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Acompanhe a viagem de Heloisa para o Alaska feita entre os meses de abril à novembro de 2003 - O roteiro das “Províncias Marítimas”: Parte 1
Canadá: De 25 de agosto a 18 de setembro de 2003
Dor de dente na Nova Escócia
Amanhecemos o dia tratando da questão do meu terceiro molar. Desde o México dava sinais de que ia me dar problema. Começou a me incomodar de verdade. Telefonamos para o meu seguro saúde, comprado no Brasil. O telefone é de uma Central de Atendimentos para várias empresas (pelo menos foi isso que entendemos). A moça bem enjoadinha nos disse que não trabalhavam mais para a tal empresa e nem sabia informar se ela ainda existia. Ficamos indignados.
Fiquei imaginando se se tratasse de uma emergência tipo um acidente. Bem, o fato é que o Hotel não só nos informou um dentista como nos levou até ele. O terceiro molar, cuja função era só compor a paisagem e me trazer problemas, estava com um abscesso periodontal. Foi extraído com muita competência e jaz em algum lugar da Nova Escócia. Que Deus o tenha!
De volta ao passado: no diário anterior estávamos atravessando o Rio São Lourenço para Levis em um Ferry. Pois é, daí viemos por uma estradinha que corre paralela à Trans Canadá Hwy. Foi uma boa opção. Normalmente essas estradinhas passam por pequenas cidades, fazendas e a gente vai conhecendo o modo de vida das pessoas, o que não acontece em uma grande estrada. Tranqüilamente íamos parando em áreas para descanso que, geralmente, ficam em lugares bonitos. As pessoas ficam por ali fazendo um lanche, deitadas na grama, trocando experiências e informações. Entramos em New Brunswick e, no Centro de Informações, ficamos sabendo que as principais atracões são: a impressionante variação das marés na Baia de Fundy, que chega a 15 metros, e as baleias de St. Andrews.
Nada nos faria perder nem uma e nem outra. O que não sabíamos é que New Brunswick é muito bonito. O mar é uma presença constante nessa parte desconhecida do Canadá e por isso o conjunto New Brunswick, Nova Escócia e Prince Edward Island é chamado de “Províncias Marítimas”.
Seguimos pela estrada que nos levaria a St. Andrews. Passamos por Fredericton, outrora um posto militar inglês, cidade pequena com um excelente acervo de quadros expostos na Beaverbrook Art Gallery. Lá está o quadro de Salvador Dali, Santiago el Grande. É uma linda cidade. Suas casas vitorianas, construções históricas, extensos gramados nos encantaram. As Províncias Marítimas começavam a mostrar sua cara. Linda, por sinal!
Ohss e ahss! Baleias!
As flores de Ropewell Rocks
Gente, estamos impressionados com a beleza disso tudo. É muito bonito! Foi a maior surpresa da viagem! Esse pedaço do Canadá é muito pouco conhecido por nós do Brasil. Vale a pena vir aqui. O mar, a costa recortada em penhascos, as vilas pitorescas, o passado escrito na arquitetura das casas, enfim, tudo é muito lindo! Vovozinhas, se reunam, peguem um avião para Quebec, aluguem um carro e saiam para New Brunswick e Nova Escócia.
Se puderem venham aí pela metade de setembro, com o outono chegando e as folhas já vermelhas. Será um programa inesquecível! No boletim anterior estávamos chegando a St. Andrews. Chegamos já vendo um tremendo pôr de sol sobre a praia, com a maré super seca. Já disse que a variação das marés chega a 15 metros? Ao chegarmos, contratamos uma excursão para ver baleias. Um barco parte em busca delas. Vimos várias.
A principio, só brincando com a nossa curiosidade, depois, já entardecendo, mergulhando e deixando aparecer as caudas em forma de coração. Achei o máximo. St. Andrews-by-the-Sea é uma linda cidade à beira da Passamaquoddy Bay. Reflete o início do século 20 e, segundo me contaram é tão refinada que tem um campo de golf com 27 buracos. Acho que isso deve ser muito especial, mas juro, não sei qual a importância, mas, como diria meu amigo Bill “Vá lá que seja”! Bem, especial mesmo foi a visita ao Museu e Aquário do Centro de Ciências de Mar.
Após uma volta pelas lojas de artesanato, que ocupam lindos prédios antigos, caímos na estrada no rumo de Saint John, a capital de New Brunswick. Observaríamos a variação da maré no ponto que se chama Reverse Falls. A maré enche e como há um desnível e a variação é muito grande, forma-se uma espetacular cachoeira. Bem, quando nós chegamos a maré estava cheia e estável.
Como ia custar bastante para secar, assistimos a um filme que explicava o fenômeno e partimos para o Fundy National Park. Lá também observamos a enorme variação das marés, caminhamos pelas Hopewell Rocks, formações em forma de flores, ocasionadas pela erosão. Todos os dias 100 bilhões de toneladas de água entram e saem da baía erodindo a costa. Andamos, sentamos, olhamos e a maré começou a encher. Todo mundo deve subir pois ficar preso entre o mar e os rochedos é muito perigoso.
Sem saída. É super rápido e, logo logo, as formações ficam como que boiando no mar. Muito diferente, bonito e interessante. Saindo de lá, a caminho da Nova Escócia, fomos presenteados com algumas pontes cobertas. As pontes cobertas de New Brunswick…
As trilhas da Nova Escócia
No mapa, a Nova Escócia se confunde com New Brunswuick. É uma região de litoral muito recortado, cheio de baías, canais e pequenas enseadas, por isso a confusão. Na verdade são separadas pela afunilada Baía de Fundy, lá onde as marés variam em até 15 metros, e, unidas por um estreito istmo pelo qual se entra na Nova Escócia, ainda pela Trans Canadá.
Logo na entrada há uma cidade que se chama Amnerst e um Centro de Informações. Lá ficamos sabendo das “Trilhas da Nova Escócia”. São estradas estreitas, asfaltadas, de onde partem trilhas para caminhadas que sempre levam a lugares especiais, com campings sem amenidades. Essas estradas contornam a costa por paisagens deslumbrantes, vilas à beira mar que contam a história da colonização e do dia-a-dia das pessoas que moram por lá.
Decidimos percorrer a Cabot Trail, pelas fotografias a mais bonita. Foi uma decisão acertada. Dormimos em New Glasgow, resolvemos a questão do meu dente, que Deus o tenha, e partimos para o norte. O destino: Cape Breton, uma ilha. Claro que, para chegarmos lá, pegamos a Ceilidh Trail.
Nessa trilha pode-se observar a forte herança escocesa: o próprio nome da trilha, os das cidades, as músicas e até uma destilaria, o único puro malte da América do Norte. Entramos para visitar. Dois velhinhos tocavam músicas escocesas e, sentados, fomos transportados no tempo. Pensei em comprar uma garrafa do Glenora. Muito caro, só para colecionadores e refiz meu pensamento. Resolvi me conformar com o Jack Daniel’s que jazia intocado no Troller. Em Cheticamp vimos um monte de baleias.
A princípio pensamos ser golfinhos tal era a quantidade, umas doze mais ou menos. Estavam por ali brincando de ver barcos com passageiros curiosos. Paramos para dormir e apreciar uma belissima tarde. No dia seguinte começariamos a Cabot Trail.
http://www.vovosmilenio.pro.br
Fonte:
Heloisa Helena Cunha Marques Cidade:
Nova Escócia-EX-USA Fotos: Heloisa Helena Cunha Marques Publicado: Berenice Correa Date: 22/12/2004
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