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A M’Byá Guarani é uma reserva indígena nacional, localizada entre as cidades de Riozinho e Maquiné. Conheça alguns trabalhos desenvolvidos na aldeia e saiba como proceder para realizar um projeto lá.
A M’Byá é uma reserva de responsabilidade da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e da FUNASA (Fundação Nacional de Saúde), que faz consultas de rotina a cada quinze dias na aldeia. Os índios recebem também o apoio da Prefeitura Municipal de Riozinho, através da coordenadora da Secretaria de Turismo, Beatriz Colombo.
A prefeitura dá assistência a tudo o que os índios precisam, fazendo visitas, providenciando documentos, auxiliando na venda do artesanato, hospitalizando-os, enfim, é um trabalho que é realizado desde a delimitação da área pela FUNAI.
O apoio à sustentabilidade é de extrema importância para a aldeia. Beatriz leva a cestaria e as esculturas de animais para o centro urbano, vendendo-os na prefeitura ou em eventos. “Em abril desse ano, na festa de aniversário no município, fizemos uma amostra com o artesanato indígena e foi muito vendido”, lembra ela. Poucos são os índios que vão até a cidade fazer esse trabalho, pois o povo guarani é bastante reservado, preferindo não sair da rotina da aldeia.
Além disso, a missão de Beatriz está em disseminar a cultura dos índios, levando-os para as escolas da região para fazerem palestras e, com isso, mostrar toda a cultura e o seu modo de preservá-la.
Quinze famílias indígenas ocupam os cerca de cinco mil hectares da Aldeia M’Byá Guarani, onde predomina a Mata Atlântica. A região é escolhida para a realização de pesquisas por causa da flora muito preservada e também do povo guarani, que tem conceitos bem fortes quanto à cultura, mantendo seus símbolos e sua rotina, apesar de viajarem muito. “Eles cultivam, por exemplo, o hábito de fumar cachimbo e fazerem suas orações enquanto conversam com um visitante”, conta a coordenadora.
Alguns trabalhos já foram desenvolvidos na aldeia e outros estão em andamento. Em 2002 foi realizado o projetoVida de Índio, uma exposição de fotos e artesanato no Museu Arqueológico do Rio Grande do Sul, em Taquara. Até hoje a mostra circula pelas escolas da região do Paranhana e do Vale do sinos, arrecadando donativos para a aldeia e vendendo o seu artesanato. Esse trabalho, coordenado pela bióloga Virgínia Koch, é um convênio entre o museu, a Unisinos e a prefeitura de Riozinho.
Em 1998 foi feito um estudo geral do município de Riozinho, o Extensão Descentralizada, abrangendo o meio ambiente, a flora, a fauna e os índios, os quais ganharam um galpão novo para guardarem o material do plantio da erva-mate e da araucária.
“Atualmente a aldeia está sendo beneficiada pelo programa Fome Zero, recebendo cestas básicas durante seis meses”, comenta Beatriz, que adianta sobre a realização de um projeto futuro para resgatar a cultura da cerâmica que foi perdida com o tempo.
Como a cultura na M’Byá Guarani é bastante antiga e preservada, é necessária uma certa burocracia para a efetivação de projetos na aldeia. Primeiramente o contato é feito com a prefeitura de Riozinho, através da Beatriz Colombo, que encaminha o pedido para a FUNAI e a FUNASA; os dois órgãos então passam o projeto ao Cacique, Sr. Avelino Gimenez, que avalia a proposta, aprovando-a ou não, levando em consideração a utilidade da mesma para a reserva.
“Os guaranis recebem bem aos visitantes, mas isso acontece se a visita for previamente agendada e se eles estiverem cientes do motivo dela”, ressalta Beatriz. “É importante ter alguns cuidados na comunicação, como por exemplo, sempre deve-se respeitar o cacique, dando presentes e doações a ele, que irá distribuir entre os índios, conforme o merecimento de cada um”.
Em 2004 aconteceu a III Cavalgada M’Byá Guarani, um evento comunitário que arrecadou alimentos e roupas para a aldeia. “Há três anos, quando foi sugerida a cavalgada, o cacique recebeu a idéia com bastante gosto e, a cada ano, os índios recebem os cavaleiros com muita satisfação; é sempre uma festa para eles”, afirma a coordenadora.
Para Beatriz Colombo, trabahar com os índios é quase uma missão, que há dois anos compre com muito gosto. O contato com os guaranis ensinou-a que é preciso muita sutilidade na comunicação com eles, pelas diferenças que há entre uma cultura e outra. “Primeiro precisamos conhecê-los, depois entender seus costumes e ter muita sensibilidade para então fazer algo por eles, respeitando sempre o cacique, porta-voz de todo o povo habitante na aldeia”.
Equipe INEMA
Fonte:
Beatriz Colombo Cidade:
Taquara-RS-Brasil Fotos: INEMA Publicado: Daiana Ruff da Silva Date: 07/05/2004
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