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Virgínia é Biologa e tem uma pousada na Aldeia M'Byá Guarani, em Riozinho (RS). Ela desenvolveu o projeto "Vida de Índio" para resgatar a história da arte indígena. É um pouco das idéias de Virgínia que você confere a seguir!
Habitação
A localidade do Km 45 não dispõe dos recursos vegetais necessários para a construção de casas típicas. Devido a este fato, há dois anos as 5 famílias que instalaram-se no local viviam em habitações elaboradas com lonas plásticas, papelão e outros materiais. No final do ano de 2001, duas destas famílias receberam do Governo do Estado casas de madeira. Em 2002, esta mesma comunidade recebeu do Governo do Estado outra casa, utilizada para confeccionar, estocar e comercializar o artesanato.
Este tipo de habitação não é o ideal e não faz parte da cultura Mbyá Guarani, no entanto, está sendo uma solução para que as famílias possam viver com mais dignidade. Na comunidade do Campo Molhado os índios vivem em casas construídas por eles, usando materiais vegetais provenientes da natureza, uma vez que a área onde vivem é composta por 5.000 hectares bastante preservados quanto à sua vegetação.
Saúde
A FUNASA oferece assistência médica a estas comunidades, usando medicamentos alopáticos, realizando visitas quinzenais aos locais. Cada comunidade indígena tem seu curandeiro chamado por eles de “Karaí”, com conhecimento de uso de plantas medicinais para efetuar a cura. Os Karaís cuidam da saúde física e espiritual da comunidade, porém tratam apenas de doenças por eles consideradas “doenças de índio”; um exemplo: gripe é considerada “doença de branco” e assim o karaí não pode fazer nada, sendo necessária a assistência médica disponível.
O município de Riozinho através da Secretaria da Saúde também presta assistência médica a estas comunidades. A grande dificuldade da medicina alopática para o tratamento das questões indígenas é que a mesma não é adequada ao modo de vida dos mesmos, bem como às condições físicas inerentes a esta raça.
Alimentação
As comunidades dependem hoje, mais do que nunca, de donativos para que possam sobreviver, estando bastante esquecidas a agricultura indígena e alimentos provenientes das matas, pois muitas áreas não mais possuem alimentos disponíveis. No momento em que recebem donativos, muitas vezes abandonam suas lavouras, sendo que os alimentos recebidos não são adequados aos hábitos alimentares indígenas, ocasionando doenças e problemas dentários.
Educação
Nas duas comunidades em questão não existem escolas e os índios não querem que seus filhos freqüentem as escolas da comunidade de Riozinho, em função de possuírem uma cultura completamente diferente da dos brancos.
Religião
Os índios Guaranis têm a sua própria religião e são detentores de uma grande espiritualidade. Praticam todos os dias atos religiosos que se realizam à noite através de cânticos, rezas e danças. Este fato é muito importante para a comunidade Guarani, pois os mantêm unidos e através da religião, mantêm sua cultura. Por serem religiosos são, sobretudo, amantes da natureza, pois acreditam que “Nhanderu” (Deus) criou os homens para viverem em harmonia com o meio ambiente, do qual extraíam seu alimento, sua medicina, suas casas e sua paz.
Língua
A língua Guarani é preservada, sendo que crianças até os 10 anos de idade e a maioria das mulheres adultas não falam português.
Artesanato
Produzir artesanato, para o Povo M’Byá Guarani é muito mais do que produzir peças a serem comercializadas ou a serem utilizadas na família. Eles são verdadeiros artistas, utilizando recursos vegetais para realizarem os seus trabalhos. Inspiram-se na natureza criando formas em seus balaios e esculpindo em madeira os animais que fazem parte do seu dia-a-dia e que fizeram parte da vida de seus ancestrais. Basicamente, utilizam-se de Bambu (Bambusa sp.) e Embira (Daphnopsis fasciculata) para confeccionar os balaios e de uma árvore chamada Leiteiro (Sapium glandulatum) para esculpir os animais.
Os Guaranis têm no artesanato a sua grande fonte de realização, de paz, sendo que através deste trabalho poderão se auto-sustentar. Para os mesmos, criar peças artesanais é mais importante do que trabalhar na agricultura, caçar ou pescar. Em função desta constatação foi desenvolvido em 2001 o Projeto Vida de Índio com o objetivo de resgatar as questões que envolvem o artesanato Mbyá Guarani.
Virgínia e Paulo são proprietários de um sítio chamado Nhumporã (Campo Bonito, em Guarani), onde há capacidade para hospedar 20 pessoas. Trabalham com trilhas ecológicas, cavalgadas e cultivam ervas medicinais com produção de travesseiros aromáticos, sabonetes medicinais e outros.
A aldeia guarani pode ser conhecida por pessoas interessadas, sempre acompanhadas por um guia do sítio (geralmente a Virginia) e os índios consideram a visita uma troca de cultura e amizade. A aldeia ainda depende de donativos de roupas e alimentos, embora esta dependência tenha diminuído, pois através dos grupos que visitam a aldeia, os guaranis vendem o seu trabalho que é o artesanato. Assim conquistam sua autosustentabilidade.
Fonte:
Virginia Koch Cidade:
Riozinho-RS-Brasil Fotos: INEMA Publicado: Tatiana Lopes Date: 09/12/2004
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