietário que parecia ser morador mais antigo e me deu indicação certa do local. Retornamos mais uns 500m e chegamos na entrada. Seguimos mais 2 km até o At-6. Chegamos no AT pensando estar na quinta ou sexta posição na prova, mas fomos informados que apenas 2 equipes tinham passado anteriormente, sendo uma delas uma dupla. Estávamos se segunda posição na prova, apesar do desânimo a minha decisão de seguir o caminho conhecido mais longo foi acertada.
AT-6 até AT-7: A Cristina e o Álvaro seguiram pedalando e eu e o Tiago seguimos correndo e caminhando. O Tiago sentia as câimbras e eu estava bem, mas corria só o quanto o companheiro podia. Enquanto estava correndo a 11 km/h o Álvaro que pedalava do meu lado, que tinha me empurrado no treking, que tinha visto o quanto eu estava mal, me perguntou: “de onde tu tira tanta força?”. Eu tinha renascido na prova, estava mal atrasei a equipe e no momento era o mais forte, mas sabia que a natação estava próxima e com a água fria as câimbras poderiam voltar.
AT-7 até AT-8/PC-9: chegamos no AT-7 e fomos informados que as duas primeiras equipes estavam longe à frente, que poucas equipes ainda estavam na prova, sendo que nenhuma estava próxima. Este fato nos deixou mais tranqüilos e relaxados e acabou influenciando até na classificação da prova, agora entendo o porque do pessoal dos PCs nas provas do EMA não fornecerem nenhuma informação ou comentário.
Iniciamos a natação e as minhas câimbras voltaram, seguia nadando só com os braços e as vezes gritava de dor. O Tiago seguia nadando muito lentamente só com os braços, alem das câimbras também estava ficando sem forças devido a falta de glicose. O Álvaro e a Cristina seguiram na frente e foi na natação que cometemos o erro de não seguir em grupo quando os que estavam com dificuldades poderiam ser ajudados. Perdemos muito tempo na natação e quando o Tiago estava saindo da água outra equipe estava chegando para a natação.
PC-9 até Chegada: saímos da natação e seguimos caminhando para os últimos 6 km de treking. Eu estava cobrando a equipe para seguir mais rapidamente, mas a Cristina e principalmente o Álvaro estavam sentindo muita dor no joelho. Seguimos caminhando o mais rápido possível e não demorou em ao longe avistarmos outra equipe que estava cada instante mais próxima. Com muita dor o Álvaro tentava correr com a ajuda de uma bengala improvisada com um galho, mas o esforço estava sendo em vão. Faltando uns 500m para a chegada fomos ultrapassados pela Equipe Cinamomo.
Chegada e comentários: Chegamos na terceira posição com mais de 9 horas de prova e com gosto de derrota, mas foi um grande resultado considerando-se as dificuldades que tivemos que enfrentar.
Em nenhum momento houve atrito entre os componentes da equipe!
A cada momento um componente estava com alguma dificuldade!
Venci uma dos maiores problemas em uma corrida de aventura, a desidratação e diarréia!
Devido às distâncias, previsto 70 km, mas as equipes visitantes que completaram a prova percorreram mais de 80 km, sendo mais de 20 km de treking, a chuva, diferenças de altitude, pneus furados e outros fatores contribuíram para tornar está prova a mais difícil já realizada no RS até o momento.
Das 28 equipe que largaram apenas 7 equipes chegaram inteiras e sem sofres cortes de percurso.
Um grande ponto positivo da prova foi que não tivemos a utilização de PC-Virtual.
Depois da prova
Logo depois da chegada, assim que esfriei, comecei a sentir dor nos pés, utilizei uma meia muito grossa que reteve muita lama desde o inicio da prova o que fez que surgissem bolhas em vários pontos dos pés. Algumas bolhas surgiram em baixo das unhas o que fez com que estas fossem arrancadas.
O Álvaro chegou a receber atendimento médico logo após a chegada devido as dores no joelho.
Montar as bikes no carro, receber a premiação, retornar para casa...
O dias seguintes
Para min os dias seguintes foram terríveis, alem do cansaço normal tive que enfrentar:
.A volta dos problemas estomacais.
.O trabalho em horário super esticado, devido ao horário especial trabalhei até depois das 22horas até o dia 23/12/03.
.O inchaço e dores dos dedos e dos pés no dia seguinte, principalmente por trabalhar o dia todo em pé.
.A gripe que chegou devido ao cansaço acumulado.
Depois de tudo sobraram algumas certezas:
Formamos uma equipe forte e unida, mesmo com pouco treinamento coletivo.
Não vencemos a prova, mas vencemos as dificuldades, vencemos a nós mesmos!
Fonte:
Luiz M. Faccin
E-mail: luiz@faccinbicicletas.com.br
Fonte:
Faccin Bicicletas Ltda Cidade:
Venâncio Aires-RS Fotos: Luís Mercado Publicado: Cristiane Da Ros DATA: 13/01/2004
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