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Apaixonado por aventura, o caminho de Alexandre Cappi não poderia ser diferente - trabalhar em meio a natureza. Já realizou diversas expedições registrando muitas imagens e captando todas as informações e curiosidades dos inumeros locais que visitou!
"Ao invés de embutir um produto na cabeça das pessoas, queria aproveitar meu conhecimento e minhas habilidades para transmitir algo de verdadeiro ao mundo e, da mesma forma, poder fazer algo por ele." Foi este sentimento que fez Alexandre Cappi tentar ser mais feliz com seu trabalho. Em 2000, após concluir faculdade de comunicação com ênfase em Publicidade e Propaganda na Universidade de Ribeirão Preto (SP) e um estágio em uma emissora de TV, ele teve de ir morar em uma cidade que não lhe agradava muito para tentar se dar bem. "Como um quarto dos formados no Brasil continua desempregado, já sabia que teria de ganhar a vida em São Paulo..." E assim tudo começou.
Após um ano de agências de publicidade e uma produtora de vídeo, "quando estava quase louco com tanto trânsito e a eterna condição de estagiário", priorizando a qualidade de vida, ele resolveu garimpar suas duas décadas de história em busca de uma vocação reprimida. Entre todas as coisas que mais gostava de fazer, encontrou três pepitas: Viajar, fotografar tudo e contar a história.
Segundo Alexandre, seu gosto pela aventura vem desde os dias de moleque endiabrado do interior, sempre dando a perdida em seus pais e aprontando as aventuras mais arriscadas. "Eu atravessava praias e mais praias pelas rochas, quase me afoguei um montão de vezes, escalava árvores centenárias, caçava siris na calada da noite, adorava explodir bombas, sempre em busca de algo perigoso. Hoje troquei o perigo pelo risco e pela adrenalina", explica.
Já a atração por fotos surgiu em 1998, logo no início da universidade, quando tinha como disciplina obrigatória um curso de fotografia. "Quando acabou a matéria senti muita falta da câmera e comprei uma só para mim", lembra. "Daí pra frente haja dinheiro com tantos filmes e revelações!" completa. Agora, ele está digitalizando todo seu acervo para lançar um banco de imagens. São cerca de oito mil fotos com os temas de suas especialidades: natureza, ecoturismo e esportes de aventura.
Para ele, ter cursado Comunicação Social, mesmo com ênfase em publicidade, o ajudou muito a enxergar criticamente a face capitalizada da informação. Hoje, ele diz que sua formação influi positivamente nos textos que cria, pois a paixão pela narrativa nasceu da construção de frases persuasivas e das técnicas da redação publicitária. Atualmente, ele afirma que usa o que aprendeu para atrair e conduzir o leitor através de um conteúdo cultural e de uma ótica singular. "Na verdade a universidade não forma estudantes. Forma homens e mulheres com uma visão mais abrangente de suas escolhas", ressalta.
No meio editorial, Alexandre começou a elaborar reportagens com texto e fotos para o site 360graus. Após receber o feedback do conteúdo cultural de suas matérias, resolveu colaborar com a Revista Aventura e Ação, onde ficou por mais de um ano.
Diversas expedições já fazem parte da carreira de Alexandre. Por enquanto, ele diz que ainda tem muito o que explorar no Brasil e acha prematuro sair pelo mundo sem conhecer e registrar os principais destinos turísticos deste país. "Hoje posso dizer que conheço bem as regiões sul, sudeste e centro oeste. Estou guardando o melhor para o final e, em breve, organizarei expedições pelo norte e nordeste", comenta. Em todas suas viagens, ele sempre vai acompanhado de alguém, jamais viajou sozinho. Ele deve a este fato a difícil tarefa de sair por aí carregando 10 mil reais em equipamentos. "Por segurança é bom contar com a presença de um amigo(a). Sempre estou à procura de boa companhia e de um modelo(a) para as fotos."
Até o momento, Alexandre considera como sua melhor expedição uma viagem que realizou pelo Guia dos Mochileiros em 2003. Sua função era mapear toda infra-estrutura turística praiana compreendida entre os Estados do Rio de Janeiro e Santa Catarina. Ele conta que foram 40 dias de muita correria, pois além de fotografar, escrever e catalogar inúmeros lugares, resolveu filmar os bastidores da expedição e transformá-lo num programa-piloto para televisão. "Foi uma grande superação executar todas essas funções, inclusive voltar de guincho para São Paulo com um motor diesel fundido. Fiquei sem transporte uns meses, mais valeu à pena".
Não é o próprio Alexandre quem escolhe seus roteiros, e sim seus editores, mas nem por isso deixa de elaborar sugestões de pautas e de participar dessas decisões. Segundo ele, o objetivo de cada expedição varia de acordo com o propósito do veículo em que será divulgado. Ele afirma que mesmo viajando a serviço, não deixa de curtir o lugar só porque está trabalhando. "Mesmo em finais de semanas comuns levo a câmera para adquirir e registrar diferentes técnicas de escalada. Minha função é fazer o que gosto: praticar esportes e contemplar a natureza", diz. A única exceção é a virada do ano, sua oportunidade de reencontrar amigos de infância. Mesmo assim jamais abandono a câmera fotográfica!
Além de ser um apaixonado por fotografia e aventuras, ele também curte todos os esportes, principalmente os que envolvem adrenalina e aventura. Já saltou de pára-quedas, mergulhou a noite, explorou cavernas, desceu corredeiras de rafting e caminhou mais de 10 dias no meio do mato. Também já praticou natação, canoagem, bike, karatê, e outros. Mas seu forte mesmo parece ser o montanhismo, o qual pratica há 10 anos.
Ele fez alguns cursos e workshops relacionados ao montanhismo e à escalada, além do maior aprendizado de todos, que vem com a prática e informações trocadas entre amigos. Outro curso importante que fez é o de Socorrismo em Áreas e Ambientes Remotos, pela Adventure Factoring. Hoje, Alexandre diz que tem a consciência e a instrução de poder duelar contra morte e talvez salvar a vida de uma pessoa acidentada.
O maior pico que Alexandre já escalou foi o Dedo de Deus, com cerca de 1.800 metros de altitude. "A sensação... a coisa mais louca de toda minha vida!" expressa. Esta foi a primeira vez que escalou em rocha e logo começou com uma via clássica, onde levou cerca de 25 horas para finalizá-la. Ao final, ele lembra que estava muito mais realizado de chegar de volta à rodovia do que quando chegou no cume da rocha. "Uma longa aventura onde descobri todos os meus limites físicos e psicológicos."
Um lugar para onde Alexandre ainda não foi e gostaria muito é a Nova Zelândia. "Sonho em explorar os cenários da trilogia Senhor dos Anéis, interpretado pelo Diretor Peter Jackson. Também sou fã de carteirinha de J.R.R. Tolkien que, com o objetivo de formar seus netos em noites inspiradoras, presenteou o mundo com dez mil páginas de seu fértil mundo fantástico". Mas ele ainda tem muitos projetos pelo Brasil mesmo. No próximo fim de semana embarca para a Costa do Dendê (BA), para cobrir a maior corrida de aventura do Brasil: o Ecomotion Pro. Alexandre informa que esse ano a competição foi incorporada ao AR World Series, o circuito mundial da modalidade. Serão sete dias de plena correria em 480 km de prova, além de uma competição à parte pelo melhor ângulo.
Conforme Alexandre, hoje, viver de aventura é muito difícil. Ele vem investindo seu suor no segmento há três anos e ainda não conseguiu deixar para trás trabalhos publicitários e freelas fotográficos. "Infelizmente a aventura ainda não paga todas as minhas contas e tenho que me desdobrar de alguma forma. O lado mais importante disso tudo é que já descobri o que realmente quero da minha vida. Agora, estou cada vez mais ciente das bifurcações existentes nos caminhos para se alcançar a tão almejada realização profissional", conclui.
Equipe INEMA
Fonte:
Alexandre Cappi Jr. Cidade:
São Paulo-SP Fotos: Alexandre Cappi Jr. Publicado: Tatiana Lopes DATA: 13/10/2004
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Foto: Ana Paula Brasil
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Curso de Primeiros Socorros em Ambientes Remotos
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Regionalismo - Caraíva/BA
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Foto: Camilo Rebouças
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Alexandre em Lazer
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