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Com o objetivo de registrar pequenas e grandes memórias de Porto Alegre/RS, Carlos Alberto Souza, o “Litus” e sua máquina não perdem nenhum detalhe. A Equipe do INEMA quis saber um pouco mais sobre seu trabalho. Confira.
Litus vem estudando a fotografia desde 1987. A princípio sua relação com a ela era a título de buscar imagens para realizá-las através da pintura, pois sua verdadeira origem são as artes plásticas. Fotografava cenários da natureza e remetia para a pintura. Fotografava a natureza, sem nenhum critério basicamente. Poderia estar passando por um lugar bonito em qualquer hora, que ao julgar interessante, acabava registrando-o. Depois fazia a seleção desse trabalho e realizava suas pinturas. “Não que eu pintasse aquelas imagens exatamente, mas elas me inspiravam ou me davam detalhes para inserir na minha pintura”, conta.
Até que há uns oito anos começou a estabelecer um vínculo tão forte com a fotografia e passou a dedicar-se a ela exclusivamente. O trabalho inicial foi voltado à natureza, em que chegou a fazer uma exposição no ano 2000 sobre o pôr-do-sol na orla do Guaíba, que deu ênfase à região central que seria a orla entre a Usina do gasômetro e o Estaleiro.
Mais tarde, passou para uma outra etapa: as fotos em preto e branco. Foi devido um trabalho autoral, o qual se dedica há quatro anos. Ele vai em busca da imagem e diz que trata-se de um trabalho de criação e não um trabalho direcionado. “O fato de escolher o preto e branco é por essa técnica disponibilizar um cunho mais artístico, te deixar mais centrado na parte da composição e da nuância do claro e escuro, se tornando outra linguagem, ao contrário da foto colorida que passa muita informação de forma e de cor”, explica.
Esse trabalho autoral sobre Porto Alegre é focado na parte de prédios e monumentos históricos da cidade. O intuito de Litus é de fazer um registro, além do enfoque artístico, pois a tendência do passar dos anos é que esse material desapareça. “Hoje em dia uma cidade sem memória, desaparece”, acredita o fotógrafo. Os monumentos históricos da cidade e os prédios não recebem o tratamento que deveriam, assim Litus acredita que esteja fazendo um bem para Porto Alegre, registrando esses fatores para que fiquem como um legado.
Cerca de 300 fotos compõem o acervo sobre os prédios, principalmente da zona central de Porto Alegre, onde mais se encontram monumentos históricos. "Apesar de muitos prédios na década de 60 e 70 terem indo à tona, o centro continua sendo a parte mais rica da cidade". São os prédios do início do século que estão dentro da corrente positivista que chamam a atenção do fotógrafo. “O positivismo é uma corrente filosófica do início do século, então aqueles prédios ornados e cheios de escultura e decorações, faziam um sentido naquela época. Ao estudar a história desses prédios, sabemos o significado desses detalhes. Isso é muito interessante e me fascina”, enfatiza.
Litus seleciona as melhores fotos e as amplia em alguns tamanhos. O objetivo final desse trabalho é a edição de um livro com as imagens e pinceladas de curiosidades sobre determinados prédios, grande sonho de Litus. Já possui 90% do trabalho concluído.
Esse trabalho tornou-se complicado, pois depende de ângulos e luzes. Como não se pode mexer num prédio, nem mudá-lo de lugar, a iluminação adequada, existem determinados prédios que precisa esperar meses para ter uma insolação mais adequada no ângulo de sua preferência. Tem que jogar com o tempo para pegar uma melhor iluminação, o que faz o trabalho ficar demorado. Agora na primavera poderá fazer algumas fotos que espera há algum tempo. A iluminação o força a ter horários para fazer determinadas fotos. Segundo ele, os melhores horários para fotografar são de manhã cedo ou pelo entardecer. Além disso, às vezes fotografa à noite e já sofreu alguns sustos no centro da cidade. O seu critério de escolha vai de acordo com o que se enquadra ao seu trabalho. Prédios mais antigos do início do século.
Além desse trabalho autoral, também tira fotos de cunho comercial, como fotografia documental, eventos, congressos, o que faz parte do seu dia-a-dia. Chegou a realizar um trabalho para dois piquetes durante a Semana Farroupilha de 2004, a parte de narrativa do piquete, mostrando desde a instalação no Parque harmonia até o acompanhamento no desfile no dia 20 de setembro, mesmo debaixo de muita chuva, como lembra.
Será feita uma grande exposição do trabalho de Litus no ano que vem. O próximo projeto quando encerrar este, será o de fotografar túmulos de um cemitério. A arte no cemitério. “O lance da morte sempre me fascinou, pelo fato ser a única coisa certa na nossa vida”, diz. Existem cemitérios repletos de imagens sacras e objetos de santos, anjos, que dariam um bom trabalho.
Para quem deseja adquirir o bonito trabalho realizado por Litus, pode entrar em contato pelo telefone (51) 96393709 ou pelo e-mail litus@terra.com.br.
Fonte:
Carlos Alberto Souza (Litus) Cidade:
Porto Alegre-RS Fotos: Carlos Alberto Souza (Litus) Publicado: Vanessa Ioris DATA: 27/09/2004
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