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A Semana Farroupilha, instalada no Parque Harmonia, aconteceu de 14 a 20 de setembro de 2004. Entre os participantes da maior festa tradicionalista do estado está o Clube de Truco Pitoco. Saiba mais.
Nei Fagundes Machado, presidente do Clube de Truco Pitoco, recebeu a equipe do INEMA com muita hospitalidade e propôs uma breve explicação sobre a essência do jogo do truco e um pouquinho de sua história, além da formação do que você poderá acompanhar a partir de agora.
“O jogo do truco é mais um esporte tradicional no Rio Grande do Sul. Joga-se com cartas, mas não são somente as cartas que decidem o jogo. Há muita participação do jogador. Todos devem já ter ouvido ou visto que durante o jogo se ri, se grita, se brinca, porque é um jogo de confraternização. È rogado no extremo sul da América: Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil. No Brasil entrou na época da Guerra do Paraguai, em que na folga das batalhas se jogava isso”.
“È um jogo de blefe, em que o jogador sempre finge a situação contrária a da sua realidade. Então se ele está mal de cartas, finge que está bem e se está bem, finge que está mal. Contudo, é um jogo que serve muito pra aquilatar o poder de convencimento e convicção também dos jogadores, a ponto de estar alastrado no RS, como costume para muita gente. Há uns quantos anos, lá na década de 50, várias pessoas oriundas da fronteira desses países do sul da América, se reuniam em ocasiões de festa, de aniversários e outras ocasiões e jogavam o truco”.
“Ele pode ser jogado um contra um, dois contra dois ou três contra três. O esporte se alastrou de tal forma a ponto de servir como referência junto ao tradicionalismo no RS e junto ao CTG 35. Ari Delgado, Jaime Caetano Braum, Ciro Gavião, Aparício Silva Rilo e tantas outras figuras do estado, governadores, presidentes, todos jogavam truco”.
“Esse truco era jogado esparsamente até que surgiu uma idéia da gente se reunir, formando o Clube de Truco Pitoco, porque difere do truco jogado em Santana do Livramento que é um truco de amostra e o nosso é mais curto e mais cego chamado Pitoco. Uma das diferenças entre os jogos é que as cartas têm valores diferentes e os pontos, diferem das regras basicamente”.
“Temos como patrono o historiador e folclorista Antônio Augusto Fagundes que é que o faz com que a gente, além do jogo do truco, estude o folclore e a tradição. Quase todo o nosso grupo estuda o folclore, estuda a história do Rio Grande do Sul, os costumes do estado, a ponto de nós nos considerarmos integrantes do Movimento Tradicionalista”, conta.
O clube considera como data de fundação a década de 50, porque foi quando começaram a se reunir de fato. Reúnem-se na sede Clube Caminho do Meio, na Rua São Manoel, nº 556, localizado nos fundos do Hospital das Clínicas. Todas as segundas-feiras ocorrem reuniões oficiais onde jantam, jogam e ficam atentos a receber bem quem os visita e a responder as perguntas existentes. A ala jovem do clube, com cerca de 10 integrantes participa de competições, mas os veteranos, cerca de 20, não, pois ficam mais como uma espécie de conselheiros.
“Não só se joga no Clube de truco Pitoco. Durante a Semana farroupilha vamos desfilar, uns a cavalo e outros em caminhão alegórico, em que vamos apresentar o laçador em e um de nós irá se vestir exatamente como ele. Nós participamos ativamente do Movimento Tradicionalista Gaúcho, temos músicos no nosso clube e vamos lançar quatro livros de associados nossos”, explica Nei que também tem uma obra sua lançada, chamada de “Meu Baú de Versos”.
O Clube de Truco Pitoco está fazendo um esforço para que essas construções permaneçam no parque, pois tem um alto custo para armar toda a estrutura e também para que de repente se faça como elemento de cultura do município, com salas de aula, salas de exposição, oficinas de artesanato, concursos de poesia, concursos de música. “Uma obra dessa natureza é uma judiaria que dure apenas 20 dias”, acredita Nei Fagundes Machado.
Fonte:
Nei Fagundes Machado Cidade:
Porto Alegre-RS-Brasil Fotos: INEMA Publicado: Vanessa Ioris Date: 17/09/2004
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