|
A AUDAX foi uma prova de longa duração, longa distância e com uma longa lista de vencedores. Confira o relato de um dos participantes da equipe organização, Marco Carvalho.
Às vezes se pedala em grupo, às vezes sozinho. A presença do asfalto é uma constante -ilustrada por paisagens campeiras que só davam mais força pedal abaixo. Pedal que não faltou. Duzentos e poucos quilômetros de loucura para uns e rotina para outros. Entre profissionais premiados e atletas de fim-de-semana, o desafio foi completo - pela maioria que batia no peito e preferia ser chamado de audacioso.
À noite anterior ao desafio foi sensacional. Regada a um jantar de massas e boa companhia. Tudo apontava a uma prova com camaradagens ao extremo e auxílio a todos. O check-up das bicicletas foi algo cinematográfico. Duas centenas de bikes: todos os tipos, marcas, modelos e gostos. Estacionadas, esperando um grande esforço. Preparadas, amarradas e brilhantes, como seus proprietários que ainda somavam mais um adjetivo: ansiosos. Isso ficou claro na largada.
Cinco da manhã, sábado. Portões abertos, cada um pega a sua magrela e vai para a saída. Atrasou um pouco. Seis e meia é dada à largada, sei que a imagem vista ali não sairá da cabeça de alguns por muito tempo. Ainda estava um pouco escuro e as luzes dos piscas brilhando ponte acima também não deixariam nenhum diretor de cinema na dúvida.
Nos primeiros quilômetros enfrentamos uma chuva, não muito forte, mas o suficiente para deslubrificar as bicicletas e causar alguns acidentes de percurso, como poças tapando buracos e eminentemente pneus furados. Via-se no rosto dos participantes que começavam a ir para o acostamento trocar câmara, que aquela seria uma longa jornada. Abatia um pouco, mas quem estava ali é porque estava preparado para isso, esperava por isso, queria isso.
A chegada até o primeiro ponto de controle, localizado no quilômetro 50, foi a mais fácil. Estávamos inteiros, livres de problemas mecânicos mais sérios e porque, definitivamente era só o primeiro quarto da prova, não podíamos nos sentir diferentes disso. Dos cinqüenta aos cem, o buraco foi mais para baixo. Uma seqüência de lombas e morros intermináveis dava a impressão de que, ou estavam de sacanagem, ou você estava no caminho errado.
Muita gente pedalou sozinho nesse árduo trajeto. A presença do sol, nesse ponto, se torna uma constante, uma companhia que nos dá saudade da leve garoa, que até refrescava. Baseando-se no raciocínio de que quando estivéssemos no quilômetro cem, o resto seria a volta: o ponto de controle dois era um oásis, uma paisagem, uma miragem. Principalmente para quem estava só.
Cada chegada nos pontos-de-controle vinha com um alívio. Lá você encontrava outras pessoas, todas em paz, recarregando suas energias. Estas ajudavam sua psicologia. Mantém a calma. Vai dar tempo, vai ter perna, não vai furar mais nenhum pneu. A experiência da ida valeu muito para a volta. O relógio estava a favor de quase todos nos primeiros milhares de metros. Os contratempos não pareciam tão cabeludos e a noite que caía não aterrorizou tanto. Logo passamos o Posto de controle extra e o primeiro ponto de controle que se tornou o último da empreitada. Já se sentindo em casa no último quarto o bom papo e as piadas dos participantes faziam mais força no pedal. Isso ajudou muito.
Hora de ligar o farol, a noite caiu. O colete alheio já faz o reflexo, daqui a pouco já estamos nos pontos. Ô BR-290 que não acaba. Esta hora, a pressa de chegar era muito mais ansiedade do que superação, queríamos ver como é a vida pós-audax. Glória na premiação. Mais glória para os organizadores, impecável.
O GranPrix foi a grande parceria e a enorme família Audax que se formou. Amizades de ocasião, parcerias de momento. Todos em torno do mesmo resultado: chegar. Independente do tempo e da performance queríamos completar. E somente um bom administrador completou a prova. Calcular sua condição física, subtrair o teu equipamento, somar teus prováveis problemas e contratempos, dividindo tudo isso pelo tempo dado. Definitivamente tem que estar com a cabeça em dia. E muitos que começaram, pelo visto estavam, já que a grande maioria sagrou-se campeã.
Fonte
Marco Carvalho
Equipe Organização Audax-RS
Fonte:
Danilo Machado e Valter Molina Cidade:
Porto Alegre-RS-Brasil Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Carolina Becker Davi Date: 24/03/2004
<%insert_data_here%>
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
.
|
|