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Atenção com as Cordas de Rapel!

Sandro Marcos da Silva é um montanhista experiente e grande conhecedor do esporte. Abaixo ele dá algumas dicas aos internautas que curtem rapel sobre a atenção eu se deve ter com as cordas!

O grande perigo no comércio de cordas
A utilização de cordas para rapel e escalada vem se tornando cada vez mais complicado e perigosa no Brasil. A falta de conhecimento, responsabilidade e acima de tudo de "grana" vem fazendo com que "Rapeleiros" e "Escaladores" iniciantes coloquem em jogo a sua segurança utilizando, literalmente, cordas de amarrar a "vaca no pasto", ou simplesmente pela cor que a mesma possui.

A colaboração das empresas que fabricam cordas
Diversas empresas nacionais vêm tentando conquistar um público de poder aquisitivo baixo oferecendo um produto com preço em conta, mas que não possui nenhum tipo de certificação, ou seja, não possui nenhum tipo de garantia que trata-se de um produto de qualidade, protegido também pela falta de uma legislação adequada para tais fins e produtos. Não temos leis para cordas na área esportiva no Brasil, apenas devemos nos basear nas internacionais.

Laudo do IPT
Tem corda por aí dizendo que possui laudo do IPT, e não é, pois o IPT somente efetua o teste de Alongamento e de resistência à tração e este teste é feito por amostra, ou seja, a empresa envia um pedaço de corda e este é testado, não significa que os demais metros que a empresa irá produzir possuirão as mesmas características ou que este laudo garanta que o produto é adequado para a prática de rapel. Não se iluda.

Eu já usei cordas nacionais
Com certeza já usei diversas cordas nacionais e bem poucas oferecem as condições mínimas exigidas para cada atividade, seja ela rapel, canynonismo, resgate ou outra, não contando aqui escaladas guiadas que exigem uma corda dinâmica, mas já utilizei cordas nacionais para atividade de Top Roup (Corda de cima) e da mesma forma fiquei assustado com algumas delas.

Muitas destas cordas possuem falhas absurdas, como emendas na capa e na alma, fusos completamente soltos, baixa resistência a abrasão e um ressecamento das fibras extremamente prematuras; além é claro de não possuir nenhuma certificação. Trata-se de uma opção e é de sua responsabilidade de usar ou não.

Um belo teste
Utilizamos duas cordas Nacionais para a prática de rapel contínuo em um evento. Durante 15 dias efetuamos mais de 5.000 descidas de 25 metros em alta velocidade e, com certeza, a corda agüentou, apesar de que a mesma virou uma verdadeira "lacraia" de peluda. Após isto efetuamos um teste de tração e de sua carga original de 2.200 kg e a corda suportou apenas 1500 kg, tendo tido uma perda significativa.

Existem milhares de tipos de cordas no mundo: para gelo, para rapel em cachoeira, para combate a incêndio, espaços confinados e tantas outras. Se formos comprar uma corda para cada tipo de atividade... Haja dinheiro, não é fácil.

Corda nacional pode ter certificação?
No Brasil não possuímos nenhum tipo de legislação ou lei para o uso de cordas na área esportiva, apenas para o trabalho em altura, que faz parte da Norma Regulamentadora 18.
Então, até o presente momento, não temos nenhuma corda certificada para rapel ou escalada, mesmo porque ambos os esportes não são reconhecidos por lei, ou seja, também não possuem uma legislação própria e, por isso, existem tantos acidentes no Brasil. Quem sabe alguma empresa resolva investir seriamente em buscar a certificação internacionais a qual todos os Brasileiros tanto desejam.

A responsabilidade é minha?
Com certeza... Se você é um praticante do rapel e da escalada e faz o uso de corda nacional para tais atividade, você é o responsável por sua segurança sim, principalmente se você sabe que tais cordas não foram feitas para tais atividades.

A empresa que fabrica a corda também pode ser responsabilizada em caso de um acidente?
Depende. Se a corda que você comprou possui um panfleto, folder ou outra forma de propaganda que diz que tal produto é para rapel ou escalada, com certeza a empresa está assumindo a responsabilidade pelo produto produzido, mas lembre-se que a responsabilidade por sua segurança é completamente sua.

De que forma posso me prevenir???
Utilize somente equipamentos certificados para o esporte que você irá praticar. Para rapel e escalada lembre-se que os equipamentos ideais possuem selos como da UIAA (União Internacional das Associações de Alpinismo), CE (Conforme Especificações, que também é conhecido como Comunidade Européia), estas são as duas mais conhecidas. Procure praticar os esportes com o máximo de segurança possível, siga corretamente todos os mandamentos do bom senso, tenha responsabilidade e, acima de tudo, não faça aquilo que não sabes e que não estas preparado para fazer; principalmente quando isto pode colocar em risco outras vidas.

Antes de entrar em uma aventura verifique se o guia, instrutor, facilitador, monitor ou outro realmente possui experiência no assunto, informe-se junto a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros ou qualquer outra entidade, pois desta forma você estará prevenindo possíveis acidentes. Não tenha medo de denunciar estes maus profissionais que colocam em primeiro lugar o interesse financeiro e que deixam para segundo plano a questão SEGURANÇA. E boa Aventura!


Texto de Sandro Marcos da Silva: Trabalha na área de escalada e rapel a mais de 15 anos, ministra cursos de resgate técnico em ambientes de difícil acesso para civis e militares em todo o Brasil, atual Presidente da Liga dos Esportes Radicais de Balneário Camboriú (SC).

Contato: resgateverticalsc@yahoo.com.br

Fonte: Sandro Marcos da Silva
Cidade: Camboriú-SC
Fotos: Sandro Marcos da Silva
Publicado: Tatiana Lopes
DATA: 16/11/2004 <%insert_data_here%>

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