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No dia 15 de outubro de 2004, Ayumi Miyazaki, Nei e Giani Maldaner, na viagem ao Deserto do Atacama, no Chile, visitaram os Geysers de El Tatio, na região norte. Confira o relato de Nei!
Dia 15 - El Tatio
Levantamos cedo, era dia de ir ver os Geysers. Eram 3 horas da madrugada, deveríamos sair as 3h30 para irmos tranqüilos, pois o limite seria sair até as 4h. No começo tudo estava calmo, seguimos a rota que tínhamos no GPS feita pelo amigo Rolon. Achamos a estrada boa. Já tinham nos falado que, há uns dias atrás, um capotou em função das condições da estrada.
Ninguém nos seguia. Eu estava atento, pois as vans dos turistas deveriam aparecer a qualquer hora. Começamos a subir até que chegamos em uma região chamada de "Cuesta del Diabo" e a estrada começou a piorar cada vez mais, o carro parecia que ia se desmanchar. Meu painel do rádio parecia que ia cair fora a qualquer momento. Estávamos a mais de 3.500 metros de altitude.
O pior de tudo era que as "costelas de vaca" (como se chama no sul do Brasil) ou "calaminas" como eles chamam por aqui não terminavam, foram mais de 50 km. Na Land a porta de trás do motorista não abriu mais durante toda viagem, um problema para pegar e tirar as coisas do carro. A porta traseira também não abriu mais, mas depois de uns dias eu fiquei "fuçando" nelas até conseguir abrir. Outros problemas foram a braçadeira de uma mangueira de óleo que começou a vazar e o meu vidro que só abria até a metade.
Já o carro do Giani perdeu a luz, e tivemos que parar. Ele avisou pelo rádio que a temperatura do carro foi lá em cima! Estávamos na metade do trajeto, de longe dava para ver as luzes das vans. Imagine: ficamos no meio da estrada, o frio já dava sensação de zero grau. Paramos o carro e fui ver a temperatura, peguei uma trouxa de papel e fui verificar se a água estava mesmo fervendo. Com cuidado abri a água do radiador e vi que estava quente, mas não fervendo como já vi em outros casos. Estávamos em dúvida se deixávamos ali o carro ou rebocávamos ele.
E realmente estava muito frio. Seguimos então morro acima e a estrada não melhorava. As vans passavam por nós e eu ia um pouco à frente. Depois o Giani ia na frente para eu ir iluminando; a luz dele continuava fraquíssima. Agora já estávamos a 4.500 metros de altitude. Andamos mais uns 30 Km. O céu começava a clarear; já eram quase 7 horas da manhã, e os Geysers deveriam começar a agir.
Atrás de nós ainda vinham alguns carros, o que nos deixava mais tranqüilos. Quando chegamos aos Geysers foi ótimo, nem senti mais frio. Segui as vans que entraram em uma estradinha por dentro de riachos e estavam fumegantes, deveria ser água dos geysers. No GPS eu via que tinha que dar uma volta, mas como as vans estacionaram por ali, eu também deixei o carro e comecei a correr onde jorrava mais água e vapor. Era fantástico! Apesar de eu já ter assistido a diversos geysers na Nova Zelândia, aqui era diferente, tínhamos liberdade de ir onde queríamos, não tinha controle, assim era uma festa.
Aos poucos clareava cada vez mais, fomos andando para outros pontos, até que encontramos um grupo de brasileiros, fizemos fotos, e todos começaram a fazer seu café e a lanchar. As vans providenciavam para cada um. Fui atrás do nosso carro fazer nosso lanche também e tomar um chá de coca que a Ayumi sempre tinha quando viajávamos. Passando por alguns geysers vi que o pessoal cozia os ovos, e fervia leites nas caixas de papel.
Quando o sol saiu as imagens ficaram com outro colorido. Tudo ficou mais incrível. Percebi que estava congelando a água que saía dos geysers. A água ali sai com 80 graus, mas o frio é tanto que logo ela congela. Me informaram que estava marcando 8 graus negativos.
Lá no outro lado, o pessoal estava em outros geysers maiores e com controle para que carros não fossem para lá, além de um caminho e proteções para que as pessoas pudessem ver os geysers com segurança. Nesta parte os buracões são grandes, podendo uma pessoa cair ali dentro e, com certeza, seria um acidente terrível.
Na entrada tinha uma "piscina" que entrava água quente (a 80 graus) e se misturava com uma mais fria, assim muita gente foi tomar seu banho. O Giani também aproveitou. Enquanto isso fui dar uma olhada nos grandes geysers.
Finalmente todo mundo seguiu embora e nós ficamos ali e fizemos outro lanche. Depois seguimos viagem. Nosso plano era fazer outro caminho e conhecer cidadezinhas. Também queríamos ir para Calama levar o carro do Giani em uma concessionária. Seguimos de volta no primeiro trecho e a estrada estava muito ruim, mas depois melhorou, chegamos a 4.000 metros de altitude.
Fonte:
Nei Eugenio Maldaner Cidade:
El Tatio - Atacama - Chile-EX-Chile Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Tatiana Lopes Date: 13/10/2004
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Um lanche depois do banho
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