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20° Diário de Heloisa C. Marques ao ALASKA

Acompanhe a viagem de Heloisa para o Alaska feita entre os meses de abril à novembro de 2003 - Alaska Highway, Parte III.

Alaska: De 10 a 25 de agosto de 2003
De Anchorage a Seward/ Seward Highway e Richardson Highway

Saímos de Anchorage e nos dirigimos para o sul. O destino? Seward. Um lugar do qual eu nunca ouvira falar. Estava curiosa. Era um fim de semana e parece que todo o mundo ia para lá: RVs, bicicletas, caminhantes, muitos carros, nós e o Troller. Logo depois da saída a estrada vai beirando o bonito Turnagain Arm. A estrada de ferro corre paralela. Deve ser uma beleza de viagem. Começa em Fairbanks, passa pelo Denali e termina em Seward. Além do trem, corre por perto uma trilha para ciclistas.

Anchorage tem quase 200km de trilhas asfaltadas que correm próximo às principais rodovias. Logo depois que a estrada se afastou do "lago" começou a chover e foi muita chuva. Chegamos debaixo de chuva, não se enxergava direito nem o mar. Rapidamente procuramos um lugar para ficar. Foi uma tourada. Finalmente instalados, ficamos por ali esperando a chuva passar. No dia seguinte ela continuava firme. Decidimos seguir caminho. Demos uma vagarosa volta pela pequena cidade, 3000 habitantes, porta de entrada para o Kenai Fjords National Park. Ela é presa entre a Resurrection Bay e altas montanhas, tem um centro muito bonitinho, muitos restaurantes, lojinhas e daqui partem cruzeiros para Vancouver e vice versa. J

á estávamos de saída quando encontramos um casal de brasileiros com dois filhos. Que bom! Conversamos debaixo de chuva. Eles moram na Flórida e faziam hora para pegar o navio para Vancouver e nós já partindo para Valdez. Nos despedimos. Saindo da cidade há uma entrada para o Glacier Exit. Fomos para lá. Pelo menos isso! Há uma estrada, um Centro de Visitantes com informações e trilhas para se chegar até ele. São trilhas bonitas e muito fáceis. A chuva continuava a bater. Chegamos bem pertinho. Não é um Glaciar grande. Não existem paredões, mas impressiona pelo azul contrastando com as rochas e pela proximidade. Foi um bom passeio. Dormimos em Eureka.

Na saída encontramos um grupo de velhinhos, com seus carros maravilhosos carros antigos, que se organizam em um a espécie de Clube e saem viajando pelas estradas. Muito simpáticos e engraçados. Uma foto e nos despedimos. Saímos direto para Valdez pelos quilômetros mais bonitos da Richardson Highway. O tempo melhorou e fomos recompensados pelas belíssimas paisagens de glaciares, canyons, cachoeiras, lagos com cisnes e por aí vai. Diz-se que os glaciares moram no Chugath National Park. Não sei se eles moram lá, mas são tantos e tão bonitos, pendurados ou escorrendo pelas montanhas que é capaz de ser verdade. Assim é a estrada que dá acesso a Valdez, cidadezinha às margens do Prince William Sound. Quanta beleza!

Ele era um navegador espanhol e se chamava Valdez:
Valdez, o lugar mais bonito do Alaska?

Pense em um lugar bonito ... esse lugar, com certeza se chama Valdez e está situado bem ao sul do Alaska. Um pequeno povoado, preso entre picos nevados, de atmosfera azulada, barcos pesqueiros aportados e um cair de tarde deslumbrante. Não que seja um pôr de sol dourado, horizonte avermelhado, nada disso!

A baía, de águas espelhadas, cobertas com uma pequena camada de névoa, o que lhe confere uma aparência meio irreal; as montanhas como que presas e entrelaçadas por fiapos de nuvens que aos poucos vão tomando consistência deixando os cumes como que suspensos; os barcos calmamente ancorados naquele balanço quase hipnótico: pássaros grandes semelhantes a gaivotas a gritar e comer restos de incontáveis peixes, tratados por pescadores. Alucinante entardecer em Valdez! Valdez, um nome espanhol fora de lugar. Um navegador passou, deixou seu nome e assim, de puro esquecimento, foi ficando ... Aqui é tudo muito especial. A estrada que nos trouxe é um preâmbulo.

São quilômetros de glaciares que surgem azuis e cachoeiras que escorrem montanha abaixo contrastando violentamente com as rochas nuas e escuras; florestas verdes avançando sobre a tundra dourada, picos nevados amontoados, misturados, entrelaçados ... Gente, quer ver um lugar bonito? Ele está perdido bem aqui no Alaska, bem ao sul. É um pouco longe, mas dá para chegar e aí ... é só ver e sentir!

De Valdez a Haines.
Quatro meses de estrada.

Olhando o mapa do Alaska, descobrindo Valdez, vemos que lá é o fim da estrada que se chama Richardson Highway . Ela começa onde termina a Alaska Highway, isto é, em Delta Junction. Por essa estrada iniciamos a nossa volta para o Ceará.
Percorremos de novo os quilômetros deslumbrantes de enormes cachoeiras, inúmeros glaciares azuis, rios turbulentos e lagos tranqüilos.

Concluído o show, há uma entrada para um povoado que se chama Copper Center, na verdade um aglomerado de 362 pessoas.
O tempo pára quando você empurra a antiga porta do pequeno museu e se depara com uma velha senhora que, olhando bem, saiu das páginas dos velhos álbuns de fotografias lá expostos. O museu conta uma história do início do século 20, quando a cidade foi um importante acampamento para centenas de mineradores de olho no ouro de Yukon e, posteriormente, no de Fairbanks. Hoje, há uma bomba de combustível, uma igrejinha e um pequeno mercado.

A visita vale a pena. Aproveitamos para comer uma saborosa torta de amoras na velha casa de 1897. Lá, ainda funciona um hotel de portas rangentes. Partimos, a velha senhora, na porta do museu, segurando um lencinho rendado, nos acenou e voltou para a fotografia.
À nossa frente uma vasta planície. As árvores já amarelando com a chegada do outono. O amarelo me lembrou a floração dos ipês na Serra de Pacatuba. Saudade do meu pai.

Chegamos a Tok, que já conhecíamos. No Centro de Visitantes nos sentamos para decidir se tomaríamos um Ferry para Prince Rupert o que nos pouparia tempo e energia, além de dias bem diferentes. Conta vai, conta vem, compramos nossa passagem e a do Troller. Com essa decisão encerramos definitivamente a ida a Inuvick que já estava meio cambaleante pelas informações sobre a estrada e começo da neve. Decisão tomada, passagem comprada, seguimos para Haines. Em Beaver Creek entramos de novo no Canadá, passando de novo pelos picos e lago do Kluane National Park. Quando nos sentamos ao sol, para um lanche, surgiram dois alegres ciclistas suíços. O começo da conversa foi meio complicado mas terminamos nos entendendo em espanhol.

Irmã e irmão, viajavam alugando carro e bicicletas. Naquele momento estavam de bicicletas. Nos rimos muito do encontrão que tiveram com um urso. Eles também iam para Haines acampando pela estrada, mas só chegariam uns três dias depois. Haja perna! Nos contaram que quando o dia estava bom pedalavam 100km! Fiquei impressionada.
Fomos embora, passamos pela fronteira e ... mais uma vez no Alaska.
As fronteiras são muito tranqüilas. As vezes nem olham o passaporte. Estrada bonita ao entardecer, montanhas cobertas de glaciares azuis e, finalmente Haines.

http://www.vovosmilenio.pro.br/

Fonte: Heloisa Helena Cunha Marques
Cidade: Alaska-EX-USA
Fotos: Heloisa Helena Cunha Marques
Publicado: Berenice Correa
Date: 21/12/2004 <%insert_data_here%>


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