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Acompanhe a viagem de Heloisa para o Alaska feita entre os meses de abril à novembro de 2003 - Subindo o Rio Amazonas/02
Barco Nélio Corrêa.
Brasil: De 24 de abril a 09 de maio de 2003
"Gente eu vi um boto cor-de-rosa"!
Hoje é Sábado, nove horas da manhã. Já tomamos café e estou sentada no convés do nosso "navio" vendo a margem do Rio Amazonas desfilar em câmera lenta. O barco continua a desenvolver a alucinante velocidade de 20km/h. O sol está muito forte e como vamos na direção oeste a sombra é muito pequena. Muito protetor solar e óculos: a claridade é muito forte e as cores intensas da mata. A vida vai correndo muito devagar. Antes de ontem foi um dia diferente. Bem cedinho aportamos em Santarém, ainda no Pará.
O Comandante Sebastião nos informou que teríamos todo o dia para passearmos pela cidade uma vez que o barco seria descarregado. Saímos para visitar o Mercado de peixes, muitos deles eu nunca havia visto. O Porto para barcos de pequenos trechos é super movimentado, lotado de lindos barcos de madeira cujos guarda-corpos trabalhados passam uma imagem de barquinhos de brinquedo. Na Praça Tiradentes encontramos o Guilherme, Cibele (amigos de Minas Gerais) e o casal de Porto Seguro. Pegamos um ônibus para a praia mais famosa por estas bandas: Alter do Chão. Foi ótimo, pagamos R$1,80 p/p, o táxi nos havia cobrado R$80,00 ida e volta . Trinta e cinco quilômetros depois estávamos lá.
É um lugarejo com várias lojinhas de artesanato de palha onde a vovó Cristina logo travou uma batalha por um chapéu de palha. Não houve jeito: R$13,00 "e não tem mais conversa minha senhora", disse o vendedor. Diante de uma resposta tão peremptória só restou sacar o dinheiro e sair de lá pronta para enfrentar o sol. Bati uma foto. A praia fica no encontro das águas verdes do Rio Tapajós, com o Rio Amazonas eternamente barrento. Essa é uma praia temporária: agora, por exemplo, o rio muito cheio, submerge parte dos bares cobertos de palha. A areia é muito branca e muitas árvores completam a paisagem. Mesinhas rústicas, de madeira, são espalhadas.
Foi em uma dessas barracas que comemos um delicioso tambaquí na brasa. Uma Cerpa gelada completou o paraíso. Enquanto isso nossos amigos tomavam banho de rio. A estadia foi muito rápida, voltamos correndo para o barco que só zarpou às 19:00. O descarregamento de farinha de trigo foi muito demorado, também mil sacas de 50kg... haja braço! Durante o descarregamento desenrolou-se um forró no convés. Dormimos muito cedo . Acordamos quando o barco aportou em Óbidos - o ponto mais estreito do Rio Amazonas. Abrimos nossa porta e vimos o pequeno porto todo iluminado. Eram quatro horas da madrugada. Duas horas depois, novamente o barco parou no meio do rio. Uma inspeção da Polícia Federal. Durante o dia, navegamos, comemos e dormimos. Enquanto isso os gringos loiríssimos tomavam banho de sol.
Agora parecem camarões torrados. São uns loucos! Ontem, dia 03 de maio, ao entardecer, vimos o primeiro boto cor-de-rosa. Gente, era lindo! Um pequeno salto e pudemos ver o seu dorso da cor salmão. Foi uma emoção. Daí p'ra frente vimos vários, mas nunca saltando como os golfinhos que vi em Fernando de Noronha. Fomos premiadas com o mais lindo pôr do sol da viagem e uma noite estreladíssima como há muito não víamos. A lua crescente mostrava o seu resto transparente. Ficamos ali embasbacadas sem saber se merecíamos tanto. Fomos dormir. Hoje, o sol está como nunca. Estamos dentro do camarote com a porta aberta colocando em dia nossos diários, contas, etc. Enfim, nem só de paisagens vivem as vovós. Já visitamos a Cibele, ontem estava mareada e o Guilherme milagrosamente não está entrevado. É que tem mais de 1,80m e sua rede é minúscula. Como é que pode? À noite chegaremos à Manaus. O Comandante Sebastião já nos avisou: só chegaremos meia noite. Sendo assim permaneceremos no barco até amanhã. Será que o nosso Troller já chegou?
http://www.vovosmilenio.pro.br
Fonte:
Heloisa Helena Cunha Marques Cidade:
Santarém-PA-Brasil Fotos: Heloisa Helena Cunha Marques Publicado: Berenice Correa Date: 21/12/2004
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