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Jipeira de corpo e alma

Maqueli Padilha é uma das sócias do Jeep Clube Vale do Sinos. Confira a história dessa jipeira!

Faço trilha há aproximadamente cinco anos, quando meu marido me convidou para um passeio para Cambará. Fomos de caminhonete, pois na época não tínhamos jeep. Adorei, então em seguida compramos um 4x4 e minha primeira trilha foi em Glorinha. Foi ótimo, meu único medo era ter que passar a noite na trilha. Mas conseguimos sair antes.

Nosso grupo de jipeiros é bem unido; a grande maioria gosta de percorrer trajetos com bastante dificuldade, e quando as trilhas são divididas em leve e pesada, optamos sempre pela pesada (erosões, bastante atoleiro, etc).

Quando não há programações de trilhas nos finais de semana, o grupo se reúne e faz trilha na região do Vale do Sinos, é bem legal, pois sempre descobrem novos caminhos e dificuldades.
O terreno favorito normalmente é aquele que não contém muitas pedras soltas, o que pode quebrar os veículos; o resto é tudo alegria (claro que uma pedreira cai muito bem de vez em quando)!

Geralmente, quem verifica as condições do meu jeep é meu marido, mas quem revisa e faz os reparos necessários é o pessoal do Cabeça Jeeps, de Esteio. Para um bom desempenho numa trilha o essencial é estar em dia com o mecânico, pneus apropriados, tração 4x4, cinto de segurança... Ah! E o mais importante, um (a) bom (a) piloto, né!

Não é muito difícil de conciliar, pois não tenho filhos ainda e acho que isso facilita bastante. O problema é segunda-feira: roupas sujas, jeep no conserto, mas vale a pena!!!!
Trabalho na administração de uma metalúrgica.

Fazer trilha em grupo, sob meu ponto de vista, trás muitas vantagens, além de poder surgir imprevistos durante o percurso, há a troca de ajuda, pessoas amigas, que estão dispostas a prestar auxílio em qualquer situação. Particularmente, não acho legal fazer trilha sozinha ou com pessoas que só fazem volume. As desvantagens em fazer trilhas em grupo não são muitas, apenas surgem, por vezes, situações na qual devemos pensar muito antes de resolvê-la, pois várias cabeças pensando junto sempre causarão múltiplas opiniões. Porém, apesar de alguns desentendimentos, o que me motiva a fazer trilhas é saber que existem ótimas companhias, pessoas que dão atenção e carinho umas às outras, além da adrenalina que esse tipo de aventura proporciona.

E o mais marcante, em uma trilha, é a harmonia de saber que o trajeto foi show, que alguém lhe ajudou e você também prestou ajuda, e no final, “apesar de alguns jeeps quebrados”, a trilha foi tranqüila. As dificuldades no trajeto e os jeeps também são fatores que me atraem muito nas trilhas.

Não tenho muito conhecimento sobre a manutenção de um jeep, apenas o básico: acelerar muito e frear pouco e, para trocar pneu, agente chama algum homem! E como nós, mulheres, não temos muita experiência em manutenção, o que realmente eu cuido muito numa trilha é a temperatura do jeep.

Até agora eu só tive um jeep (um Suzuki lindinho, cheio de florezinhas), mas já fiz muita trilha no jeep do meu marido (um Willis). Normalmente, antes de uma confraternização assim, é necessário revisar o jeep na oficina. Após o trajeto, geralmente também surgem algumas manutenções a serem feitas. Isso irá depender da seqüência de trilhas feitas durante o mês.

Em uma trilha, ninguém tem função especifica. O que normalmente se nota é que os homens se preocupam com o jeep e com a bebida e o restante, como sanduíche, repelente, protetor solar, primeiros socorros, somos nós, mulheres, que sempre lembramos de levar. Os acessórios que levo comigo são, dentre outros: bota de borracha, luvas, protetor solar, roupas, repelente e primeiro socorros, esses dois último considero indispensáveis.

Ao organizar uma boa trilha, as prioridades não se restringem apenas em andar de jeep e sim marcar o trajeto a ser percorrido com muita antecedência, para que todos os envolvidos na organização saibam percorre-la sem a planilha. Envolve também as inscrições que devem ser bastante claras e rápidas, pois quanto menos tempo tomar dos participantes, melhor será. Uma boa equipe de apoio também é necessária.

Os aspectos mais importantes que devem ser observados ao traçar o percurso são os locais por onde os veículos irão passar: significa que, se as terras são particulares, deveremos ter autorização para esse percurso. Também não deve-se dificultar muito a passagem pois, normalmente, o número de participantes atinge 100 jeeps, e o local fica de difícil acesso após a passagem de 10, 20 veículos. Verificar o tempo do percurso é importante, pois devemos observar o tempo exato ou, pelo menos, não entrar a noite fazendo trilha.

Uns dos maiores desafios que enfrentei em uma trilha acho que foi em junho de 2002, em Palmares do Sul. Passei o dia e a noite toda perdida na trilha, estava muito frio e chovendo muito, estávamos em um grupo de aproximadamente 30 jeeps, quando nos damos conta de que a noite caiu e ninguém achava o caminho. Passei frio e fome, mas o que mais me deixou aflita foi o fato do jipeiro Rodrigo ter passado mal, ele tinha febre, náusea e dor de cabeça, além do frio horrível, pois suas roupas estavam molhadas. Troquei de roupa com ele, coloquei meu moletom e jaqueta nele e coloquei as dele (molhadas). O frio era horrível, arrecadamos a blusa de um a calça de outro e fiquei no banco de trás com ele com varias roupas por cima. Eu tinha só um analgésico e algumas bolachas.

Eram duas horas da madrugada de domingo quando o pessoal da organização foi nos buscar, porém, não pudemos ir, pois havia um troller com os quatro pneus murchos e mais o Rodrigo que já estava melhor, porém muito nervoso. Então resolvemos ficar sozinhos (03 jeeps) até o dia amanhecer. Foi muito estranho, pois durante a noite não se enxergava nada ao redor e quando o dia clareou pudemos ver que havia uma lagoa bem próximo (por isso tinha muito vento), era uma fazenda. A preocupação voltou já que o combustível estava no fim e não sabíamos onde era a saída.

No trajeto eu rezava muito para tudo dar certo, encontramos vários jeeps atolados e abandonados no caminho. Eu nunca me senti tão feliz em ver o asfalto. Eram nove horas quando chegamos à sede do jeep clube. O pessoal estava nos esperando com uma feijoada maravilhosa! Depois de passado o sufoco, eu pude dizer que foi a melhor trilha que já fiz e nunca mais vou esquecer.

Se você acha que fazer trilha é bom, pode ter certeza que, depois da primeira, vai achar maravilhoso!!

Equipe INEMA

Fonte: Maqueli Padilha
Cidade: Porto Alegre-RS
Fotos: Nei Eugenio Maldaner
Publicado: Daiana Ruff da Silva
DATA: 18/06/2004 <%insert_data_here%>

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Trilha das Mulheres Apaixonadas

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