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Escalando a Aguja Frey

Confira a Aventura de Elton Fagundes (montanhista), Jeferson Calvette (médico), Luís (farmacêutico)e Luca Silveira (cinegrafista) que em "meados de dezembro de 2003" escalaram a Aguja Frey na Argentina.

Em meados de dezembro de 2003 a equipe formada por Elton Fagundes (montanhista), Jeferson Calvette (médico), Luís (farmacêutico) Luca Silveira (cinegrafista) resolveram repetir a façanha de Jéferson e Luís de escalar a Aguja Frey uma formação de granito sólido localizada no Parque Nacional Nahuel Huapi, toda a paisagem do parque é marcada por dezenas, senão centenas, de agulhas que proporcionam excelentes escaladas.

O Parque Nacional Nahuel Huapi (nahuel = tigre, huapi = ilha ) fica nas províncias de Rio Negro e Neuquem. É o maior e o mais antigo parque da República Argentina. No caminho a Bariloche destaca-se o majestoso Monte Tronador com 3.500 m. Estamos na região Andino - Patagônica; que divide-se em três principais zonas: altoandiana; de bosques úmidos e de estepes. Compreende áreas montanhosas com numerosos lagos de origem glacial, pois está na encosta Leste da Cordilheira dos Andes, existem nas estepes, rios pedregosos e límpidos No verão chove e a temperatura fica em média em torno de 18 Cº. No inverno que mais seco a temperatura média é de 2Cº.

De certa forma o parque é preservado na sua grande maioria espacial, mas a presença humana com vilas e a própria cidade de San Carlos de Bariloche causam muito impacto ambiental onde ocorrem. Cito também a ocorrência de incêndios no verão (muitos provocados), causam danos ambientais, o que foi constatado por nós na trilha para o Refúgio Frey que se encontra aos pés da Aguja Frey, mas faço aqui uma referência à consciência ecológica dos grupos de alpinistas de vários locais do mundo, muitos brasileiros acampados em volta ao lago Toncek. A temporada 2003 provou definitivamente que esse é um dos locais de escalada favoritos dos brasileiros.

A melhor época para desfrutar ao máximo todas as potencialidades que o local oferece é, sem dúvida, o verão. A partir de dezembro até fins de março é possível escalar, mas janeiro e fevereiro são os melhores meses para se escalar em toda plenitude as suas numerosas agulhas. A temperatura, embora amena, pode chegar durante a madrugada a alguns graus abaixo de zero, e durante o dia, 10 a 18 graus. Já entre setembro e novembro é possível escalar as agulhas com roupas de frio mais pesadas, botas de gelo, piquetas, passando por cascatas de gelo; muito semelhante as condições alpinas.

A característica principal das vias é o estilo tradicional, com uso de material móvel em fendas de granito, ou seja equipamento é colocado em fendas pelo escalador - guia e retirado após o último escalador concluir a via, na maioria das vezes as fendas são consistentes, com muitas paradas em móvel e as vezes algumas enfiadas com proteção fixa em chapeletas e pitons.

A via de escalada na qual foram gravadas as imagens em vídeo pela equipe denomina-se a “Sifuentes Weber” com dificuldade 5+, localizada na Aguja Frey, a principal característica observada pela equipe na escalada foi que a via possuía muitas fendas, muitas paradas em material móvel, foi necessário o equipamento básico de escalada e algumas peças repetidas: Stopper, Camalots, costuras, mosquetões soltos, fitas de escalada, 03 cordas de escalada de 60 m e o sempre obrigatório capacete.

A escalada ocorreu sem maiores problemas a primeira parte foi guiada pelo Luiz, uma fenda bem consistente e muito bonita, na primeira parada avistamos outros alpinistas realizando o final da via, bem na nossa frente. A segunda enfiada foi realizada pelo Elton, eu estava escalando entre a equipe para conseguir imagens da saída e chegada dos pontos de parada, na segunda parada já estávamos com boa visão de todo o Lago Toncek e pequenino estava o refúgio El Frey. A terceira parte foi guiada pelo Jéferson e possuía alguns lances em negativo, aumentando gradativamente a dificuldade da escalada.

Começou a ventar muito e nosso progresso era lento em função de sermos quatro escaladores, mas a visão da última parada era indescritível, com certeza valendo qualquer esforço. O último lance foi guiado mais uma vez pelo Elton que era o escalador mais experiente da equipe, os obstáculos foram vencidos com tranqüilidade, um a um, fomos chegando ao cume da Aguja Frey ventava muito e o cume era muito pequeno, quase não cabia nós quatro, mas os momentos passados lá em cima foram mágicos.

Texto:
Luca Silveira

Fonte: Elton Fagundes
Cidade: Argentina-EX
Fotos: Elton Fagundes
Publicado: Priscila Ramos
DATA: 23/09/2004 <%insert_data_here%>

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