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A bióloga de 40 anos, Suzi Schneider Nunes, desde que conheceu o sítio Nhumpõrá e a reserva indígena Campo Molhado em Riozinho, no RS, não economiza visitas ao local. Ela convocou seus amigos para mais um passeio, nos dias 27 e 28 de novembro de 2004.
Suzi e seu marido Marco já foram várias vezes ao sítio, com grupos diferentes e afirmam que sempre fica a sensação de que gostariam de ficar mais um pouco. “A paisagem é linda, o estilo simples da pousada, os passeios pela mata, o fogo que reúne os amigos para uma boa conversa torna o lugar mágico, onde o corre-corre de todos os dias é esquecido. Nos damos conta de como o simples é gostoso”, declara.
Neste último passeio, puderam reunir um grupo bastante eclético, mas com o mesmo objetivo: momentos agradáveis em contato com a natureza e levar donativos para a aldeia M’Byá Guarani. O grupo de 15 pessoas pôde estar em contato direto uma natureza quase que intocada e com a cultura guarani que é fantástica.
Para se chegar até a aldeia é necessário percorrer uma trilha de 6 km pela mata. O grupo saiu da pousada com dois carros de apoio para levar os alimentos e roupas que seriam doados. A má conservação da estrada que leva até a reserva dificulta a chegada de assistência médica e alimentos para os índios.
Vale ressaltar que a Aldeia Indígena necessita tanto de alimentos, quanto de roupas, portanto, sempre necessitando de doações. Pela noite, mesmo no verão, a temperatura cai. No inverno, chega a nevar e a Aldeia encontra-se a 900 m de altitude.
A bióloga conheceu essa reserva quando foi conferir a inauguração da pousada Nhumpõrá em Riozinho, há cerca de dois anos. Encantou-se com o local, o qual afirma ser maravilhoso. Conhecendo a aldeia mais de perto, percebeu como era a realidade daqueles índios. “Eles passam por muitas dificuldades, pois todo alimento que plantam, não sobrevive e o difícil acesso ao local, faz com que a prefeitura tenha dificuldades em chegar até lá com donativos”, conta.
Sempre que pode, Suzi reúne um grupo de amigos para visitarem o local e levar doações para os índios guaranis. Garante que sua próxima visita será no mês de janeiro. Para formar os grupos que podem visitar a Aldeia, Suzi diz que não tem uma "regra", apenas a informação é passada de boca em boca, formando assim uma rede de congregados.
“Fiquei muito feliz com o nosso grupo, pois mesmo com muitas pedras pelo caminho, lama e chuva ninguém desistiu do objetivo principal, que era chegar até a aldeia, entregar os donativos e conhecer um pouco da cultura guarani”, afirma.
Suzi lembra-se de uma foto que Nei Maldaner tirou na aldeia e que lhe chamou muito a atenção, pois havia um cachorro dormindo sobre um porco. “Espécies diferentes convivendo em perfeita harmonia. Que bela lição! Lembrando do nosso grupo de amigos na aldeia, me dei conta que não apenas o cachorro e o porco estavam em sintonia naquele momento, mas todos nós. Éramos várias etnias convivendo em perfeita harmonia. Tinha que ser na aldeia guarani, este povo tão espiritualizado, que ama e respeita a natureza”, enfatiza.
Para quem se interessou e está a fim de conhecer este local, Suzi dá algumas dicas: “Primeiramente recomendo pedir informações para a Virgínia, para que ela consiga autorização do Pajé para visitar a aldeia indígena e também para ter maior conhecimento do local. A pessoa deve ter disposição para fazer longas caminhadas e não esquecer de levar um casaquinho e um protetor solar. Quem vem para cá, não tem como se arrepender, pois o local proporciona contato direto com a natureza e a pousada, apesar de simples, oferece tudo aquilo que precisamos”.
É importante ressaltar que o respeito aos índios da Aldeia é extremamente necessário; não se pode invadir a privaidade deles.
O passeio deste final de semana teve o objetivo de levar um grupo de amigos para conhecer o Sítio Nhuporã e a Reserva Indígena Campo Molhado. O sítio tem como proposta vivências em contato com a natureza, produção de ervas medicinais desde o plantio até o beneficiamentos das mesmas, cavalgadas e passeios pela mata. A Reserva Campo Molhado da aldeia M’byá Guarani é muito interessante de se conhecer por ser um lugar muito bonito e as famílias guaranis que lá moram, ainda tem muito preservada sua
cultura, com seu artesanato, forma de construção das casas e o idioma guarani.
A hospedagem do pessoal ficou por conta de cada um. Para as refeições foi feito um rancho comunitário e o valor total foi dividido entre o grupo.
Pelo fato de Suzi e sua colega Cíntia terem feito uma monografia do curso de fitoterapia com plantas usadas na medicina indígena, elas acabaram conhecendo o Sr. José Verá, Pajé da Aldeia, que as orientou quanto ao uso das plantas. Em função disso, foram várias vezes para a reserva coletar de dados e acabaram ficamos conhecendo a realidade do povo guarani, que tem muito para ensinar.
Mas apesar disso, elas também puderam perceber que eles necessitam de ajuda, principalmente com alimentos. “Por este motivo, de tempos em tempos, organizamos um pequeno grupo para fazer o passeio e arrecadar alimentos para a aldeia. Aproveitando que iríamos nos dias 27 e 28, convidamos o pessoal de Porto Alegre, que mostraram interesse em conhecer o local”, acrescenta.
Quando Suzi vai ao Sítio, normalmente faz um passeio até a cascata da Linha7, uma caminhada até a cascata do Cipó com o grupo escolhido para o passeio. Quando anoitece, retornam ao sítio para preparar a janta e acender o fogo para uma boa conversa. Na manhã seguinte, o grupo faz uma caminhada até a aldeia para levar os mantimentos que foram arrecadados.
O Contato para quem tem interesse em visitar e ajudar os índios da Aldeia é:
(51) 9917 1774, com Paulo Fernandes.
Equipe INEMA
Fonte:
Suzi Schneider Nunes Cidade:
Riozinho-RS-Brasil Fotos: INEMA Publicado: Vanessa Ioris Date: 29/11/2004
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Marcos Rolon
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Suzi
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Ana
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Cacique presenteando as criancas
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Marcos, Susi e Ana
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