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Geraldo Cardoso, o Gê, foi um dos precursores do Hockey no Brasil. Tem experiência tanto no gelo quanto com patins in-line. Conheça um pouco mais de sua história dentro deste esporte que envolve pura adrenalina!
“Quando tinha 18 anos fui movido pelo mesmo desejo... O primeiro passo foi tirar o visto canadense, que não foi fácil. Moro no Rio de Janeiro e aqui não tem consulado canadense, por isso eu tive que viajar para São Paulo de ônibus durante 6 meses. Na época, ninguém tinha saído do Brasil para fazer isso, então tive que provar para o Cônsul que eu não tinha intenção de trabalhar no Canadá e que o meu objetivo real era jogar Hockey!
Bom, essa dificuldade que tive foi só o começo, pois quando fui para lá, não sabia uma palavra de inglês e também não tinha idéia de onde ficar. Em outras palavras, quando cheguei no aeroporto no Canadá, foi que me dei por conta do que tinha feito: eu estava muito, muito longe de casa, não conseguia me expressar, havia deixado minha família, meus amigos, minha namorada, havia deixado tudo para seguir meu sonho que era ser profissional de Hockey! Detalhe: eu tinha 18 anos.
O meu primeiro endereço foi o YMCA, que segundo meu pai, era um lugar para jovens cristãos, mas ele esqueceu de me falar que era na época dele. Quando cheguei no YMCA de Hamilton tive uma decepção, pois lá se encontravam as pessoas que não tinham emprego e pessoas abandonadas pela sociedade. Era um clima horrível, mas fiquei durante três meses, até conseguir um trabalho na quadra onde treinava. Tinha que varrer um estacionamento coberto que não era limpo há 22 anos... Sou alérgico a poeira! Esse foi meu primeiro emprego e já dava para ajudar no orçamento. Por eu não ter permissão para trabalhar, eles me pagavam uma mixaria, mas valeu! Já tinha um “trocado” para comprar meus sticks que, naquele gelo, quebravam toda hora.
Para resumir, os primeiros 10 meses no Canadá foram de trabalho, solidão, dores musculares, mas também de muito treino e dedicação (6 horas por dia, todos os dias). Sentia que eu estava no lugar certo e as pessoas apoiavam minha decisão. O tempo foi passando e fui ficando mais familiarizado com o local e conhecendo pessoas que me ajudaram muito nesse desafio. Nessa altura já estava morando em um apartamento perto do Doublé Rinks e já treinando em uma equipe da categoria “Jr C”. As categorias são divididas em: Jr D, Jr C, Jr B, Jr A e Profissional.
Consegui participar de quatro jogos pelo Jr A e depois tive que voltar ao Brasil pelo fato de ter quebrado meu ombro. Nessa altura eu já tinha 21 anos e, em cada equipe, só eram permitidos três atletas que tivessem mais de 20 anos e três atletas estrangeiros. Como se pode ver, o tempo ficou curto para mim e não daria para eu me curar e voltar a tempo.
Meu período no Canadá havia se esgotado, mas meu sonho de me tornar profissional não! Após um ano já no Brasil, eu e meu melhor amigo Maurice Steiger, fundamos no Rio a primeira Escola de Hockey in-line do Brasil, na Lagoa (RJ), em uma quadra de tênis (1994). Conseguimos, na época, recrutar 250 alunos em horários diferentes. Foi um sucesso, sendo reconhecido pela imprensa e, assim, divulgado nacionalmente. Permanecemos neste local até 1996, depois fomos levados para o Jockey Clube do Rio de Janeiro e, em meados de 1998, fui convidado para fazer testes em um time Profissional em Tampa Bay, onde não foi ainda desta vez que consegui concretizar meu sonho, mas sabia que ainda poderia.
Em uma conversa ao telefone com meu agente na época dos EUA (Dan Dalene), ele me disse que havia um time na Carolina do Note que estaria interessado em mim, então parti para lá. A essa altura eu havia sentido que seria minha última tentativa por já ter 25 anos e ter que recuperar o tempo perdido financeiramente. Resumindo a história, o time me aceitou! Havia concretizado o meu sonho e me tornado o primeiro profissional de Hockey do Brasil.
Hoje tenho uma escola de Ice Hockey, ainda a Mad Parrots com 80 alunos e vivo disso. Conto isso para mostrar que não é impossível realizar um sonho. Se você tem algum, por que não realizar? Hoje sou uma pessoa esclarecida com meus sentimentos e segura por ter vivido essa experiência!”
Fonte:
Geraldo Cardoso Cidade:
Rio de Janeiro-RJ Fotos: Geraldo Cardoso Publicado: Tatiana Lopes DATA: 11/11/2004
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