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Acompanhe a viagem de Heloisa para o Alaska feita entre os meses de abril à novembro de 2003 - Alaska Highway, Parte I.
Canadá: De 01 a 10 de agosto de 2003
Estou escrevendo de uma Pousada quase na entrada do Denali National Park, o Parque Nacional mais famoso do Alaska. Hoje à tarde já demos uma voltinha por lá. Amanhã faremos o passeio de ônibus. Durante esse passeio entraremos mais de 70km, com possibilidade de vermos ursos, alces e outros bichos menores. Está ventando muito, a temperatura caiu e sentimos muito frio hoje à tarde.
Da janela do meu quarto vejo montanhas muito verdes de cumes descascados, pinheiros e um céu bonito que começa a ficar nublado. São nove horas "da noite", claro, claro. A janela dá também uma vista para o RV Park, isto é, nada de barracas com um frio desses. É uma enorme área para estacionamento de traillers, que são chamados de RV. Os RV Parks tem todas as instalações para que o trailler funcione como um apartamento. Acabou de chegar um dirigido por duas mulheres.
Estacionaram aqui em frente, com muito barulho e felicidade. Desceram crianças descalças, de camisetas fazendo aquele burburinho natural. Como diria minha avó: menino tem couro de sapo! Os cachorros, adorados, venerados e bem tratados, também já foram instalados e o acampamento começa a se organizar. Estou impressionada com a quantidade de traillers por aqui. De cada cinco carros na estrada quatro são traillers: pequenos, enormes, rebocando ou sendo rebocados.
Muitas casais, já velhos, viajando assim. Encontramos duas velhinhas dirigindo um bem grandinho e conseguimos vê-las quando, em uma manobra radical, tiraram-nos da estrada. Bem, isso não vem ao caso, o fato é que todo mundo dirige um, sendo esse o motivo de tantos campings com estrutura para esses veículos. Deve ser ótimo! Bem, de volta ao passado ... A Alaska Highway se inicia em Dawson Creek na British Columbia, Canadá, e termina em Delta Junction no Alaska depois de 2.400km.
É uma estrada com muita História. Foi construída em oito meses, por engenheiros americanos e trabalhadores canadenses, na Segunda Guerra Mundial, depois de Pearl Harbour, para defender a costa noroeste do Alaska, o mais isolado estado americano. Foi difícil e heróico. Esta é uma região de pântanos, montanhas, florestas, muito frio e mosquitos. A coisa foi de tal ordem que, conta-se, o cartaz para recrutamento dos trabalhadores dizia: "Não se trata de um piquenique.
Será preciso enfrentar pântanos, rios, gelo, frio. Os mosquitos, moscas e borrachudos, mais do que perturbar, irão causar danos físicos. Se você não está preparado para trabalhar nessas condições, não se candidate". Muitos morreram. Essa história é contada em folhetos distribuídos em todos os Centros de Visitação, em filmes e nos marcos. É uma estrada longa. O trecho mais difícil, a meu ver, por ser longo, monótono e sem atrativos é o que vai de Fort Nelson a Watson Lake entrando no Territorio de Yukon, ainda no Canadá.
Em contrapartida, existem trechos deslumbrantes: florestas, lagos e montanhas em uma sucessão de oohs e aahs! Em um desses trechos paramos para ver uma manada de bisões que descansavam calmamente na beira da estrada. São bichos enormes e muito esquisitos. Nunca pensei em vê-los tão de perto e tão tranqüilos. Em uma cidadezinha chamada Pink Mountain, antes de Watson Lake, lavamos nossa roupa e o tempo começou a esfriar. Pela manhã o Troller quase não pegou. Nhén, nhén, nhén, p'rá cá e nhén, nhén, nhén, p'rá lá, pegou mas saiu uma quantidade tão grande de fumaça do motor que a dona do Hotel saiu correndo e disse que ia chamar os firefighters.
O o que? Firefighters! Cruzes! Mais que depressa levamos o Troller para a oficina mais próxima e a segunda parte do drama desenrolou-se por ali mesmo. Para explicar para o mecânico que o fumaceiro cobriu tudo e de onde ele estava saindo foi uma novela em inglês(?), portinglês e vai por aí. Jesus me guarde! Finalmente a ação se mostrou mais efetiva e a oficina se transformou em um enorme fumaceiro. Eu, à beira de um ataque de nervos.
O Haroldo me mandou tomar um café e, quando retornei, o senhor disse que estava tudo ok e que o problema era very easy e, me acalmando, take it easy! Ok, ok! Duas porquinhas se soltaram do Turbo e resolveram ficar pela Alaska Highway. Do Ceará para a Alcan! Entendi que a fumaça ao invés de sair pelo cano de escapamento estava saindo pelo motor. É isso? Que as porquinhas sejam felizes! Foram rapidamente substituídas. O mecânico, um senhor muito simpático aproveitou para examinar melhor o carro e se declarou maravilhado. Seguimos caminho felizes da vida!
http://www.vovosmilenio.pro.br/
Fonte:
Heloisa Helena Cunha Marques Cidade:
Alaska-EX-USA Fotos: Heloisa Helena Cunha Marques Publicado: Berenice Correa Date: 21/12/2004
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