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Acompanhe a viagem de Heloisa para o Alaska feita entre os meses de abril à novembro de 2003 - Fronteira da Colombia
Colômbia: De 21 de maio a 04 de junho de 2003
Salve-se quem puder!
Cristina escreve:
Saindo de Mérida, tomamos uma estrada que leva à margem leste do Lago Maracaibo. Dirigir nesta estrada é como voltar no tempo. Estrada estreita vai cortando vários "pueblitos"; vende-se de tudo. Barracas de palha onde deveria ser acostamento e pessoas se instalam na faixa central da estrada, colocando aí suas mercadorias e seus "pare". Confusão entre os "pare" obrigatórios e os optativos... Mangas, abacates, abacaxis, pitombas (que aqui têm casca verde e moles), cajus, castanhas, pães imensos, garrafas térmicas com café, doces, etc.
Se o motorista quer comprar, pára seu veículo na pista e os que estão atras ficam esperando a transação. E assim fomos chegando perto do Lago Maracaibo e dormimos em Ciudad Ojedo, a segunda maior cidade desta região produtora de petróleo. Ótimo hotel, boa dormida. O Lago Maracaibo é imenso, o maior da América do Sul. Tem o formato de uma gota pendurada no Golfo Venezuela, ao seu norte. No estreito que os liga foi construída uma ponte enorme com mais de 8km de comprimento. Atravessando esta ponte entramos na cidade de Maracaibo, a segunda da Venezuela.
Com mapas em mãos fomos circundando esta cidade com toda cautela para não penetrar no seu miolo. Mesmo assim enfrentamos um trânsito bem complicado mas, com pouco mais de uma hora, estávamos do outro lado, caminhando para S. Rafael El Moján. Um nome que gerou confusão pois no mapa estava como S. Rafael e nas placas indicativas como El Moján. A identificação foi esclarecida após algumas paradas solicitando explicações. El Moján é o último "pueblito" em região indígena, antes da fronteira Venezuela-Colômbia.
Lá dormimos no único local possível, a pousada de um sueco, John de 65 anos, casado com uma venezuelana da região. Não há água encanada na cidade. Ao nos levar para mostrar as instalações nos instruiu como usar um reservatório com uns cem litros de água para banho, pia e vaso. Desta forma tivemos oportunidade de recordar o antigo banheiro do Sítio Boqueirão com os "banhos de cuia", como são conhecidos no nordeste. Para compensar estas pequenas dificuldades, uma bela vista para o golfo, com direito a ficarmos deitadas num píer papeando na brisa que aliviava o calor.
E a amabilidade do sueco, que sendo uma espécie de coronel na cidade, nos levou a um restaurante, no qual comemos camarão com molho branco gratinado. Uma delícia. E também cozinhou pimentões recheados para jantarmos. Parece que ele estava satisfeito ao desfilar com "duas belas brasileiras", como nos apresentava. E nós com tão amável adjetivo, já meio esquecido. De qualquer jeito as 7hs da manhã do dia seguinte, estávamos sentadas num banco da praça central de El Moján improvisando um sanduíche com pão doce, queijo e um litro de suco de laranja que compramos na única "panaderia" aberta. De lá partimos para a fronteira, região sempre complicada.
Durante toda a travessia da Península La Guajira, observamos a presença dos índios Guajiros. As mulheres sempre com seus vestidos longos, soltos, bem coloridos e sapatos; a Colômbia com seus problemas internos, informações de atuação da guerrilha na região, nos aguardava. Enfim havia stress ao cruzar a fronteira e enfrentar o trecho de 600km. E as 9hs estávamos no burburinho da fronteira. Taxa para cá, taxa para lá. E ficamos sabendo que para entrar na Colômbia era necessário uma passagem de saída. Indignação, pois nem o consulado colombiano de Merida nos passara esta informação.
Uns quatro camelôs em cima da gente explicando que em uma biboca perto poderíamos comprar uma passagem de ônibus de volta para Maracaibo. Dois mochileiros, um americano e outro argentino, tão perdidos como nós. O americano, que a princípio dissera que de jeito nenhum toparia aquele arranjo, nos aparece com meia hora depois com a tal passagem na mão, comprada pela metade do preço que nos era cobrada. Nos diz em português claro e preciso: fiquem frias...O argentino, com uma enorme mochila, zanzando pra lá e pra cá sem querer cair com "la plata" e ninguém se entendia.
Enfim, fizemos o arranjo, com indignação e tudo, mas mais indignado ficou o intermediário da transação ao receber de propina 1000 bolívares que, segundo ele, não dava nem para uma coca-cola. A propina foi aumentada. Aí começou o segundo round: documentos do carro. Dois incompetentes tentando imprimir o "permiso" com uma impressora do arco da velha. E vai, e volta, não sai nada na impressora. E chama o chefe; já foi embora e só volta amanhã e a temperatura subindo. Vocês não sabem botar esta impressora para funcionar? Perguntam para nós duas. E vai a Solena, que nestas alturas lixava suas unhas para se acalmar, agora são três a mexer na geringonça. Vamos dormir aqui? Não pode ser à mão? Não; chama o fulano. E o fulano resolveu o assunto da impressora, três horas depois.
Finalmente saímos da fronteira. Estradas ótimas e muita fiscalização o que era tranquilizador. Até que ao chegar na entrada de Barranquilla, uns 100km de Cartagena, o nosso destino, uma das barreiras, talvez a décima desde nossa entrada na Colômbia, nos informou que estávamos ilegais pois na documentação não havia um seguro obrigatório contra terceiros. Ninguém nos informara sobre o assunto; nem consulado, nem fronteira, nem as barreiras anteriores. E argumentos em portunhol e contra argumentos em espanhol; e ameaças de prender o carro, etc. Depois de nos encherem a paciência, eu interpreto como insinuações para rolar alguma plata, nos liberaram.
Nestas alturas a única coisa que queríamos era um hotel na estrada para não enfrentar Barranquilla, uma cidade de dois milhões de habitantes. Uma pequena entrada ilegal, seguindo carros da frente, e um espertalhão na tocaia esperando para fazer a festa e lá estávamos nós enroladas de novo com o tal seguro obrigatório e uma nova multa de trânsito. O pilantra que depois de querer entrar no carro na marra, para nos levar à delegacia, nos levou o equivalente a dez reais. Ladrão de galinha! Cabeça quente, precisamos esfriar...Pedimos informações sobre hotéis em um posto de gasolina, uma alma caridosa nos conduziu a um bom hotel.
Que dia! Dores de cabeça e a Solena choramingando. E no dia seguinte, lá estávamos nós enroladas a cada barreira, cinco num percurso de 100km, por conta do tal seguro. Sobrevivemos. Estamos num bom hotel em Cartagena e o jipe foi internado num estacionamento, de onde só sairá para um navio que o levará ao Panamá. Cartagena é linda. Mas isto é outro capitulo.
http://www.vovosmilenio.pro.br
Fonte:
Heloisa Helena Cunha Marques Cidade:
Colombia-EX-Colombia Fotos: Heloisa Helena Cunha Marques Publicado: Berenice Correa Date: 21/12/2004
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