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De 24 a 31 de janeiro de 2004 aconteceu o 10º Transparaná. Confira o relato do Off Road Adventure Team (ORATEAM) sobre a participação da categoria Adventure!
Com patrocínio da Caçula de Pneus e colaboração da DM Motors Impotadora e Distribuidora de Peças Daihatsu e Daewoo, o Off Road Adventure Team participou do maior Raid do Brasil e das Américas no período de 24 a 31 de janeiro de 2004. O roteiro foi percorrido em cinco dias, de segunda a sexta-feira. O final de semana anterior (24 e 25) foi reservado à Vistoria Técnica após a Entrega dos Materiais, com os 4x4 já adesivados e ao Mini Raid, no qual estava prevista a não participação da Adventure, categoria que escolhemos.
Apresentação da dupla
Luciano Dellarole, 46 anos, com mais de 30 anos de vivência no mundo automotivo. Quinto colocado no Rally Internacional dos Sertões em 95 ; Vice-campeão paulista de Rallie de Regularidade em 96 em dupla com a esposa Rosa Maria; Quarto colocado no I Classic Endurance (Interlagos) em 96 ; Vice-campeão categoria Turismo no Mitsubishi Motors Day 97 ( Interlagos ) e Vice-Campeão IV Rally Hyundai Regularidade em 97. Com 42 participações em provas oficiais de Kart (72 a 75) e quatro em provas do Campeonato Brasileiro da Divisão 3 em 80 , acumula vasto e variado conhecimento, tendo realizado cerca de 100 avaliações de veículos, como jornalista especializado. No período 92/97 editou Motores Em Ação , informativo automotivo de distribuição gratuíta.
Guilherme Dellarole, 19 anos, cursando Engenharia de Controle e Automação (Mecatrônica) no Instituto Mauá de Tecnologia. Herdou a paixão pelo carros.
Primeiro dia - Guairá / Nova Olímpia / Paranavaí
A primeira etapa revelou o bom navegador que é o Guilherme. Com uma calma admirável, comeu barriga apenas uma vez navegando o trecho mais longo da prova, e logo no início, ou seja antes de pegar o jeito e o ritmo.
Impressionante, foi ele não tomar uma gota d'água em todo o percurso que durou 7 horas e 15 minutos e sob a mais alta temperatura. Quando eu oferecia água a resposta: "Sou guerrilha", como se estivesse em treinamento para ser um guerrilheiro ...
Essa primeira etapa, que foi a mais puxada entre as quatro primeiras já deu mostras do que seria a prova: Dois Samurai e um Defender 90 alijados (Diferencial traseiro). Engesa teve o cárter perfurado pelo Diferencial Dianteiro devido ao encolhimento da suspensão até o final de seu curso (que longo é ideal para transpor erosões, mas nas "trocentas" curvas de nível do caminho se mostrou inadequada). O reparo foi feito pelo próprio piloto usando a velha conhecida massa Durepoxi !
Ao final do dia, soubemos que um Pajero fundira seu motor 3.5 e outro tivera a suspensão traseira quebrada.
Um Vitara em manutenção diante do hotel em Paranavaí teve os quatro amortecedores trocados pois estavam
"detonados" segundo os mecânicos ! Primeiro dia ...
O Pajero teve o motor trocado pelo de outro da equipe, que acompanhava a prova. Estrutura ou Sorte ?
Um Troller tombou e o piloto teve fratura no punho esquerdo, embarcando em avião em Paranavaí de volta para casa na manhã do dia 26 para cirurgia e implantação de placa de platina.
O jantar oficial foi na Sociedade Rural de Paranavaí.
Segundo dia - Paranavaí / Jaguapitã / Cornélio Procópio
A Organização determinou que a Adventure andasse em comboio, sistema previsto, em função de um participante da categoria ter se aproximado dos competidores no primeiro dia, confundindo Raid com Rali.
Um Troller de Santa Catarina retornando contra o sentido do roteiro bateu de frente contra um jipe e o piloto quebrou o metacarpo da mão, conforme nos informou o médico oficial da prova Dr. Joaquim da Conceição Oliveira, de Castro. O piloto ferido estava acompanhado do filho de 12 anos.
Faltando 25 km para chegar a Cornélio Procópio, o Troller responsável por guiar a Adventure teve o pneu dianteiro direito furado em trecho de asfalto.Troca rápida. Logo em seguida o motor Continental do Willys "fumou" uma baforada mais densa devido ao platinado colado. Sentiu o "train" da jornada e foi puxado pelo Toll Bar para um justo e merecido descanso até o dia seguinte. E foi até o final, como eu opinara desde o início.
O jantar oficial foi no Centro de Eventos de Cornélio Procópio.
Terceiro dia - Cornélio Procópio / Ibaiti / Castro
O Willys de numeral 101 da categoria Jipe tombou duas vezes.
A Bandeirante de numeral 69 da Adventure teve a cruzeta traseira quebrada, danificando a tubulação de combustível.
O Vitara da Adventure perdeu uma mola da suspensão traseira e os cariocas tiveram a sorte de encontrá-la.
Passar pelo Canyon Guartelá, o maior do Brasil e sexto maior do mundo foi emocionante e a paisagem recompensa a quem chega até lá.
Quarto dia - Castro / Bateias / Curitiba
Encontramos o Pajero TR 4 dos paranaenses Roque Verviuka e Alberto Minski com problemas no Diferencial traseiro. O Mario ficou dando uma fôrça junto com o pessoal de Curitiba (Band e Defender 110).
Era o dia dos Atoleiros e o Feroza encostou "a barriga" no facão central e foi puxado duas vezes pelo guincho da Rural de Apoio da Organização. No segundo, acabou passando por conta própria, sem dó nem piedade. Faltou o navegador ler "Não vacile", que no briefing o Diretor de Prova avisara: "Acelere prá valer".
Já estava pensando que o dia seria lembrado como "Feroza day", quando o Vitara sem tração na dianteira (pifou) deu trabalho por uma hora para chegar ao topo de uma subida enlameada, com auxílio do próprio guincho e também do da Rural, que precisou manobrar, dando show de escorregadas e encostadas nos barrancos. No final muitas mãos deram o empurrãozinho final.
A Bandeirante do Mario, que foi o "anjo da guarda" da Adventure no segundo dia, teve problema na transmissão, ficando sem a primeira e a segunda marchas.
O Troller de numeral 10 ficou com o sistema de tração travado na reduzida. E o da dupla Fross (pai e filho), de Toledo precisou fazer a embreagem.
E a L 200 de numeral 53 moeu a ponta de eixo dianteira direita. O que me impressionou foi que o socorro estava sendo feito pelo pai do piloto, Sr. Roberto Bardeli, mecânico em Curitiba. O Elcio teve sorte de quebrar perto de casa.
Quinto dia (Final) - Curitiba / São José dos Pinhais / Garuva(SC) / Guaratuba
Muita reduzida para não fritar freio e embreagem.
Na saída de uma curva encontramos alguns participantes à beira do caminho e o Willys de numeral 66 capotado sobre uma árvore, já no início de uma ribanceira de várias dezenas de metros ! Nenhum ferimento na dupla que teve o humor de produzir uma plaquinha com a inscrição Jeep e a seta apontando para o precipício. "Muita gente passou e nem viu a nossa obra". Em Guaratuba pudemos conferir um único amaçado no robusto !
A picape Hilux do COE (Corpo de Operações Especiais da Polícia de Choque da Polícia Militar do Estado do Paraná) tombou, também sem feridos.
O Troller, carro "madrinha" da Adventure ganhou a jovem Karine a bordo.
O Defender dos brasilienses foi abastecido com gasolina em Curitiba e precisou ir à oficina para retirar/esgotar/recolocar o tanque. Perderam o roteiro das duas últimas etapas, mas não o dia. Por sorte eu conhecia a região e sugeri que descessem pela Estrada da Graciosa, passando por Morretes, Matinhos e Caiobá, almoçassem um Barreado - prato típico do litoral paranaense, fazendo a travessia de balsa para Guaratuba. Aceitaram e curtiram a beleza da Serra da Graciosa.
Participar é um Desafio...
Chegar é uma Vitória !
Esse é ótimo slogan por definir muito bem as dificuldades do maior Raid das Américas.
Conclusão
Confesso que apesar da total confiança no Feroza (nenhuma peça de reposição), e de tratar o equipamento da maneira correta, foi um alívio chegar ao trecho final já no litoral com todos os sistemas funcionando: 4x2/4x4/4x4 reduzida, as cinco marchas mais a ré e a embreagem É um tratorzinho, motivo pelo qual o elegi para o meu trabalho.
A preocupação e cuidado com os pneus ST deu resultado: Nenhum furo ou corte, e o que não faltou foi pedra no nosso caminho.
Dos quatro atoleiros, só em um não foi possível passar por meios próprios. Era o ponto onde a Organização avisara desde o briefing em Guaíra no dia 24 que haveria Apoio com guinchos, para todos os competidores.Para quem participou pelo Espírito de AVENTURA, slogan do Off Road Adventure Team desde a sua criação em 99, nada mal.
As 800 gramas a menos em cinco dias retrata a realidade da maior exigência de pilotagem em relação ao Sertões 95 em que perdi 1400 gramas em 10 dias.
Para uma eventual participação competitiva* a receita já está anotada. Basta prepará-la e experimentá-la.
* O meu navegador foi quem falou em "próximo ano" na quinta-feira durante a sétima das nove etapas percorridas pela Adventure. Parece que o vírus contido na poeira vermelha do Paraná o contaminou!
No almôço de confraternização e premiação, o grupo da Adventure reunido numa só mesa foi a comprovação prática da integração: Odyr e sua filha Karine, João Octávio, Floriano, Plínio, Cícero, João, Mauro, Felippe, Ângelo, Paxão (mecânico do Jipe 52 e motorista do caminhão Mercedes 4x4 ano 74 durante o roteiro), o Guilherme e eu. O Odyr que já foi segundo colocado no Transparaná já está pensando em disputar a prova em 2005 com a filha de 16 anos como navegadora.
Opinião sobre o evento
Uma característica que me agradou pela segurança que representa é o roteiro ser cumprido à luz do dia. Nisso a Organização não deveria mexer. A pontualidade da programação ao longo dos oito dias de duração do evento foi outro importante ponto a favor. A sensação de conhecer o pessoal das equipes de foto/filmagem, do Apoio, dos PCs e todo o Staff do Jeep Clube de Curitiba foi agradável. A competência e cordialidade de todos devido à experiência e por estarem fazendo o que mais gostam a nível esportivo é que faz com que o participante se sinta em casa, entre amigos.
A companhia do COE - Corpo de Operações Especiais da Polícia de Choque da Polícia Militar do Estado do Paraná durante todo o roteiro transmite confiança, demonstrando o nível de seriedade do maior Raid das Américas.
A cronometragem e apuração ficou a cargo da Totem.
Fica a sugestão para ser estudada: a criação das categorias Dupla Mista e Dupla Feminina. E, também voltar a contar pontos para a Adventure como ocorreu em 2003, ainda que seja de forma diferenciada em relação às outras categorias. Pode ser um estímulo à maior participação.
Outras seis duplas pai/filho:
Abrelino Fross e Juliano (Toledo-PR) com Troller.
Ricardo e Marcelo Vivolo - dupla Vice-campeã Copa Mitsubishi 2003 (Campinas -SP) - Pajero 3.5
Jean Carlo e Cristiane (Campinas-SP) - L 200.
Dupla catarinense do Troller acidentado no segundo dia
Gilmar e Gislaine (Curitiba-PR) - Javali
João e Pedro (Curitiba-PR) - Defender 110
Gilberto e Isaque Ruppenthal (Três Coroas-RS) - Pajero
A parte turística
Viajar numa esticada só de São Paulo a Guaíra não é muito prudente. Então, aproveitamos para o Guilherme conhecer o Parque Estadual de Vila Velha. O elevador de Furnas estava em manutenção. A capela construída no Parque é motivo de discórdia e está fechada. As piscinas interditadas devido aos muitos acidentes que ocorreram.
Valeu pelos Arenitos com formatos de botina, leão, taça, etc...
Tivemos a dupla sorte do cano de escapamento precisar de solda, feita em Ponta Grossa na Suspense. O João Batista nos guiou até o autódromo em terra André Egeus, onde andamos no traçado de 2,7 Km. E ainda fomos presenteados com uma camiseta cada um ! Começamos fazendo um novo amigo.
A hospedagem na Fazenda Capão Grande, que faz jus ao nome com seus 700 alqueires foi uma opção acertada: A gentileza da Sra. Flora e a tradição do local premiou-nos. Ficamos sabendo que as terras pertencem à família há mais de 150 anos e que a casa sede tem 70 anos. Há sete anos foi iniciada a exploração do Turismo Rural e 10 mil pessoas já passaram pela Capão Grande. A lavoura de milho e soja no verão e aveia no inverno aliada à criação de gado leiteiro e cavalos da raça Crioulo garantem atividade diária. Com humildade, mas sem esconder o orgulho Dona Flora nos contou que por sete vezes os animais da Fazenda já estiveram entre os 30 selecionados na competição internacional Freio de Ouro, que em dois dias de provas simula todas as situações de uso do animal em trabalho rural.
Em Guaíra um passeio pelo Centro Naútico , visita ao Museu Histórico Municipal e à capela de pedra além da travessia da ponte Ayrton Senna que liga o Paraná ao Mato Grosso do Sul. São 3,4 km de extensão sobre o rio Paraná. Dupla emoção: Utilizar um meio não existente quando estive visitando as Sete Quedas em 82 e pela homenagem ao Tri-Campeão com quem tive a oportunidade de conviver na época do Kart.
Um pulinho a Salto Del Guayrá, no vizinho Paraguai em busca de um equipamento complementar para produções multimídia. Incursão bem sucedida e surpresa pela simpatia dos policiais da fronteira.
Em Castro tivemos a sorte da assessora de Imprensa Emanoelle nos recepcionar e nos levar até a Castrolândia.
Em Guaratuba depois de tanta poeira durante a semana toda, fui nadar na praia do Cristo apesar do Floriano dizer que ir à praia não era programa de jipeiro, mas de "boiola". E para mostrar a minha convicção novo mergulho na manhã do sábado.
Terminada a programação do Transparaná, fomos a Joinville, na casa de nosso Amigo Paulo. Domingo o passeio de barco pela baia da Babitonga com suas 14 ilhas e com parada em São Francisco do Sul, que completou 500 anos em janeiro. Visitamos o Country Clube.
Na volta, uma ida à Caverna do Diabo. É realmente impressionante. Quem gosta de natureza e paisagens não pode perder.
Oportunidade de conhecer o presidente da Paraná Turismo Eng. Jorge Demiate, o secretário de Turismo de Morretes, Orley, o presidente do Jipe Clube de Jaraguá do Sul e o Luiz Fontana, um dos quatro homens que estiveram presentes a todas as edições do Transparaná. Reclamar do que ? Ter que voltar à inundada e poluída São Paulo.
Participantes da Adventure
Ao longo da semana em que o roteiro foi percorrido (26 a 31 de janeiro),
onze 4x4 estiveram na Adventure.
Com o abandono do Vitara na sétima etapa (quinta-feira dia 29)
e o Defender de Brasília fora do último dia (30) pelo erro do frentista em Curitiba,
apenas o Jipe 52 do Floriano/Plínio e o Feroza do Off Road Adventure Team
fizeram todo o percurso junto com o Troller da Organização, guia da Adventure.
O Feroza foi o único a não exigir nenhum reparo.
As Soluções:
* O compressorzinho elétrico (sempre de plantão a bordo) deu conta do recado.
** O Floriano limou o terminal, refazendo o encaixe no borne da bateria.
*** A retirada, esvaziamento e recolocação do tanque custou R$ 80 e mais R$ 60 da plataforma para levar o Defender até a oficina. O posto bancaria, mas o gerente disse que o valor seria descontado do frentista.
Então, o Mauro abriu mão e pagou a conta. Gente fina!
40 Cidades Representadas no TRANSPARANÁ 2004
DISTRITO FEDERAL
Brasília
MATO GROSSO
Jaciara
Primavera do Leste
MINAS GERAIS
Juiz de Fora
PARANÁ
Arapongas
Curitiba
Francisco Beltrão
Guarapuava
Laranjeiras do Sul
Londrina
Ponta Grossa
Quatro Barras
Realeza
Reserva do Iguaçú
Santo Antonio da Platina
Terra Roxa
Toledo
SANTA CATARINA
Araquari
Blumenau
Brusque
Capivari de Baixo
Chapecó
Corupá
Florianópolis
Jaraguá do Sul
Joinville
Lages
Rio do Oeste
Rio do Sul
São Bento do Sul
RIO DE JANEIRO
Duque de Caxias
Macaé
Niterói
RIO GRANDE DO SUL
Gravataí
Igrejinha
Santa Vitória do Palmar
Três Coroas
Tubarão
SÃO PAULO
Campinas
São Paulo
Fonte:
Guilherme e Luciano - 058 Adventure
OFF ROAD ADVENTURE TEAM Para Quem tem 4x4 e Espírito de AVENTURA
Site: www.offroad-adventureteam.com
Fones: (011) 9231.7117 / 3744.0478
E - mail: lucdellaorateam@uol.com.br
Fonte:
Luciano Dellarole Cidade:
Curitiba-PR-Brasil Fotos: Luciano Dellarole Publicado: Daiana Ruff da Silva Date: 05/02/2004
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Guilherme e Luciano
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