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Acompanhe a viagem de Heloisa para o Alaska feita entre os meses de abril à novembro de 2003 - Hugo Chavez, fronteira, cambio e confusão.
Venezuela:De 09 a 21 de maio de 2003
Como enchemos um tanque de combustível com R$13,00?
A estadia em Boa Vista foi curta, o suficiente para checar o Troller, uma entrevista e a Internet. Os amigos do Haroldo nos deram um excelente suporte. Obrigada a todos! Resolvemos seguir para a fronteira, com informações altamente desencontradas sobre o cambio. Logo mais saberíamos bem direitinho o significado desse não saber. De Boa Vista a Pacaraima (última cidade do Brasil, antes da fronteira), são 270km. Pernoitamos.
A pequena cidade (se é que podemos chamar de cidade) é uma confusão de cambistas, gente gritando, buzina, muitos caminhões parados e poucos lugares para dormir e comer. Logo fomos ao Cabeça Branca, um cambista instalado em um super mercado, já que acháramos os da rua pouco confiáveis. No fim, era tudo igual. Cristina, de calculadora em punho, procurava entender porque o nosso dinheiro, durante o câmbio, evaporava a olhos vistos. A coisa se complicou pois, se ela não entendia, eu só fui entender perto de Ciudad Bolívar, dois dias após o acontecido. Foi o seguinte: ninguém sabe explicar o porque do real ser tão valorizado na fronteira e o porque do dólar ser tão desvalorizado. Assim é que, se tivéssemos levado reais, teríamos nos dado bem. Como trocamos dólares, conseguimos o equivalente a R$ 2,70.
Para quem comprou dólar a R$3,60 ... Em Santa Helena soubemos que Chavez amarrara ficticiamente o câmbio o que, obviamente nos levaria à banca rota, isto é, o dólar a R$2,00. Enquanto nosso dinheiro evaporava Chavez, na televisão fazia um discurso nos desejando um Feliz Dia das Mães! O.k. Chavez! Entrar na Venezuela foi muito tranqüilo. Nossos documentos estavam em ordem, de maneira que demoramos só 40min. para estarmos do outro lado. No posto de combustível havia uma grande fila para gasolina, é que brasileiros compram ali para vender em Boa Vista. Não havia fila para Diesel, ficamos surpresas com o preço. Enchemos o tanque, que estava vazio, por R$ 13,00.
Fazendo as contas o litro saiu R$0,20. Estrada boa, atravessamos La Gran Sabana, vimos algumas cachoeiras lindas e resolvemos "bajar nuestras maletas", em Tumeremo. Ficamos em um Hotel que nos pareceu melhor, cujo senhor nos chamava de "mi amor". Mais tarde o xingaríamos forte, pois não conseguimos dormir. Havia, em frente uma "fiesta" que durou até as cinco da manhã. Sair de lá foi definido como felicidade! Deixamos Tumeremo para trás. Cidade pequena com uma praça central, árvores enormes e uma belíssima estátua de Simón Bolívar, o Libertador, esculpida em pedra esverdeada. Uma excelente auto-pista nos levou a Puerto Ordaz e dali a Ciudad Bolívar, onde estamos.
Ciudad Bolívar é uma cidade histórica às margens do Rio Orinoco. Foi aqui que Bolívar, após vencer as forças espanholas, se declarou Presidente da Gran Colômbia, fragmentada após sua morte em vários países. Como chegamos cedo demos uma pequena volta pela cidade. Véspera do Dia das Mães, muita gente nas ruas, camelôs, enfim, calor e confusão. Ontem, domingo, cidade vazia, um dia chuvoso, partimos para conhecer a cidade. Tomamos nosso café da manhã com arepas (uma espécie de pão de milho, que pode ser recheado com queijo). Estava muito gostoso.
A chuva passou e começamos a subir a ladeira em busca da Plaza Bolívar, o centro histórico da cidade. A Casa da Cultura expunha cestaria de diversos grupos humanos do nosso planeta. A belíssima construção, antigo cárcere, de frente para Rio Orinoco com lindos balcões de ferro batido nos mostrou a verdadeira face da cidade que à princípio nos parecera suja e desorganizada. Chegando à Plaza Bolívar aprendemos um pouco da História da Venezuela.
Simón Bolívar, que conhecíamos muito de leve nos livros de Colégio, tomou forma. Sua vida e seus feitos foram respeitosamente relatados, por um guia que nos levou pelos corredores, salas e jardins da Casa do Congresso de Angostura (antigo nome de Ciudad Bolívar). O Homem, que um dia sonhara com a liberdade, respirava nos quadros, no mobiliário, no madeiramento e nos bonitos corredores da construção espanhola. É verdade, Bolívar vive naquela Praça de árvores enormes, ladeada por construções coloniais de cores alegres e muito vivas!
http://www.vovosmilenio.pro.br/
Fonte:
Heloisa Helena Cunha Marques Cidade:
Venezuela-EX-Portugal Fotos: Heloisa Helena Cunha Marques Publicado: Berenice Correa Date: 21/12/2004
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