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Acompanhe a viagem de Heloisa para o Alaska feita entre os meses de abril à novembro de 2003 - México: Incidente fronteiriço
Estados Unidos: De 18 a 26 de setembro de 2003
México: De 26 de setembro a 10 de outubro de 2003
A trilha dos Maias: El Tajin
Quando foi decretado o fim do romantismo, ao sairmos da Nova Escócia, já sabíamos que a travessia dos Estados Unidos seria rápida. O Haroldo assumiu a direção e jogou muita poeira nos americanos. Em cinco dias percorremos 4.100km. Em New York pegamos um grande engarrafamento e muita poluição; perto de Nashville, um temporal quase nos tira da estrada, resquícios do furacão Isabel e em Brownsville, quase na fronteira, fomos para South Padre Island, um lugar paradisíaco e, enfim descansamos.
Entramos no México pela fronteira de Los Indios. Ah, o México! A primeira frase foi: “multa de 2.000 dólares senhora!” E eu já indignada: “Como”? “A senhora não entregou a papeleta de turista e nem carimbou o passaporte na saída”. Realmente, na confusão que é a fronteira de El Paso, me informaram que eu não precisaria entregar e nem carimbar a saída. Na ocasião achei muito esquisito mas ... só sei que foi assim. Voltando ao episódio da fronteira.” A senhora está ilegal no meu país”. “Senhor, como ilegal, se eu entrei nos EUA no mesmo dia e tenho o documento de liberação do carro? E, outra coisa, senhor, eu sair do meu maravilhoso país para viver ilegalmente no México? Francamente”!
A coisa começou a engrossar. Disse que a multa era de 2000 dólares, sem apelação. Enquanto isso um batalhão de muriçocas, nunca vi tantas, já havia levado meu sangue e a minha paciência. Muitas jaziam fora de combate, no chão, mas eram rapidamente substituídas. Cada tapa várias eram atingidas. Tenho certeza que os americanos, do outro lado, cultivam muriçocas e enviam para os mexicanos.
Eram muito grandes e molengas! Muriçocas cultivadas! Essa é boa! Verdadeira guerra de nervos ou psicológica, sei lá! Bem, voltando ao incidente fronteiriço. O Haroldo me mandou sair de cena e, quando retornei meu passaporte estava carimbado, duas saídas, uma delas com a data de El Paso, tudo por 70 dólares. Resolvemos sair o mais rápido dali antes que as muriçocas nos arrancassem mais sangue e os guardas se arrependessem do negócio.
Vamos e venhamos! Lá fui eu resmungando e lembrando o passado heróico de lutas políticas, revolução mexicana e toda a cultura indígena sendo enlameados por aqueles ... Bom, o fato é que eu estava de volta ao México, agora com o Haroldo. Faríamos um passeio pelos Olmecas, Maias da Península de Yucatán, Palenque em Chiapas e ... Viva o México!
A primeira parada foi em Tampico. Estávamos realmente no México: trânsito caótico, buzina, música alta, enfim ... confusão geral! De Tampico saímos para Poza Rica onde está o El Tajin, importante Sítio Toltoneca. Logo na entrada o show dos Voladores, um antigo ritual. Os Voladores jogam-se de um mastro super alto e vão descendo devagarinho à medida que as cordas vão desenrolando. É bonito vê-los coloridos contra o céu. El Tajin, seu museu e a majestosa Pirâmide dos Nichos. Tajin foi só o começo!
Uma cabeça Olme, Um rio e uma ponte, Uma tempestade!
Depois de El Tajin, fomos para Xalapa visitar o Museu de Antropologia. Este Museu só perde para o da Cidade do México.
Em Xalapa deu quase tudo errado. O Museu já estava fechado e não abriria na segunda.
No entanto, vimos e fotografamos a cabeça de El Rey que pesa mais de
20 toneladas e uma linda exposição de arte indiana. As cabeças gigantescas foram a especialidade dos Olmecas. El Rey é estrábico e, a boca entreaberta, deixa dúvidas: imortal. Estará rindo da nossa breve vida ou simplesmente, distraído, se perguntando: o que é o tempo?
Os Olmecas viveram nessa região de 1500 a 1000AC, quando começou sua decadência. Esculpiram essas enormes cabeças em basalto, não se sabe porque. O fato é que elas estão espalhadas pelos museus e são impressionantes.
Resolvemos partir. Iríamos para Palenque, enfim na trilha Maia, mas passaríamos antes em Santiago de Tuxla, onde está exposta a maior cabeça Olmeca até hoje encontrada: três e meio metros e 50 toneladas. A Rodovia 180, embora seja federal, não é lá essas coisas, aliás desde Los Indios. Fomos levando devagar. O templo nublado nos falava de chuva, e, quando ela caiu, o céu veio junto. Conseguimos chegar a Santiago a duras penas. Estava cheia de água.
Fomos direto à Praça Central onde está a tal cabeça. Não conseguimos descer do Troller, tal era a intensidade da chuva. O rio transbordou, a ponte foi interditada, ninguém passava. O Haroldo, muito curioso, foi à pé olhar o que tinha acontecido. Enterrou os pés na lama, saiu. O sapato ficou. Foi resgatado. Uma multidão de ônibus, gente com sombrinhas, carros e um Troller. A polícia avisou: não passa ninguém.
“Como senhor”? “Sim minha reina”! Fomos para o Hotel e dormimos por lá mesmo. No dia seguinte saímos cedo. Conseguimos passar pela ponte. Mais à frente a Auto Pista para Villa Hermosa estava interditada. Abrira-se um enorme buraco e, ao seu redor, segundo nos contaram, realizava-se uma manifestação, tipo uma greve. Resultado: uma fila de 40km de caminhões, gente, carros e um Troller.
Alguém nos ensinou uma trilha. Trilha é conosco mesmo. Saímos na contra mão, junto com outras pessoas e, tome barro, buraco, confusão. Enfim Palenque, já à noite. Estávamos no começo do Caminho Maia. Que dia!
http://www.vovosmilenio.pro.br/
Fonte:
Heloisa Helena Cunha Marques Cidade:
México-EX-Mexico Fotos: Heloisa Helena Cunha Marques Publicado: Berenice Correa Date: 22/12/2004
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