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Acompanhe a viagem de Heloisa para o Alaska feita entre os meses de abril à novembro de 2003 - Subindo o Rio Amazonas/01
Barco Nélio Corrêa.
Brasil: De 24 de abril a 09 de maio de 2003
Estamos no segundo dia de viagem no navio Nélio Correia, já perfeitamente adaptadas a seus barulhos, gingado e horários. Da porta do nosso "camarote, vejo passar a mata fechada que ladeia o Estreito de Breves. Desde hoje pela manhã , navegamos tranqüilamente por ele e somente ao cair da tarde sairemos, para, finalmente, entrarmos no Rio Amazonas.
Passamos por enormes balsas carregadas de carretas, casinholas ribeirinhas, pequenas canoas com crianças e adultos que esperam por biscoitos, outro alimento, roupas, ou, o que quer que seja, tudo isso em sacos de plástico para que não se molhem. Já assistimos ao espetáculo de agilidade e malabarismo dos meninos e meninas que abordam nosso barco atracando suas canoas para venderem palmito, frutas e camarões salgados. Ontem foi tudo muito diferente.
Chegamos de Marajó, fomos direto para a casa da Cris e, enquanto eu rapidamente preparava meus boletins, na cozinha desenrolava-se um pirarucu ao leite de coco, outro desfiado e um creme de bacuri, manjar dos deuses. Houve um princípio de stress quando eu não conseguia enviar os benditos boletins para o Denis, mas no fim tudo se resolveu. Antes do embarque ainda fomos ao Museu de Arte Sacra, à Casa das onze janelas e à Catedral. Ao chegarmos ao Porto Marques Pinto Navegação, nos deparamos com o nosso "navio", assim o chamam por aqui.
A Cris rapidamente se despediu e nós ficamos que nem jumentos empacados vendo aquela confusão do embarque e um emaranhado de redes coloridas. As pessoas meio atarantadas ainda com a chegada e instalação, completavam o caos. Nada nos dizia que teríamos uma viagem tranqüila e cômoda, como nos prometera o Sr. Josenildo, mas como dizia minha sábia avó "o que não tem jeito remediado está", descemos com muito cuidado, uma precaríssima e escorregadia escada, passando para o barco onde havia uma fila.
Estando nossos bilhetes conferidos, passamos ao terceiro andar onde se situava o nosso "camarote" que, segundo a Cristina, não mede mais que 1,80x1,40m, de forma tal que, quando uma entrava para arrumar alguma coisa a outra tinha que sair e foi assim que estabelecemos uma certa ordem e concluímos que a melhor posição dentro do mesmo era a horizontal.
O banheiro é também diminuto mas dá para se tomar um banho. Tudo funciona! Iniciamos a navegação e logo que Belém sumiu da nossa vista e nos foi servido uma sopinha, pegamos uma marola que nos deixou mareadas. Após um Dramin fomos dormir. Acordamos algumas vezes à noite. Apreciamos a escuridão e escutamos o barulho incessante das águas batendo no barco. A vida se resume a escrever, ler, olhar a mata, a água, conversarmos com outros passageiros. De vez em quando uma voltinha pelo convés e ... ver o tempo passar.
A rotina do barco
Barco continua subindo o Rio Amazonas, de vez em quando entra em pequenos braços e conseguimos ver as casas ribeirinhas, muitas crianças, para logo depois o rio se abrir enorme. É muita água! Enquanto isso a vida no barco vai correndo. A dormida é gostosa, sem balanços. Acorda-se muito cedo , hoje especialmente, pois às cinco horas ele aportou em Almerin. Houve um corre-corre no convés, muitas pessoas falando e já estávamos de pé. A cidade também foi acordada pelo apito do barco e logo formou-se uma grande movimentação no cais.
O café foi logo servido o que é feito da seguinte forma: primeiro o pessoal das redes e depois o pessoal dos camarotes. Consta de frutas, café com leite , pão e manteiga. Tudo é colocado em uma mesa bem comprida que só é disponibilizada nas refeições. Assim que terminou o café decidimos entrar na briga pelas cadeiras que ficam no convés. É que ontem ficamos sem cadeiras. Todos os homens do barco resolvem abrir um jogo, se sentam e ... cadê as cadeiras? Tivemos que ficar ou dentro do camarote, o que é muito ruim dado as dimensões do mesmo, ou então ficarmos em pé caminhando pelo convés. A coisa chegou a um ponto que a cadeira na qual eu estava sentada, enquanto fui buscar meu livro, foi levada sorrateiramente. Rá, rá, rá.
Hoje, recolhemos duas cadeiras ao camarote que daqui só saem quando nós estamos lendo, escrevendo ou vendo o rio passar. Foi ótimo. Finalmente temos cadeiras na hora que precisamos. Tivemos uma manhã ensolarada e à tarde o tempo começou a nublar para aquela chuva característica da região. Olhando o rio lá longe, muito longe passa um navio. Paramos rapidamente em Prainha, um porto minúsculo. A terceira parada do dia, já à noite, em Monte Alegre foi sensacional. Fomos recebidos por um festival de velas acesas, coloridas e flutuantes. Centenas. O rio ficou coalhado de luzes que corriam velozes paralelas ao barco. Lindo! A viagem está cada dia mais interessante. Já nos recolhemos ao camarote. Os barulhos e o balanço do barco continuam ... lá fora uma música alta embala os gringos doidos para aprender a dançar, mas não tem jeito. Falta-lhes aquele jeitinho brasileiro. Coitados!
http://www.vovosmilenio.pro.br
Fonte:
Heloisa Helena Cunha Marques Cidade:
Belém-PA-Brasil Fotos: Heloisa Helena Cunha Marques Publicado: Berenice Correa Date: 21/12/2004
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