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No dia 18 de outubro de 2004, Ayumi Miyazaki, Nei e Giani Maldaner, na viagem pelo Deserto do Atacama, no Chile, fizeram a travessia do Chile para Argentina pelo Paso Sico.
Nossa saída foi marcada para as 8hs da manhã, mas acabamos saindo um pouco depois, pois "Los Gatosos" e a Ayumi queriam levar junto uns empadas (deliciosas), e também eles ainda tinham que abastecer. Nos encontramos no posto, onde o Giani estava com seu carro tentando descobrir quel problema poderia ser. Foi aí que Los Gatosos descobriram o problema, era a bateria que tinha cedido e rompeu o fio-terra, e assim pudemos dar um jeito. Amarramos a bateria e prendemos o fio, para a felicidade do Giani e nossa. Logo após seguimos em direção ao Paso Sico.
Paramos na saída da Cidade e passamos pela alfândega, em San Pedro fizeram a alfandega também. É uma burocracia, pois não tem portões. Fizemos os tramites legais e seguimos todos juntos.
No caminho cruzamos pela cidade de Toconao. Opetei por cruzar por dentro da cidade e tivemos uma grande supresa: Eles estavam em uma festa religiosa. Acompanhamos a festa. Era uma cerimônia com dois anjos e outros personagens enfeitados. As crianças e pessoas da cidade estavam todos enfeitados. Incrível as diferenças de cultura que temos. Pela redondeza as pessoas arrumavam folhagens fazendo arcos e enfeitando a cidade. As crianças e pessoas também se aproximavam fantasiadas, muito coloridas. Ali teve o encontro dos anjos com as comunidade e as crianças, se comprimentaram e foram juntos em procissão até a igreja.
O gaiteiro e os bumbos alegravam a procissão. Ficamos ali uma meia hora, mas como tínhamos centenas de quilômentros para fazer entre as duas fronteiras, seguimos adiante. Assim fomos até a próxima cidade - Socaire. Paramos para fotos, principalmente na igrejinha de lá. Neste dia estavam cheio de pessoas bêbadas por ali, acho que as outras andavam trabalhando nas minas de sal.
Na seqüência pegamos uma estrada de chão e o visual ia ficando cada vez mais belo com as montanhas surgindo. Conhecíamos uns atalhos e passamos na frente dos Gatosos. Na planície, a 3.500 metros, paramos para fazer uma foto deles. Esperamos e nada... Fizemos um lanche achando que eles tinham parado para um lanche também e, quando estávamos voltando, eles apareceram... Motivo do atrazo: mais um pneu furado. Já tinha acontecido o mesmo umas 7 ou 8 vezes. Fizemos a volta e seguimos eles. No caminho encontramos uma Toyota, eram dois Holandeses que estavam indo para o Peru cruzando o Paso Sico entre Argentina e Chile. Estavam em dúvida de onde passar depois do Atacama: ou iriam direto para o Peru ou atravéz da Bolívia. Uma dica: Se quiser estradas melhores, é melhor ir direto para o Peru.
Mais adiante o Giani paurou, pois os problemas no carro voltaram a aparecer. A bateria tinha soltado com a trepidação da estrada. Los Gatosos novamente deram apoio e firmaram bem com esticadores, que eu tinha. Mais alguns quilômetros e foi a vez deles trocarem os pneus, invertendo-os, deixando os mais resistentes para trás.
Seguimos fazendo algumas paradas para curtir o visual daquelas montanhas e ficamos para trás. Quando chegamos no Salar Águas Calientes, lindíssimo também, apenas menor em relação aos outros salares. De repente avistamos muitos flamingos e decidimos descer dos carros e nos aproximarmos deles. Eles nao se assutaram com o carro. Fui rastejando até chegar bem perto. a Ayumi morria de rir da forma que eu rastegei até eles! Tiramos fotos e me ergui, então eles levantaram vôo.
Voltamos a pegar a estrada e encontramos outra lagoa chamada Laguna Tuyaito. Avistei os outros dois carros d nossa expedição na frente parados; seguimos até eles e era mais um pneu furado. Enquato eles utilizavam um vedador, fomos andar de carro perto da lagoa. O Giani me assutou dizendo que poderia ter minas, mas era brincadeira. Fui até próximo do lago, e percebi que também tem muito sal por ali, além de muitos flamigos e lhamas selvagens. Há diversos tipos de lhamas, com mais pêlos, menos, grandes, pequenas... Não aprendi as diferencas entre elas, mas vou estudar isto outro dia. Com certeza aqui deveríamos ficar uma tarde toda, fazer um pequinique e curtir a região. Será uma das nossa atividades quando voltarmos.
A altitude que estávamos era de 4.500 metros, e subíamos mais. Passamos pelos outros carros e, novamente, paramos para curtir o visual. Ventava muito.. Avistei algumas coisas brancas e pontudas e decidi ver o que era. Chegando lá descobri que que era gelo! Muito legais os formatos, pena que estávamos de passagem, pois gostaria de ficar mais por ali para entender como se formava aquele gelo e suas respectívas formas. Conclui que o vento e o sol devem talhá-los assim. Na volta peguei um pedaço daquele gelo e levei até o carro. Mesmo já me queimando com o gelo o levei, pois queria colcoar no isopor. Acabei colcoando apenas no carro e seguimos atrás do pessoal. Logo ali na frente encontramos eles parados... Tinham furando o pneu de novo! Era o último estepe dos 3 que eles levaram.
Cheguei fazendo a festa e vendo o visual lá embaixo de um novo salar. Se furasse novamente algum pneu, o jeito seria usar um estepe do carro do Giani que era compatível com dos los Gatosos. Fomos até um posto policial, ali passamos nossas informações, que eles registraram em um livro. Também deu para sentirr o quanto é frio na região, o vento fez estragos ali levando galpões, retorsendo tudo. Percebemos ali que existem uma grande quantidade de rádios para emergência neste fim de mundo. A partir de então seguimos por longas planíces e encontramos o arco da divisa das duas fronteiras. Mais 11 quilômetros até a aduana argentina...
Argentina:
Nossa aduana complicou porque o pessoal exigiu passaporte. Sempre usei, mas nesta viagem acabamos partindo (Eum Ayumi e Giani) apenas com identidades. Não é que o policial disse que o Chile não fazia parte do Mercosul? Assim ficou um clima ruim, falei com ele explicando que já tinha passado assim por outros momentos, e que quando fomos a Puerto Mont, outros da nossa expedição passaram e voltaram com identidade. O policial então ligou para o chefe e ele aprovou a nossa passagem. É interessante levar sempre passporte. Los Gatosos tinham e passaram direto. Mesmo assim o pessoal nos atendeu com muita gentileza, nos deram até dicas de pegar um caminho de 18 quilômetros para um atalho e passar em uma ciadade de Catua.
Na saída o Jeep dos Gatosos não pegou, deu problema na partida e tiveram que fazer uma ligação direta. Depois mostraram que a ligação era uma chave-de-fenda no lugar da chave. Isso é por causa do treme-treme da estrada. Seguimos na frente até a cidadezinha de Catua. Na entrada havia um monte de lhamas. Como na entrada da cidade dizia Gomeria, que é borracharia em português, Los Gatosos e nós entramos. A cidade é bem típica dos andes, tudo de barro ou pedra.
Passeamos pela cidade enquanto concertavam os pneus. Foram duas ou três horas que ficamos por ali. Tinha uma caminhonete vendendo frutas e verduras, então aproveitei e conversei com o vendedor perguntando de onde vinha seus produtos, ele falou que tudo vinha de Salta e que as pessoas por ali passavam muitas dificuldades, pois não tinham nada para fazer a não ser trabalhar nas minas ou apoiando projetos sociais que o governo desenvolve. Uma dúzia de laranjas custa por lá um peso, que é igual a um real.
Passamos por mais um salar, todo rachado, e faltava ainda 68 quilômetros até San Antonio de Los Cobres, e já era final da tarde. Chegaríamos ao nosso destino ao anoitecer. Provavelmente dormiríamos lá. Realmente chegamos no pôr-do-sol. Na entrada da cidade encontramos muitas motos antigas e um caminhão cheio delas, descobrimos que elas estavam participando de uma competição. Foi ao posto pois era onde tínhamos combinado de nos encontrarmos. Todos estávamos cansados, trocamos idéias se ficávamos ali ou seguiríamos até Salta.
Faltavam 200 quilômetros até Salta. Desceríamos de 4.000 metros para 1.200, ainda de noite. Mesmo assim acabamos indo... Na verdade eu não deveria ter ido, pois dados nos mostravam que o trajeto leva muitas horas. A descida é muito lenta, ainda mais quando chegamos perto de Salta, onde a estrada é terrível, de chão, e nas curvas passava apenas um carro de cada vez. No outro lado tem um penhasco, que não tinha proteção alguma. Mas tem males que vem para o bem... Fui na frente sempre atento às luzes. Procurava um lugar para ficarmos.
Foi um alívio quando alguns caminhões passaram por nós, parecia que conheciam a região. Passaram em alta velocidade e nós fomos os seguindo até chegarmos em Salta, muitas horas depois do que tínhamos previsto. Eu e o Giani fomos direto dormir, a Ayumi e Los Gatosos foram ainda jantar. No meu pensamento deveríamos ter ficado em San Antonio de los Cobres, mas foi bom para aprender que, chegando o anoitecer, temeos de ficar na cidade mais próxima e não pegr a estrada.
Fonte:
Nei Eugenio Maldaner Cidade:
Chile - Argentina - Paso Sico-EX-Chile Fotos: Nei Eugenio Maldaner Publicado: Tatiana Lopes Date: 13/10/2004
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