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O surfista Edilson Assunção, conhecido como Alemão de Maresias, conta como foi a expedição entre amigos que virou programa na ESPN Brasil.
O free surfer Edílson Assunção, atleta da South to South, conhecido como Alemão de Maresias, desbravou o litoral chileno atrás das grandes e geladas ondas que o Pacífico oferece. A barca formada por amigos, durou 47 dias, a contar do dia 15 de abril de 2004, quando eles saíram de carro de São Paulo rumo às ondas do Chile e retornaram ao Brasil no dia 31 de maio de 2004.
Entre os desbravadores estavam o Luis Roberto Formiga (apresentador do programa X-Treme TV, da ESPN Brasil), Zeca Scheffer, Ricardo Amassaro, o vídeo maker Cleiton Russo e o Edílson, que ao lado do Formiga, estavam indo pela primeira vez ao território chileno. Vários tipos de ondas e tamanho foram surfadas, a começar pelo sul de Santiago.
“Chegamos no dia 18 de abril, em Pichilemu, uma praia no Sul de Santiago que rolam altas esquerdas, conhecida como Punta Lobos. Nos primeiros dias não havia onda, mas na semana seguinte, pegamos um swell de 4 metros perfeito”, conta Assunção, que apesar surfar com uma prancha de 7 pés, ficou faltando equipamento.
“No maior dia, entrei no mar com uma 7 pés achando que estava bem equipado. Entretanto, ao remar para o outside, dei conta de que a minha prancha não era suficiente. Na primeira sessão quebravam ondas de 3 a 4 metros com tubos quadrados”, lembra, o Alemão de Maresias, que com muito esforço conseguiu surfar duas ondas, uma com um bom drop no vazio, que acabou sendo a melhor onda surfada.
Só pra se ter uma idéia do tamanho das ondas neste dia, os locais estavam com pranchas acima de 8 pés. Com o swell entrando, realizaram o sétimo cerimonial de surf, campeonato tradicional de Punta Lobos, que sempre acontece em dias de ondas grandes. Como não podia surfar no local durante o campeonato, os desbravadores buscaram outros picos.
Ao chegarem numa fazenda chamada boas esquerdas quebrando solitárias. “Surfamos sem ninguém em três picos diferentes. Em um dos picos, pegamos ondas de três a quatro metros perfeitas para fazer tow-in”, conta.
Depois de desbravarem o Sul de Santiago, o próximo destino foi o Norte do Chile, rumo a Arica. Num percurso de três mil quilômetros, encontraram vários picos para todos os tipos de surf, desde ondas tubulares a ondas mais cheias, porém longas e perfeitas. “Alguns picos são conhecidos, como Porto Fino, que tem uma esquerda point break solitário, e também Antofagasta, uma cidade portuária, a maior do deserto”, explica.
Neste local, haviam duas ondas muito boas. A La Cúpula, conhecida por seus tubos longos e sempre cheia de bodyboarder e a Pedra de Lobos, outra esquerda longa não tão cavada, mas perfeita. “Mais ao Norte existe uma ilha chamada Santa Maria com potencial para towin, com várias lages e point break para todos os gostos”, avisa.
Diferente de algumas praias do Atlântico, repleta de surfistas dentro d’água, a maioria dos picos do Chile estão solitários. “Quando cruzamos o deserto de Atacama pelo litoral, encontramos inúmeras ondas quebrando sozinhas”. Outros picos foram desbravados, como Rio Loa, Iquique, El Colégio, Punta Uno, La Urraca, Punta Dois e Intendência.
Em Arica quebram esquerdas e direitas perfeitas conhecidas como El Gringo. A direita é longa e tem uma sessão de tubo, com um canal e rola em qualquer tamanho. Já a esquerda, que quebra um tubo quadrado, é conhecida como o Pipeline chileno. Além do perigo da bancada, existe um outro. “Nesse local existem os picorocos, que são crustáceos de um palmo que residem na bancada. Eles não são nada hospitaleiros”, alerta Edílson.
Ainda em Arica, há uma direita em El Rancio, que foi descoberta pelos bodyboarders e surfada no ano passado pela equipe do Billabong Odissey. Segundo história local, dizem que o havaiano Shane Dorian só conseguiu fazer três ondas, das dez que surfou. A onda é parecida com Paúba e quebra num fundo de pedra. Edílson surfou quatro delas, pegando um tubo de backside, que segundo os locais foi a primeira vez que alguém conseguiu surfar de costas para onda.
Segundo Edílson, a expedição foi mais do que proveitosa. “Além das ondas, os chilenos nos receberam muito bem, em especial a Rafael Tapia, Tico Cristian, Coca Cola, Pancho, Diego, Kurt, Nicole e todos os estrangeiros que estavam na surf house Arica”.
Outros picos já estão nos planos do free surfer. “Pretendo retornar ao Norte do Chile ou ir para a Indonésia, surfar um picos recém-descobertos. Ou quem sabe, ir para o Norte da África. Dizem que tem altas ondas por lá”.
Toda a expedição foi filmada pelo Cleiton Russo e pela Fabiana, esposa do Pato, na sessão de surf em El Gringo. As imagens foram exibidas no mês de maio, no programa X-Treme TV, da ESPN Brasil.
Fotos: Arquivo Pessoal
Por Marcos André Araújo
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Fonte:
Marcos André Araújo Cidade:
Chile-EX-Chile Fotos: Divulgação Publicado: Priscila Ramos DATA: 17/06/2004
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