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Vivendo o pára-quedismo de forma plena

O carioca Cláudio Salsicha, 37 anos, é uma pessoa que vive o pára-quedismo plenamente. Confira a história, as motivações e as dicas desse apaixonado pela vida!

Pára-quedismo, na vida de Salsicha, é sinônimo de diversão. “Antes de tudo, o que eu busco no pára-quedismo é aquilo que todos devem buscar na vida: divertir-se, ter prazer. Tudo que a gente faz tem de ser feito dessa forma, caso contrário, não vale a pena ser feito. O objetivo de tudo é a felicidade, e essa felicidade está em nós mesmos, vamos descobrindo isso a cada dia”, declara ele, que se beneficia muito com os saltos. “O pára-quedismo proporciona confiança, tranqüilidade, faz a adrenalina circular e te deixa vivo”.

O ambiente do skydive é especial para ele. “É muito mais do que o salto. A atmosfera da área, o dia inteiro que você passa lá e nem sente. E ainda tem o salto. É tudo!”, afirma ele, que também valoriza todas as práticas esportivas. “Para todas as pessoas o esporte deveria ser importante, não importa qual, mas o que vale é praticar um ou mais esportes”.

Salsicha salta há cerca de oito anos e é instrutor há três, no Barra Jump, Rio de Janeiro. Ele ministra os dois cursos que existem: o ASL, onde o primeiro salto é enganchado (o pára-quedas abre assim que sai do avião), e o AFF, mais moderno, onde o aluno, já no primeiro salto, sente o prazer da queda-livre, com dois instrutores segurando o aluno e podendo passar instruções durante o salto. “Nos dois casos há necessidade de se fazer um curso teórico, de aproximadamente 8 horas”. Trabalhando e se divertindo ao mesmo tempo, Salsicha encara o esporte com a seriedade necessária. Ele, que também é cameraman, já saltou aproximadamente 500 vezes.

O seu primeiro salto foi do tipo ASL, com a fita para abertura automática do pára-quedas principal. “Não havia o curso AFF na época. Saber o que eu senti é muito difícil, pois acho que não senti nada entre a saída do avião e a abertura do pára-quedas (que de fato é um tempo muito curto), pois nem percebi esse tempo. Depois, com o velame aberto, é que comecei a curtir. Com o tempo a gente vai aprendendo a perceber a queda, mesmo no ASL. Quem faz o AFF já começa com 30 segundos de queda-livre junto com dois instrutores”, relata ele.

O processo de aprendizagem do carioca aconteceu dentro da normalidade, fez o curso ASL no tempo normal, ou seja, 16 saltos. “Na verdade, qualquer curso é uma progressão, e a gente vai aprendendo aos poucos. Mas o melhor mesmo é poder dizer que ainda hoje, a cada salto, a gente aprende um pouco, pois durante a instrução, tanto aluno quanto instrutor aprendem, e isso é fantástico”, ressalta ele.

Salsicha relata que o seu primeiro salto sem fita foi uma das melhores vivências da sua vida. “Eram cinco segundos de queda-livre e eu tinha de comandar. Fiz minha saída do avião e comecei a cair. Foi algo tão maravilhoso que eu deixei cair, não queria que aquilo acabasse. Ao final dos 5 segundos, olhei o altímetro e ainda estava a uma altura segura, então deixei cair mais um pouco, para continuar aproveitando aquele momento. Depois comandei, exultante”, lembra.

Um sentimento muito presente nesse tipo de esporte é o medo, e o pára-quedista diz que ele nada mais é do que um verdadeiro aliado, se controlado for. Portanto, o pára-quedismo ensina a lidar com o medo de uma forma segura.

Antes de cada salto, o instrutor segue um ritual para preparar o físico e a mente. Em primeiro lugar, ele tem uma boa noite de sono, o que é bem importante; chega na área de salto com antecedência para preparar o material para ele e o aluno; fazem alongamento. “O ambiente é de muita descontração, mas a partir do momento em que vamos saltar, a mente começa a se concentrar no que vamos fazer. No próprio avião, o salto é repassado mentalmente. Pratico Yoga, e isso me auxilia muito na hora de saltar, tanto na parte muscular quanto na parte mental. Utilizo exercícios de Yoga com meus alunos para acalmar os mais ansiosos, para acordar os mais desligados e também para preparar a musculatura”, ensina ele.

Salsicha relata sobre uma situação de risco pela qual passou em uma cidade do interior, quando foi fazer um salto de demonstração com os colegas. Eles não conheciam o lugar, então, chegariam de avião e pousariam em uma área marcada. Sobrevoaram a pista, identificaram a área, a direção e intensidade do vento, combinaram o padrão de pouso, a ordem de saída do avião e as alturas de abertura dos pára-quedas. Tudo foi perfeito, até que, na hora de pousar, a área começou a encher de crianças, provenientes de todos os lados. “Parecia que brotavam da própria terra. Todas exultantes e exatamente onde iríamos pousar, pois queriam nos ver mais de perto. Já não tínhamos mais altura para escolher outra área de pouso, e à nossa frente não víamos mais chão, apenas crianças. Tivemos de desviar delas como podíamos, e aquelas que saíam da frente dos pára-quedistas que estavam pousando, acabavam indo para frente do seguinte a pousar. Tive de fazer uma curva mais forte para evitá-las e acabei chegando com mais velocidade ao chão, em uma posição que não era a de pouso. Agredi um pouco a mãe-Terra, mas não cheguei a tirá-la de sua trajetória no espaço! Depois de prontamente atendido, verificamos que foram apenas alguns arranhões!”

Para um salto seguro, algumas medidas são necessárias, as quais Salsicha resume. “Cada atleta é afiliado a um clube, este a uma federação e esta à Confederação. Cada uma dessas entidades tem regras que devemos seguir. Além disso, precisamos adotar normas da aeronáutica também. Para cada salto em uma determinada área, temos de ter uma autorização da aeronáutica, solicitada com grande antecedência. Antes de cada lançamento, o piloto tem de entrar em contato com a torre de controle. Aqui no Rio de Janeiro, até mesmo a torre do aeroporto internacional Tom Jobim (Galeão) tem de ser notificada e autorizar”. Também ele lembra sobre a checagem dos equipamentos, três vezes antes de cada salto (depois de se equipar, antes de entrar no avião e antes de sair dele), seguindo uma ordem pré-estabelecida para verificarem todos os itens. O local onde irão pousar deve estar bem marcado, com biruta, para indicar direção e intensidade do vento, e sem obstáculos. “Como se vê, a segurança está sempre em primeiro lugar”.

Os equipamentos completos e assessórios a serem usados varia se a pessoa é aluna ou não. O aluno deve usar capacete, rádio, óculos, altímetro e, caso salte próximo à superfície líquida (rio, lago, lagoa, mar), tem de usar uma bóia inflável. “O equipamento do aluno já vem de fábrica especialmente para instrução e não admite qualquer adaptação. Todo o material utilizado deve ser original, e caso haja necessidade de substituição, temos de importar, pois nada é fabricado no Brasil. É um esporte onde não cabe o ‘jeitinho’, a adaptação. Além do pára-quedas principal, ainda tem o reserva (obrigatório), que possui três dispositivos de abertura: manual, semi-manual e automático. O equipamento do aluno deve ter dispositivo de abertura automática, que abre o pára-quedas se, a determinada altura, isso ainda não for feito.Em saltos filmados, o cameraman também tem responsabilidade na segurança do salto”.

Durante todo o processo de um salto, cada fase tem as suas próprias particularidades, e o aluno e o instrutor são preparados para cada uma delas e sabem como reagir adequadamente. “O aluno só salta quando demonstra que está habilitado para tal”, assegura o instrutor.

Revelando sobre o momento de maior satisfação e adrenalina, Salsicha confessa que é a queda-livre. “A liberdade de não ter nada te segurando, o domínio que você tem sobre o corpo, a sensação de voar. Se eu fosse descrever, não haveria bytes suficientes. A pessoa tem de experimentar para saber o que é. E todos gostam”.

O pára-quedista conta que também curte bastante na abertura do velame, já que ele tem uma grande mobilidade, possibilitando diversas manobras, que também geram adrenalina. “A gente ‘brinca’ com o velame até determinada altura. Quando vamos iniciar o tráfego para pouso, nossa concentração passa a ser toda voltada para isso, até porque há diversos outros pára-quedistas se dirigindo para a mesma área. Todos seguem um mesmo padrão, assim, todos sabem o que o outro vai fazer”, explica o instrutor, que também nos conta que sempre há um escalonamento mantido no ar, ou seja, cada pára-quedista mantém sua posição relativa, quem está mais abaixo é o primeiro a pousar.

Para quem está pensando em saltar, Salsicha dá a dica: “Salte. Claro que é importante que isso seja feito com pessoas especificamente preparadas. As Federações e a Confederação fiscalizam a atividade e emitem carteiras, como uma carteira de motorista. Quem está habilitado tem a carteira. Peça a carteira, diploma ou certificado. Não é um favor que você pede. É uma obrigação do instrutor”.

Por estar vivenciando o skydive há tanto tempo, ele comenta a sua visão sobre o esporte. “Sou suspeitíssimo para falar. Adoro esse esporte e o tenho no mais alto grau de consideração. Nunca o vi como uma ameaça. Apenas como algo que eu não sabia o que era. Quando o conheci, me apaixonei”.

Da sua família, Salsicha é o único que salta, além de um primo que também curte. Porém, todos sabem que ele é apaixonado pelo pára-quedismo e dão apoio. “Além de mim, tenho um primo que gosta dessas coisas e já o levei para um salto, o qual filmei e fotografei. Minha família sabe que adoro este esporte, e eles vêem que é seguro, pois estou aqui para mostrar isso para eles”, finaliza o pára-quedista.

Contato com o instrutor Cláudio Salsicha:
Fone: 21- 2258 0700

Equipe INEMA

Fonte: Cláudio Salsicha
Cidade: Rio de Janeiro-RJ
Fotos: Cláudio Salsicha
Publicado: Daiana Ruff da Silva
DATA: 02/07/2004 <%insert_data_here%>

 

 

 

 

 

 

 

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